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Hoje, no Três Toques especial, nesta emissão a partir de Leiria, temos conosco o vereador de Esporte da Câmara Municipal de Leiria, Carlos Palheira. Muito obrigado por estar aqui conosco para nos ajudar também a perceber o grau de destruição que sofreram as infraestruturas das coletividades e dos clubes da região. Estamos a falar de estragos enormes e de prejuízos muito elevados.

Um bom dia a todos.

Bom dia. Bem-vindo.

Muito obrigado.

Saiu uma bica, não sei se foi pra si.

Não, mas poderá seguir, já irei tomar. Dizer que, ao nível das infraestruturas desportivas, sim, o impacto foi muito grande. Pela primeira avaliação que fizemos das instalações desportivas municipais, portanto, as de propriedade da Câmara Municipal, o impacto é na ordem dos oito milhões, sete, oito milhões de euros, e no patrimônio das nossas associações e clubes anda cerca de 13, 14 milhões.

O que significa, sobretudo quando estamos a falar de pequenas coletividades e pequenas associações, é um peso muito grande.

Nós temos 160 clubes ativos que dinamizam a prática desportiva, 50 modalidades diferentes e, portanto, a tipologia das instalações é muito parecida com a tipologia de instalações industriais. Como sabemos, são grandes pavilhões que foram muito afetados pelos ventos. Dizer que, por exemplo, pavilhões basicamente implodiram com o vento, quatro.

O de Tilheiro, o de Parceiros.

O Tilheiro, o de Parceiros, o de Segundim e também um de um clube que é os Piranhas, de uma arte marcial, implodiram completamente. Isto levou-nos a grandes desafios, que é o que fazer com o movimento associativo, que em Leiria era muito forte. Era, não, é muito forte. Num esforço coletivo muito grande das associações, dos seus dirigentes, das famílias, que ajudaram muito, foi possível, na semana passada, na quarta-feira, conseguirmos abrir as modalidades que tinham desportos coletivos com quadro competitivo nacional e esta segunda-feira conseguimos abrir para todos os outros. Ou seja, o desporto regressou, mas o regressar não quer dizer que haja normalidade. Foi um regressar em condições absolutamente mínimas. Eu vou dar um exemplo só pras pessoas às vezes perceberem o que estamos a falar. Os campos de futebol em si, os relvados, não foram muito afetados, mas tudo o resto ficou extremamente danificado. Houve campos que perderam balizas, as balizas ficaram completamente inutilizadas.

Aliás, essa foi uma das primeiras medidas, creio, que foi a substituição desses equipamentos.

A Câmara Municipal, desde esse momento, disponibilizou-se a oferecer as balizas todas aos clubes que tinham esta situação. Mas depois, por exemplo, os dias são curtos. O futebol faz-se de treinos no pós-escolar e, portanto, não é possível dinamizar também o futebol, que temos 22 clubes, se não houver energia elétrica nos campos. E tínhamos dois problemas: por um lado, não tínhamos luz em todo o território e, por outro, não tínhamos também postes, holofotes, os sistemas elétricos voaram, quadros elétricos danificados. E foi importante também fazer, em parceria com os clubes, uma intervenção que era pra reabilitar todos estes sistemas.

E houve aqui também uma colaboração, por exemplo, ao nível das piscinas e dos desportos praticados em piscinas, uma articulação com outros municípios que também ajudaram a encontrar alternativas pra prática desportiva durante este período.

Sim, por exemplo, no caso específico da piscina, ficámos sem uma parte da cobertura na nossa piscina municipal, é o equipamento onde mais pessoas vão todos os dias, vão cerca de 1100 pessoas todos os dias, portanto, é um número significativo, desde atletas, muitos campeões nacionais, mas também o público em geral, desde as crianças no processo de aprendizagem, como os menos jovens em processos de manutenção da condição física e de melhoria da sua condição de vida geral. Aquilo que fizemos foi, sim, os clubes, num primeiro momento, foram a outras piscinas, os clubes não apenas de natação, mas de outras modalidades. E houve um esforço grande também, já neste momento, temos a piscina aberta em condições mínimas. Fizemos um penso rápido, substituímos a parte da cobertura.

Mas as obras vão continuar nos próximos meses.

Largos meses, porque é preciso substituir a cobertura toda das piscinas municipais. É uma grande intervenção na cobertura, por exemplo, do estádio municipal, uma intervenção muito amorosa.

Estamos a falar de que valores? No caso do estádio municipal.

O estádio municipal tem danos em várias dimensões. A cobertura foi toda danificada, portanto, tem que ser toda substituída. Só pra termos uma noção, a substituição integral da cobertura com a técnica que foi feita na altura da abertura do estádio, em 2003, só essa intervenção custa 2,5 milhões de euros. Depois temos todo o sistema de som, que foi ao ar, devem ser 100, 200 mil euros. O sistema de luz, não sabemos, porque foram arrancados os quadros elétricos, portanto, tem que ser reposta toda a iluminação, podemos estar a falar de 400 mil euros. Temos prejuízo nos equipamentos de atletismo, nos equipamentos de futebol, nas cadeiras que foram danificadas, nos vidros, nas portas, nos portões. O sistema de CCTV do estádio, devemos estar a falar 200, 300 mil euros. E, portanto, tudo junto, devemos estar a falar em algo muito próximo de quatro milhões ou ligeiramente superior.

E é uma parte apenas dos estragos. Deixe-me terminar este Três Toques apenas com uma nota. Ontem vi numa publicação do Leiria Desporto nas redes sociais, uma imagem muito forte de duas crianças a jogar à bola junto aos escombros do pavilhão do Grupo Desportivo e Recreativo de Parceiros. É uma imagem triste e, ao mesmo tempo, uma imagem que nos dá alguma esperança quanto à recuperação nos tempos mais próximos. Carlos Palheira é vereador de Esporte da Câmara Municipal de Leiria. Muito obrigado pela sua presença neste Três Toques. Muito bom dia.

Obrigado