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O apito está dado.
Está dado. Vamos lá então. Vamos falar, para começar, de transferências. A janela de transferências fechou na segunda-feira para a maioria dos países da Europa. Ainda há alguns países onde é possível fazer transferências, que têm prazos mais alargados. Para a Arábia Saudita, para a Rússia, é possível os jogadores irem para lá. Mas na maior parte das ligas europeias, a janela de transferências fechou na segunda-feira e há sempre histórias emocionantes.
Dos últimos segundos.
Dos últimos minutos. Isto dá para os dois lados. Às vezes são histórias que inspiram e que dão para suspirar de alívio. Depois há outras que são um pouco mais difíceis para os jogadores, porque são negócios que não se concretizam. Estão prometidos, já estão praticamente fechados, mas os documentos não seguem.
Não chegam a tempo e o jogador fica na mesma.
Temos duas histórias, uma para cada um dos exemplos. Em Itália, o Palermo conseguiu contratar um jogador por empréstimo, quando faltavam três segundos para o fecho do mercado.
Eletronicamente, imagino.
Exatamente. Há a plataforma onde se põem os documentos para registar a transferência.
Onde é dado o validado.
Exatamente.
Aquele certinho, como no IRS.
Claro.
Exato, o João e o Paulo sabem muito bem.
Nós sabemos disso, é sempre ali quando estão 10, nove.
Só até passar para o ano e pronto.
Isto é autêntico.
Vocês eram ótimos para trabalhar no mercado de transferências.
No mercado de transferências, mas atenção, é mesmo para cumprir com os prazos.
Também para eles.
Sabes o que é o IRS entregue às 23h59m30s do último dia?
Do último dia.
É incrível.
Vocês são os portugueses por excelência.
Nós nunca falhamos.
Nós temos um concurso entre nós, saber quem é que consegue entregar mais tarde.
Então este ano fica o desafio.
É três segundos, não é, Paulo?
Exatamente.
23h59m57s.
Exatamente.
Vamos ver se conseguimos.
Desta vez foi às 19h59m57s. O prazo terminava às oito da noite, é Itália.
E o Palermo lá conseguiu.
O Palermo conseguiu um jogador, que é internacional angolano, nascido em Portugal, em Vendas Novas. Fez a formação no Vitória de Setúbal. Rui Modesto é o nome do jogador.
É uma exportação portuguesa.
Vai para Itália.
De formação. Ele já estava no estrangeiro e agora conseguiu mesmo nos últimos segundos. Não aconteceu o mesmo com outros jogadores. Um dos casos mais falados foi o do jogador do Everton, Dwight McNeil, que se falou muito da possibilidade de ir para o Crystal Palace e estava praticamente fechado. Falou-se durante muito tempo, era uma transferência que estava praticamente garantida e não se concretizou. O que motivou muitas reações, desde jornalistas, adeptos, mas uma reação da companheira de Dwight McNeil foi para as redes sociais dar conta da frustração que é e dos efeitos do impacto que isto pode ter na saúde mental dos jogadores. Ela disse que falam que os jogadores ganham muito dinheiro, mas ninguém fala do impacto ou não se dá tanto valor ao impacto de situações como esta, em que toda a tua vida está prestes a mudar, porque implica uma deslocação, uma mudança.
Não só do próprio, como da família.
Da família. Expectativas, porque estamos a falar de um contrato de quatro anos e meio, ou seja, tu estás a planear a tua vida para os próximos quatro anos.
Isto é a precariedade no trabalho.
É a precariedade. É verdade que eles têm uma rede de segurança, os jogadores deste nível é diferente, mas isto pode ter um efeito muito duradouro e devastador na carreira dos jogadores, e é uma carreira curta. Basta lembrar o caso do Adrien Silva, que há uns anos, quando esteve para sair do Sporting e depois não saiu, e depois ficou ali tudo em águas de bacalhau. Ou o João Palhinha, também, que esteve para sair num primeiro momento do Fulham para o Bayern de Munique e não saiu naquela altura. Depois acabou por ir para o Bayern de Munique, agora já entretanto voltou ao Tottenham. Mas são de facto situações que geram muita incerteza, muita angústia. E tivemos aqui em nome do jogador, do Dwight McNeil, a companheira a falar. Ele também publicou uma mensagem nas redes sociais, mais curta, mas desta vez a mensagem mais substancial e a explicar um pouco os contornos de todo este caso foi feita pela companheira e merece ser lida, porque de facto há muitos jogadores que ficam com a vida em suspenso no mercado de transferências e parece que quem está a negociar, por vezes não.
Não leva isso em conta.
Está preocupado com outros.
Com outros números.
Com outros números, é verdade.
Outros valores.
Não está tão preocupado com o estado de espírito dos jogadores e o que isso poderá significar para o futuro deles. Bem, deixem-me trazer aqui também uma história de um histórico do futebol francês. Guy Roux foi treinador do Auxerre durante muitos anos, agora já está retirado, mas deu uma entrevista.
O Auxerre. Eu parei no Auxerre. O que é feito do Auxerre? Me lembro de ser um clube.
Isso é uma boa pergunta.
É melhor não falarmos sobre isso.
Ontem à noite eu estava a ouvir a chuva lá fora e a pensar: "O que será feito do Auxerre?"
É melhor não.
Eu acho que agora.
E foi quando estava a tomar o meu chá. A pensar em Auxerre.
Eu não tenho a certeza se está na primeira divisão.
Eu também não tenho a certeza.
Isso é que é o problema, é não ter a certeza. É que não me descansa.
Não fazes ideia, Paulo.
Tenho de quê?
Sim, mas não é.
Eu acabo de saber que há um clube-
O Auxerre era o Bordéus e o Bordéus.
Não, o Bordéus ainda pessoa qualquer coisa.
Auxerre.
Sapt é mais. Evity é mais Sapt.
O que é que tem o Auxerre?
Acabo de saber que há um clube chamado Auxerre e tu já queres que eu saiba tudo sobre o clube. Ai, meu Deus do céu!
O que é que se passa?
Ao ponto a que chegou o Auxerre. Falamos noutro dia do Auxerre.
Deve ter uma história.
Já sabe tudo.
Guy Roux era daqueles treinadores.
O Guy Roux.
O Guy Roux. Ele é que, se calhar, foi o ano passado do Sir Alex Ferguson, que ficou muitos anos no Manchester United e o Guy Roux também ficou décadas à frente do Auxerre. Não era despedido, não havia chicotadas psicológicas. Ele estava lá.
Estava a fazer um bom trabalho.
Pois, claro, estava a fazer. Aquilo era já mobília, já não sei. Agora ele teve umas declarações que foram recebidas com alguma polémica sobre o futebol feminino. Disse Guy Roux, que tem muito respeito pelas jovens que praticam o seu desporto favorito, mas disse que: "Bem, se me perguntarem se os jogos femininos são espetaculares, remeto-vos para os jogos da primeira divisão, que são disputados perante 800 espetadores". Ou seja, da primeira divisão do futebol feminino. E depois deu outros exemplos. Certa vez, diz ele, conheceu uma campeã europeia dos 100 metros que confessou que, apesar de todos os treinos possíveis, o Usain Bolt lhe ganharia sempre por 12 a 14 metros nessa distância. Bem, o Usain Bolt também ganharia a qualquer pessoa. Não era só à campeã.
Aos seus adversários.
Aos seus adversários homens também. "Os homens e as mulheres não são feitos da mesma maneira", disse Guy Roux, "nem com os mesmos tecidos. Uma mulher", e aqui é que foi a polêmica, "uma mulher foi feita", isto ele diz biologicamente está construída, "para trazer filhos ao mundo, tem uma bacia mais larga".
Claro, toda a gente sabe isso.
"E o futebol", diz ele-
Esta bacia larga que nós temos.
"O futebol não foi feito para bacias largas", disse Guy Roux.
Não me digas que alguém achou isto ofensivo.
Não sei por quê, são declarações perfeitamente normais para um senhor.
Supostamente científicas.
São científicas, podemos chamar. É verdade, aquilo que ele diz depois: "Recentemente os nossos sub-14", está a falar ainda do Auxerre, "venceram as seniores femininas". É verdade que já foi feita essa experiência.
Por alguma razão existem campeonatos femininos e campeonatos masculinos.
Não deixa de ser. Noutros desportos como o ténis ou o atletismo, nós assistimos às provas femininas e pensamos: "Iam perder se fosse com os homens".
Aquela bacia larga.
Aquela bacia larga perturba muito. Há sempre vozes que resistem. Se não querem, não vejam. É simples. Ou se não gostam, se acham que não é um grande espetáculo, é não ver.
Eu acho que ele nunca viu foi os jogos do Campeonato Português. Maus espetáculos.
Maus espetáculos. Deixa estar que em França também deve haver vários. Eu trago aqui uma história. Eu vou trazer esta história amanhã, porque merece ser contada. É a história de um patinador no gelo, espanhol, que vai participar agora nos Jogos Olímpicos, que vão decorrer em Itália, que queria usar uma música e preparou todo o seu número, a sua atuação, com aquela música, mas não vai poder usar.
Por quê?
Não vai, por causa de direitos de autor.
E mais outra, hoje o bonequinho do Google é em homenagem ao Paulo Ferreira. Não digo mais nada.
Vão ver. Mas amanhã vou trazer esta história.
Este foi o Paulo.
Esta é a Carlin.
Sim, com o teu chapéu.
Amanhã vou trazer Carlin e vou trazer música, porque nós aqui vamos poder usar a música dos... Não vou dizer mais.
Dos.