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E este é o som do Três Toques que, para além da rádio, também pode acompanhar com imagem nas nossas redes sociais ou através do site do Observador. Vamos então à pergunta desta quarta-feira: qual foi a primeira atleta portuguesa a ganhar uma medalha olímpica?
Uma atleta. Rosa Mota.
Rosa Mota.
Rosa Mota, claro. Vocês são muito previsíveis.
Ela também foi naquela altura.
Era sempre uma medalha garantida. Nem tinha interesse. Eu nem ligava a isso.
Eu nem queria saber.
Sabia que ia ganhar, qual era o interesse?
Então vamos continuar a falar de supermulheres.
Supermulheres.
Vamos à incrível história de Telma Monteiro, tal como prometido.
Como ontem prometemos, é verdade.
Sempre que aqui cumprem.
Aqui nós cumprimos, não somos como uns e outros. A melhor judoca portuguesa de sempre e que começou aos 14 anos. Pode-se dizer: "Ainda era novinha", mas já se sabe que para se querer chegar à alta competição, 14 anos, seja em que desporto for, já costuma ser um pouco tarde demais. Não foi o caso de Telma Monteiro, o que demonstra também que ela era um talento especial e que teve esta particularidade. Começou a competir, entrou para o judo por influência da irmã, Ana Monteiro, e assim que começou a competir, Telma começou a ganhar. Estava escrito nas estrelas. Começou do outro lado do Tejo, no Monte da Caparica, depois prosseguiu a carreira no Benfica, onde se manteve ao longo do seu percurso desportivo e onde agora também vai continuar como responsável pela secção de judo, depois de anunciar a sua despedida dos tatames.
Dos tatames. A Telma participou em cinco Jogos Olímpicos.
Em cinco Jogos Olímpicos e esteve quase a participar no sexto, mas uma lesão impediu-a de ir a Paris competir, porque esteve lá, mas não em competição. E nestas cinco participações, temos de dizer, houve mais lágrimas de tristeza do que de alegria, lágrimas partilhadas por todos nós que esperávamos e acompanhámos estas aventuras de Telma Monteiro nos vários Jogos Olímpicos. Uma história que começou há 20 anos, nos Jogos Olímpicos de Atenas, e eu estava a pensar, vinha para aqui e estava a pensar: há 20 anos, só para se ter uma ideia da longevidade, há 20 anos, Cristiano Ronaldo estava a disputar a final do Europeu e ainda está aí.
2004.
Em 2004. É verdade, já passou muito tempo.
O Cristiano Ronaldo estava a começar a despontar.
A despontar. Já tinha ido para a United e foi nesse Europeu que ele se deu a conhecer mais, para quem ainda não o conhecia, porque foi titular e disputou uma final do Europeu. E há 20 anos, Telma Monteiro tinha 18, teve uma prestação honrosa nesses Jogos Olímpicos de Atenas. Nos Jogos Olímpicos seguintes, já havia alguma expectativa sobre o que poderia fazer a então já campeã europeia, mas Pequim, em 2008, e Londres foram os jogos da desilusão, porque havia grandes expectativas que Telma Monteiro conseguisse uma medalha. Não aconteceu. Aconteceu depois no Rio de Janeiro, em 2016. As expectativas aí baixaram, porque já tinha havido aquelas desilusões. Acreditava-se ainda que ela conseguisse, porque nos tinha habituado, de facto, a superar-se e a conseguir grandes resultados nos grandes momentos, mas o facto de não ter corrido muito bem nos Jogos Olímpicos anteriores baixou um pouco as expectativas. Queria-se que Telma Monteiro desse o melhor e depois logo se via. E deu para uma medalha de bronze. Não deu para chegar à final, mas deu para uma medalha de bronze. Foi a primeira mulher portuguesa a conquistar uma medalha no judo. E depois a despedida olímpica em época de pandemia, nos Jogos de 2020, que só ocorreram em 2021 em Tóquio. E este ano ela ainda tentou, ainda quis participar nos sextos Jogos Olímpicos, mas não conseguiu esse apuramento. Tinha sofrido uma lesão meses antes que a impediu de estar ao melhor nível.
Ora bem, contas feitas, então qual é o palmarés da Telma Monteiro?
É um palmarés impressionante. Em Europeus, foram 15 medalhas: seis de ouro, duas de prata e sete de bronze. Em Mundiais, faltou-lhe a medalha de ouro, mas conquistou quatro medalhas de prata e uma de bronze. A de ouro não foi alcançada. Jorge Fonseca acabou por ser o primeiro português a sagrar-se campeão mundial de judo. Portanto, ao todo, foram 65 pódios para Telma Monteiro, porque aos Europeus e Mundiais, e aos Olímpicos também, com a medalha de bronze, é preciso juntar Masters, Grand Slams e Grand Prix. Foram oito ouros, seis pratas, 10 bronzes.
E precisa de uma soalhada enorme só para guardar.
Só para guardar isto.
E ainda mais, como se dizia no "Um, dois, três", e mais Taças do Mundo, Opens continentais, foram mais 20 medalhas, 13 ouros, duas pratas e cinco bronzes. Eu acho que podia trocar isto tudo. Não troca.
Se calhar não te cala.
Não troca, que há ali muito sacrifício, porque cada uma destas medalhas é muito sacrifício. É um currículo, de facto, e nós às vezes perdemos noção, porque nos vamos habituando a ouvir tantas vezes o sucesso.
E falamos pouco também.
Dos outros desportos. Mas é um currículo, de facto, impressionante, de uma das melhores atletas portuguesas de sempre.
Mesmo. Então, e qual foi a primeira atleta portuguesa a ganhar uma medalha olímpica?
Hoje não teve graça. Vocês acertaram todos.
Eu é que ganhei, porque fui a primeira a dizer, não foi a Carla.
Somos muito bons nisso.
Eu é que ganhei.
Foi a Rosa Mota. E agora para complicar, onde é que foi? Quando é que foi?
Foi em Los Angeles.
Foi em Los Angeles.
Agora ganhei eu.
Não ganhaste nada, porque já acabou.
Respondi à superpergunta. Lembro-me tão bem dessa maratona.
Também me lembro.
Foi feita uma maratona?
Não, não. Foi durante o dia essa maratona.
Eu não me lembro.
Tu não te lembras.
Lembro-me da do Carlos Lopes.
Do Carlos Lopes lembro-me perfeitamente, mas da Rosa Mota também.
Eu acho que foi de madrugada.
Eu acho que não foi de madrugada.
Então pronto.
Acho que foi durante o dia.
Vocês estão contra mim, claramente.
Eu lembro-me que também não tinha idade para acompanhar o percurso todo. Ia brincando e voltava e elas continuavam a correr.
Mas foi a primeira maratona olímpica feminina.
Já há 40 anos.
Já há 40 anos. E a Rosa Mota que há pouco ganhou a mini maratona em Macau.
Continua.
Continua Mota.
Exato.