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Começa agora mais um Três Toques da Rádio Observador com o Carlos Pedro. Carlos, bom dia, bem-vindo.
Bom dia a todos. Vamos falar hoje de Armand Duplantis. Não sei se se conhecem. Certamente já disseram este nome aqui. Armand Duplantis. Acho que é assim que se pronuncia. O atleta é sueco e o melhor atleta de salto com vara do mundo. É o atual detentor do recorde.
É estranho não saberes quem é o salto com vara, Paulo.
Salto com vara é uma das minhas especialidades, a gente sabe.
E a marca mais recente desse tal recorde do mundo é de 6,31 m.
Acho mesmo incrível.
A técnica é impressionante.
Eu parti as costas a fazer isto de qualquer coisa.
A vara vai aumentando de tamanho também à medida que eles vão subindo? Eu tenho dúvida se fosse com a cela que tinha já.
Nem dormes a pensar nisso.
À medida que eles vão passando a marca, a vara também aumenta.
Tem de ser. Ok.
E Duplantis é tão bom que já bateu o recorde mundial 15 vezes. Ele está basicamente a jogar contra si.
Sozinho.
Exatamente. A primeira foi em 2020, com 6,17 m. Já vai em 6,31 m. Vai sempre aumentando 1 cm, que é para ter sempre a oportunidade de bater o recorde. Até porque eu acho que eles vão recebendo por cada recorde que batem, vão recebendo um extra. Sem surpresa, Duplantis conquistou recentemente o quarto título europeu nos Europeus de Birmingham, foi no passado fim de semana, e para isso teve de saltar apenas 6,15 m, portanto abaixo ainda do primeiro recorde mundial batido em 2020. Desta vez, lá está, não bateu o próprio recorde e tudo talvez por causa de uma má decisão alimentar. Neste caso, um prato indiano picante, caril de frango tikka masala.
Tão bom!
Pois.
Muito bom.
Mas cabe antes de saltar a vara.
Não é uma boa escolha.
Exatamente. Foi a pior decisão que ele terá tomado a nível alimentar, o próprio admite, porque comeu este prato indiano picante pouco antes de entrar em prova.
Não pode ser.
Aquilo ficou ali a trabalhar, o tikka masala.
Tudo bem que és muito bom, és o melhor do mundo.
Mas também calma contigo.
Exatamente. Não podes desvalorizar assim os teus adversários. Logicamente, ficou com um desconforto intestinal bastante grande, apesar de ter confessado que, tirando o molho do frango, achou que ficaria tudo bem. Logicamente, não ficou, teve de fazer várias idas à casa de banho. Lá está, Duplantis diz que foi a pior decisão alimentar em toda a carreira e com tantas idas à casa de banho, acabou por não saltar as vezes que gostaria de ter saltado. Ainda assim, e como é muito bom, acabou por ganhar a medalha de ouro.
Não teve a oposição à altura, aparentemente.
Exatamente. Mas fica aqui o aviso: nunca mais um prato picante. Pelo menos picante antes de uma prova dessas.
Tikka masala nunca antes. Atenção, antes de vir para aqui, nunca.
Também não. Às 04h30, 05h00 da manhã não puxa.
Antes das minhas corridas matinais também nunca mais vou fazê-lo.
Não faz. Depois chico no batido.
Eu queria falar-vos agora de investimentos e esquecimentos, porque todos nós já nos esquecemos de alguma coisa que compramos. E também de Shaquille O'Neal, este gigante de 2,16 m, que é uma lenda da NBA com cinco títulos de campeão conquistados, mas Shaquille O'Neal é também ao dia de hoje.
É muito giro vê-lo ao lado do ator Kevin Hart.
Sim.
Eles ficam muito bem juntos.
A diferença é brutal.
E o Danny DeVito também lá está.
Ao dia de hoje, Shaquille O'Neal, já não podendo ser um basquetebolista profissional, é rapper. Em 1990, lançou o "Shaq Diesel", o seu primeiro álbum, que ultrapassou 1 milhão de cópias vendidas. Até fez colaborações, por exemplo, com Michael Jackson. Em 2015, iniciou sua carreira de DJ e este ano até participou no Lollapalooza, em São Paulo, no Brasil. Mas esta espécie de faz-tudo é também um empresário de sucesso. E tudo começou de uma forma inusitada. Primeiro, quando era criança, o pai levou-o ao White Castle, uma cadeia norte-americana de restaurantes de hambúrgueres. No caminho de volta, cruzaram-se com um veterano de guerra que pedia comida. Shaquille O'Neal conta que o pai pegou parte dos hambúrgueres do filho e entregou ao senhor. Shaq, na altura, perguntou o porquê. O pai respondeu: "O senhor precisa mais do que tu e se algum dia te tornares grande", e grande ele é, "certifica-te de que olhas sempre pelos que estão por baixo", mais ou menos isso, acho que se percebe a ideia. Isso terá moldado a mentalidade de Shaquille O'Neal, conta o próprio, no que aos negócios diz respeito. A verdade é que em 2022, e eu só encontrei dados de 2022, eram 155 restaurantes só na cadeia norte-americana Five Guys, sendo que tem a sua própria marca, a Big Chicken, uma rede de restaurantes de sanduíche de frango. Tem também 40 ginásios, 150 serviços de lavagem de carros e um cinema. Isto tudo com uma fortuna de €380 milhões. Ele, aliás, já fez mais dinheiro no pós-basquetebol do que durante o basquetebol. Mas como é que foi o primeiro investimento de Shaquille O'Neal? O primeiro é sempre especial. Shaq contou numa entrevista ao The Wall Street Journal que em 1999 estava num hotel em Beverly Hills, quando ouviu duas pessoas falarem sobre a então desconhecida Google, que tinha sido fundada um ano antes, em 1998. Perguntou do que se tratava. Foi-lhe explicado, gostou do conceito dos motores de pesquisa na internet, a questão dos telemóveis, tudo lhe soava uma visão de futuro e por isso decidiu investir 250 mil dólares.
Comprou umas ações.
Exato. Uma startup que era promissora na altura. Passaram-se os anos e Shaquille O'Neal continuou a jogar, a enriquecer à custa do basquetebol até 2011, mas mal sabia ele que não era só o basquetebol.
Estava a entrar dinheirinho dessas ações da Google.
Exatamente. É que passaram-se os anos e o atleta conta que se esqueceu completamente do investimento e quando deu por si, foi alertado por um jornal, percebeu que o valor tinha multiplicado de uma forma brutal. Portanto, os 250 mil dólares viraram numa questão de anos, ele não consegue especificar quantos, ou pelo menos não especificou quantos, mas 250 mil dólares viraram 16,5 milhões de euros, ou melhor, de dólares. Mais de 14 milhões de euros.
Multiplicou por 60.
Olha, boas contas. Às vezes é jeito, outras vezes é sorte e coragem. Neste caso, diria sobretudo coragem para investir 250 mil dólares.
Naquilo que para ele era assim: "Ah, vou assumir".
Ele não sabia do que se tratava.
Pode ser que isto seja alguma coisa.
É aquela aposta num negócio que soa bem.
Exato.
O que é que aqui está?
Obrigada, Carlos Pedro.
Muito bem.
Muito bem. Eles precisam de formação social, isso é que é.
Exatamente. Até amanhã.
Até amanhã.