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Hoje vamos falar de presunto.

Olha!

Presunto.

Ramón.

Ramón. E de um gato. Presunto e de um gato. E depois ainda vamos a um antigo jogador do Arsenal que vendia gato por lebre. Mas vamos começar.

Presunto, gato, gato por lebre.

E gato por lebre. Isto anda tudo ligado. Vamos começar pelo gato. Foi o Diogo Varela que andou aqui a investigar a história deste gato, o gato que interrompeu o último jogo do Sporting contra o Estrela da Amadora.

Tinha botas?

Não tinha botas e era preto e branco, ou seja, não era completamente azar, não era completamente sorte. Para o Sporting foi sorte, que o Sporting acabou por ganhar o jogo. Mas vamos recordar este momento. Corria o minuto 36 do jogo entre Estrela da Amadora e Sporting, quando isto aconteceu.

Estrela da Amadora zero, Sporting também zero. Manuel Constança Carvalho, a partir do Estádio das Boleiras, na Amadora. Estamos contigo aqui na Rádio Observador.

E no relvado, Vicente, está um gato. Portanto, já o jogo está interrompido.

Estou muito atento ao felino. E que belo gato! Corre bem. Parece até um greyhound.

Para já o estádio todo levanta-se à procura do gato e agora sim, deu a sua entrada, teve o seu tempo de protagonismo e já foi. Portanto, o jogo tem condições para já retomar. Estava interrompido.

Eu há pouco tempo fui adotado por um gato parecido na minha rua, que agora vive comigo. Fica aqui muito parecido este gato. Completamente preto em parte, mas depois também com manchas brancas a lembrar o Silvestre dos Looney Tunes.

O Vicente muito bem. Eu vou explicar que os gatos é que nos adotam.

Adotam, exatamente. No caso dos gatos. Se for um cão é diferente. Agora os gatos, toda a gente sabe que eles é que escolhem.

Há que ter a noção do nosso papel na sociedade.

Exatamente, do nosso lugar na hierarquia.

Exatamente.

Ora, este gato tem uma história e o Observador falou com o Estrela da Amadora e pelos vistos é um gato vadio. Independente, digamos. Não tem nome, não tem dono, mas foi alimentado por um colaborador do Estrela da Amadora após este episódio. E a questão é como é que o gato foi parar ao relvado durante o jogo. Será que queria estrear-se na arbitragem? Será que queria dar uma ajudinha a um dos clubes? Não sabemos. Mas sabemos que este gato, independente, vadio, costuma frequentar a bancada que está desativada para os adeptos, é o topo norte do Estádio José Gomes, da Amadora, e também é frequentador da zona das piscinas. Normalmente os gatos não gostam muito de água, mas ele anda por lá, deve andar à volta. E portanto, temos assim um gato que é dado ao futebol e à natação a distância. E vamos deixar aqui aos nossos ouvintes uma sugestão de nome para este felino. O Vicente falou em Silvestre, lembrando o Sylvester dos desenhos animados. Não sei se haverá mais sugestões. Abrimos aqui a caixa para sugestões para o nome deste gato muito independente. E já agora, parece também, este fim de semana no jogo entre Estoril e Futebol Clube do Porto, entrou em campo uma arara.

O que é que se passa?

Não sei se estava a fugir do gato da Amadora e foi parar ao Estoril. É verdade, entrou uma arara em campo, identificada. Não sabemos também se costuma andar ali pelos lados do António Coimbra da Mota.

Da Amoreira.

Da Amoreira, provavelmente sim, não sabemos, não temos a certeza. Vamos investigar também. Eu lanço aqui o repto ao Diogo Varela para investigar a origem desta arara. Agora vamos à origem do presunto. Presunto é em Espanha. Também há bom presunto em Portugal. Fala aí, Paulo. O que é que achas? É mais Espanha, não é?

Em Espanha tem ótimos presuntos. Nós também temos bom presunto.

Também temos, mas em Espanha o presunto é usado de maneiras que ainda nenhum presidente de um clube português se lembrou de usar. Estou a falar de um clube da quarta divisão, equivalente à quarta divisão espanhola, o CDC Moscardó. O presidente chama-se Javi Póvez, é uma das figuras mais polémicas no futebol em Espanha. E do que é que ele se lembrou agora recentemente? De fazer um vídeo, num tom humorístico, em que mostrava um presunto. E depois o que é que ele fazia? E esta que é a parte polémica. Corria atrás dos jogadores muçulmanos desta equipa com o presunto a dizer: "Come Ramón, come presunto." Bem, não é preciso explicar que os jogadores muçulmanos não comem carne de porco. E aquilo que supostamente seria uma brincadeira para ter piada.

Não tem.

Porque ele aparece no vídeo a correr atrás dos jogadores com o presunto. E foi considerado como uma demonstração de racismo e islamofobia, um bocadinho. Não lhe correu bem, não lhe saiu muito bem a piada. Mas eu continuo a gostar de presunto. Se calhar não gosto tanto aqui do presidente do Moscardó, o Javi Póvez.

Do presunto implicado.

Do presunto implicado. Grande banda.

É verdade.

Vamos, por fim, a uma história de gato por lebre e que envolve um jogador que fez parte do plantel do Arsenal, do qual os adeptos têm muitas saudades. Falo da equipa dos Invencíveis, a equipa que ganhou o campeonato Inglesa em 2003, 2004, sem derrotas, um feito na história moderna inédito. O Arsenal não perdeu um único jogo nessa campanha e havia um jogador, Graham Stack, não era dos mais famosos, fazia parte desse plantel e que se aproveitou um pouco da ingenuidade, da ganância e da tendência que os jogadores têm para gastar dinheiro em artigos supostamente de luxo. Ele conta, Graham Stack, que frequentava um bar e que nesse bar costumava aparecer um tipo com cintos, malas, carteiras e artigos da Gucci, mas tudo falso. Não era da Gucci, era da "Gacci" ou outra coisa.

Da Gucci.

Da Gucci, qualquer coisa assim parecida. E ele percebeu que havia ali uma oportunidade de negócio, porque tinha clientela disposta a investir. Eram, é claro, os seus companheiros de equipe. Ele percebeu que os seus companheiros de equipe, todos, tinham malas da Gucci. E o que ele viu? Viu ali uma oportunidade para começar a vender aqueles artigos falsificados aos companheiros de equipe, que as ofereciam às suas respectivas companheiras. É verdade. Ele diz que lhes deu montes de malas, até que um dia fizeram uma festa de Natal e aparecem as mulheres dos jogadores, os seus companheiros de equipe, todas com a mesma mala da Gucci.

Tragédias.

Ou da Gucci. É verdade.

Eles tinham duas tragédias no meio, atenção. Primeiro era mala igual, e depois falsas ainda por cima.

Claro, eram falsas, primeira tragédia, mas pior do que isso, eram iguais.

Eram iguais, claro. Não sei qual a maior tragédia.

Não, essa é que era a verdadeira tragédia. E todos eles tinham dado explicações às suas companheiras por onde é que tinham comprado. Por exemplo, David Seaman, o guarda-redes, que foi internacional inglês, tinha dito à mulher que tinha ido à cidade, à Selfridges, uma loja em Londres, e que teria dito à mulher: "Bem, olha, passei por lá e lembrei-me de comprar um presentinho".

Olhei pra mala e pensei em ti.

Exatamente.

Estava escrito na tua cara.

Ray Parlour, outro jogador, disse exatamente a mesma coisa: "Olha, passei nesta loja e comprei". Afinal de contas, todos tinham comprado.

Os bons sentimentos podem ser comuns a muitas pessoas.

Todos tinham movido montanhas para comprar as malas.

Era uma coisa mesmo especial, uma coisa única. Ninguém foi capaz de dizer: "Olha, apareceu lá um colega no balneário com malas da Gucci".

Um preço muito jeitoso.

"Ora aí está, e aqui está para ti, especialmente para ti". Não foi especialmente, foi especialmente para todas as companheiras dos jogadores do Arsenal. Eu não sei se ele fica para a história mais por fazer parte do plantel ou agora com esta história de vendas de artigos falsificados.

Com esta hobby.