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Está no ar o "Três Toques" com o Júlio Magalhães e eu quero pegar já na bola para saber o que aconteceu ao clube alemão Schalke 04. Ao que parece, Júlio, está a vender a camisola da equipa como nunca.
É mesmo.
Pézinhos quentes, como se costuma dizer.
É um belo exemplo dos tempos modernos. O Schalke 04, este clube do campeonato alemão, foi, no desporto mundial, o primeiro a tomar a posição contra este conflito na Ucrânia. Ainda antes da invasão, decidiu abdicar do apoio publicitário que tinha nas camisolas da poderosa empresa Gazprom, da Rússia, que, de resto, também era o principal patrocinador da UEFA, da FIFA, etc. Isso significou deitar fora um patrocínio de € 10 milhões em nome de valores mais altos, pois sabem o que aconteceu? Perante essa decisão, todos os clubes alemães disponibilizaram-se para cobrir o prejuízo do Schalke comparticipando com dinheiro. O contrato foi cessado há dois dias e ontem as camisolas do clube já estavam à venda sem o nome da Gazprom. Ora, o que deu isto? A venda de camisolas aumentou substancialmente e é mais um contributo, agora desta vez dos adeptos, para o clube não sair prejudicado com o facto de ter perdido aquele apoio.
Muito bonito isto. É mesmo. Permitam-me voltar a Pequim, quem diria, mas cá estamos de volta.
É o nosso destino.
É o nosso destino.
Ficaste por aí.
Fiquei, o meu coração ficou em Pequim. Agora, por causa dos Jogos Paralímpicos, porque vão começar já amanhã na capital chinesa. Júlio, está resolvido o problema da inclusão ou não da Rússia e já agora também da Bielorrússia?
Sim, está resolvido. Até ontem não se sabia se estes dois países iam ser admitidos na competição, porque foram banidos dessas modalidades e competições. O Comité Paralímpico decidiu não acompanhar esta medida, e bem. Estamos a falar de atletas com deficiência e autorizou então a participação dos dois países, mas impuseram condições. A mais imediata é que não podem levar a bandeira do respetivo país que representam, assim participam com uma bandeira neutra. Outra também efetiva é que não entram no quadro das medalhas, ou seja, vão competir e se ganharem, não sobem ao pódio. É algo semelhante com o que estava decidido com a atleta russa da patinagem artística, por causa do processo do doping, bem se lembram, pois ela acabou por não ganhar. O Comité Paralímpico decidiu igualmente realizar um congresso para perceber que decisões tomar no futuro em relação à participação destes dois países e suspendeu todas as provas que estavam previstas ou viessem a ser realizadas, quer na Rússia, quer na Bielorrússia. Ou seja, tudo isto por causa de alguém que é único, tem a chave da porta e que se chama Vladimir Putin.
Esse senhor. Eu também não me esqueci que ontem protestei para hoje contar a história de uma célebre vitória, lembram-se do Dinamo Kiev?
Dinamo Kiev.
Exato. Nas competições europeias, e de um treinador que nessa altura--
Tu lembras-te?
Então não lembro. O Valeri Lobanovski.
Claro.
O grande Valeri.
Faz um profissional disto. O Valeri.
Era tu que andava ao colo com ele.
Júlio, explica-nos lá então o que se passou nesse grande ano de 1986.
É verdade, vamos então a isso.
Isso foi grande. Vamos lá.
Foi um desastre.
Foi o ano antes daquele jogo que vos contei ontem, que envolveu o Futebol Porto. Esta equipa do Dinamo Kiev, que era então a base da seleção da União Soviética e considerada a melhor equipa do mundo, tinha conseguido a presença na final da Taça das Taças. Na altura havia Taça dos Campeões, Taça das Taças e Taça UEFA. Como agora, que é a Liga dos Campeões e Liga Europa. Esta Taça das Taças era a segunda competição mais importante e ia jogar a final com o Atlético de Madrid, em Lyon, em França. Ora, embarcaram para França antes do desastre nuclear e quando fazem escala em Paris, já os jornalistas queriam saber o que se estava a passar em Chernobyl. Lobanovski, o treinador, impede os jogadores de falarem do assunto e até de pronunciarem a palavra Chernobyl. Estamos aqui para jogar uma final europeia e nada mais do que isso. Nessa altura, tinha explodido ainda um reator, o número quatro, e como a final se jogava só no dia 2 de maio, ninguém podia incomodar os jogadores com esse tema. Pois eles, a 2 de maio, entraram em campo, ganharam 3 x 0, foi uma exibição impressionante na altura. O treinador do Atlético de Madrid diz que até o aquecimento que tinham feito para o jogo os assustou, tal era a velocidade e a precisão com que o faziam. Era mesmo, porque isto era uma inovação de treinos da equipa que amanhã vos vou contar, que hoje não temos tempo.
Isso vai render três dias.
Vai render três dias. Portanto, nesse jogo impressionaram a Europa, impressionaram o mundo. No dia a seguir, regressaram a Kiev a seguir à final, foram recebidos por uma multidão de mais de 100 mil pessoas e como heróis. Só quando voltaram a Kiev é que tiveram conhecimento da gravidade do desastre. Desses jogadores, 11 foram diretamente para um estágio da seleção da União Soviética para prepararem o Mundial do México. Esses nomes devem dizer-vos de pouco, mas estamos a falar para quem acompanhou.
O Paulo diz.
O Paulo diz. Exato. Blokhin, Zavarov, Demianenko, Yakovenko, Rats, Belanov, enfim, entre outros. Belanov, na altura ganhou a Bola de Ouro nessa ano.
Esse nome é-me familiar.
Alguns destes jogadores, depois tiveram a possibilidade, por terem ganho esta liga, de saírem do país, para irem para clubes, o que não acontecia na altura. Perderam-se todos, na altura. Os tempos eram outros. Esta história só para vos dizer, faz parte de um livro de memórias do já falecido e conhecido jornalista Rui Tavares, que era uma memória viva do futebol. Amanhã vamos continuar a falar então disto e do treinador Valeri Lobanovski, porque hoje já não temos tempo.
O amigo do Paulo Ferreira.
O amigo do Paulo Ferreira. Hoje já não há mais tempo.
Eu, destes todos, Molotov é mais um.
Molotov.
Foi "Três Toques", sempre com o Júlio Magalhães, nas manhãs 360. Se não ouviu desde o início, vai poder fazê-lo através de podcast.