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Ora bem-vindos à segunda parte da Vixi Suave, que é uma Vixi Suave especial porque estamos no Parlamento Europeu em Estrasburgo. Connosco temos o eurodeputado do PSD e porta-voz da delegação, Sebastião Bugalho. Foi também cabeça de lista às europeias e recentemente integrou a comissão política de uma candidatura presidencial, que era apoiada pelo seu partido, o PSD, de Luís Marques Mendes. Começamos pelas presidenciais, porque é um assunto de atualidade, apesar de estarmos aqui na Europa. Luís Marques Mendes não quis para já declarar o apoio ao voto em nenhum candidato à segunda volta. O Sebastião Bugalho já decidiu em quem é que vai votar.
Boa tarde a todos, muito obrigado pelo generoso convite. É uma primeira pergunta ao Observador, é logo a matar. Tudo bem. Reparem que eu vim mesmo direto da noite eleitoral para Estrasburgo e ainda não tive ocasião de falar sequer com o Luís Marques Mendes, nem achei que seria muito respeitoso estar a maçá-lo em dias que são, obviamente, de descanso. E não tenciono pronunciar-me nem antes dele, nem sem falar com ele, por uma questão de respeito. Eu estive o tempo todo durante a campanha eleitoral ao lado dele. Portanto, por uma questão de respeito, não tenciono fazê-lo hoje. Vocês não me levem a mal, desculpem desiludir-vos alguma expectativa, mas de momento não o vou fazer. E, por outro lado, também não me parece que as poucas pessoas que têm a generosidade de me seguir compreendessem que depois de meses e semanas muito intensas a defender o voto em Luís Marques Mendes, que de repente, instintivamente, eu materializasse o meu apoio noutra candidatura.
Por isso é que nós distinguimos o apoio do voto. Uma decisão pessoal. Parece-me que o apoio não seria, uma vez que esteve tão envolvido nessa candidatura, possível. Mas a minha questão era se perante esta realidade, sem comprometer o partido ou a candidatura, se do ponto de vista pessoal, o voto será num dos dois candidatos.
Eu não vou votar em branco, não, Rui Pedro Antunes. E acho que a maioria dos dirigentes e até militantes e votantes do PSD não irão votar em branco. Não me parece que seja uma eleição onde essa possibilidade seja a mais visada, nem a mais tentadora. Repare, eu não vou ter problema nenhum em tornar público o meu sentido de voto. Já vos disse há pouco, ainda agora vos expliquei que tenho esta condicionante, que tem a ver com o meu enorme respeito pelo candidato que apoiei. E depois também acho que é preciso, ou que é possível, e podemos fazê-lo aqui nesta conversa em análise política, dizer que compreendo e apoio, secundo mesmo a posição do presidente do PSD, ou seja, não tomar uma posição institucional enquanto presidente do partido sobre quem é que apoia para a segunda volta das eleições presidenciais, tendo apoiado na primeira Luís Marques Mendes, como eu também o fiz. Acho que isso merece reflexão e eu julgo que é a posição não só a mais responsável, como até a mais democrática, e podemos falar sobre isso a seguir, se assim entenderem, como nas 72 horas que se seguiram à primeira volta, à noite eleitoral da primeira volta, nós assistimos a algo que me surpreendeu a mim particularmente, que eu o conheço bem, eu tenho estima por ele, a alguma precipitação, até irresponsabilidade, para não dizer sofreguidão da parte do líder do Partido Socialista, que tentou partidarizar imediatamente a segunda volta. Na noite eleitoral, José Luís Carneiro anunciou direto a recandidatura-se a líder do PS. Não me parece que isso seja nem a opção mais inteligente.
É um aproveitamento da vitória de António José Seguro na primeira volta.
Não vou fazer considerações sobre isso, mas parece-me evidente que está a partidarizar uma eleição que, um, não é partidária, e dois, se ele de facto tenciona que António José Seguro vença a segunda volta, não o ajuda em nada. Portanto, não me parece que estrategicamente sequer faça sentido. E depois fez outra coisa que ainda me pareceu mais gravosa e mais perigosa mesmo, sem querer exagerar, que foi: ele tentou e está a tentar usar a vitória de António José Seguro, que é uma vitória de António José Seguro, não é uma vitória do José Luís Carneiro e, com todo o respeito, ainda menos uma vitória do PS, que agora de repente se tornou todo segurista, eu acho interessante.
Paulo Rangel.
Mas ele está a tentar atacar o primeiro-ministro através da vitória de António José Seguro, com aquelas afirmações do "que ele fique lá onde está." E ao tentar usar a vitória de António José Seguro para atacar Luís Montenegro, o José Luís Carneiro, de uma forma provavelmente irrefletida, está a transformar qualquer apoio a António José Seguro num ataque ao Luís Montenegro. Portanto, está a afastar os eleitores da AD, de que Seguro depende para ganhar a segunda volta, de Seguro.
É isso que o impede também, desde já, de declarar esse sentido de voto em António José Seguro. Não quer fazer parte dessa fileira que José Luís Carneiro pode considerar que estão a atacar Luís Montenegro.
Eu atacar Luís Montenegro, como deve imaginar, não contam comigo para isso. Depois, também não sou um peixinho no aquário à espera que um socialista me pesque para eu o apoiar. Não me parece que essa seja a postura de António José Seguro, e ainda bem. Mas para responder diretamente à sua pergunta, o que seria as afirmações do secretário-geral do PS condicionarem o meu posicionamento público? Ainda não digo, de momento, em quem vou votar, porque não me parece avisado face ao facto de não ter conversado com o candidato que apoiei na primeira volta. Uma questão de respeito.
António Costa disse hoje que vai votar no mesmo candidato da primeira volta.
Portanto, vai votar em branco?
Ou então não.
Estão a meter consigo isso.
António Costa pode achar que o almirante passou. A pergunta é se é possível que o voto de Sebastião Bugalho seja alinhado com o de António Costa, ou seja, o mesmo que o de António Costa na segunda volta.
Não é impossível, mas eu hoje não vou dizer em quem eu vou votar. E também não pude votar em António Costa quando ele se candidatou ao Conselho Europeu, porque ao contrário do que alguns dos meus adversários nas europeias tentaram fazer entender de forma demagógica, os eurodeputados não votam para o presidente do Conselho Europeu Sim, o meu partido apoiou a candidatura de um ex-primeiro-ministro ao Conselho Europeu. Nestes momentos que estamos a viver enquanto continente, enquanto União, enquanto país, muitas vezes a responsabilidade pode ser coincidente com quem em tempos não foi assim tão responsável.
Tem falado muito do respeito pela posição de Luís Marques Mendes. Partindo do princípio que entende a posição do candidato na noite eleitoral de não endossar ninguém pra segunda volta, acha que até à segunda volta Luís Marques Mendes deve dizer em quem é que vai votar? Ou Miguel. Não seja propriamente canalizar os votos.
Eu não quero mesmo ser enfadonho e se a entrevista terminar e vocês decidirem que ela não tem relevância editorial, eu não me importo nada, amigos como dantes.
O Sebastião já sugeriu aqui que votava em António José Seguro.
Não sugeri. Não sugeri mesmo. Mas eu não vou fazer qualquer tipo de consideração, nem sobre o posicionamento do Luís Marques Mendes, nem sobre o que seria o posicionamento que ele deveria ter, porque ainda não conversei com ele e tenho um enorme respeito, eu apoiei-o por convicção. Portanto, pra mim a posição dele é sagrada e respeitarei sempre. Obviamente que se ele decidir pronunciar-se, eu estarei ao lado dele nessa pronúncia. Acho que fui claro.
Sobre esta campanha eleitoral, Luís Marques Mendes chegou a aparecer a liderar as sondagens no último trimestre de 2025. O que é que correu mal? A responsabilidade foi do candidato ou foi do partido que falhou Luís Marques Mendes?
Uma coisa é certa, eu não tive nenhum problema em dizer na noite eleitoral, a responsabilidade também foi minha, que estive lá com ele todos os dias. A minha quota-parte de responsabilidade, assumo-a. Agora, mais uma vez, vocês não me levem mal, não vou aproveitar a derrota do homem em quem acreditei e acredito, pra vir aqui e disseca-la dias depois, não seria correto. Acho que podemos dizer uma coisa que acho que é justa, que é: nunca tinha acontecido um partido, num ciclo inteiro, presidir às lideranças institucionais da democracia portuguesa. Isto é, se o PSD tivesse ganho as presidenciais, coisa que não vai acontecer, nós não estamos presentes na segunda volta, o nosso eleitorado pulverizou-se e privou-se de estar presente na segunda volta, isto é, privou-se de ir à decisão de quem vai ser a chefia do Estado, quem vai dizer quem é a chefia do Estado. Mas se nós tivéssemos conseguido isso, teria sido a primeira vez na história da democracia que um só partido presidia a todas as lideranças institucionais da República. Era uma liderança que quebrava esse precedente e naturalmente que era muito difícil de vencer esse precedente. Eu acho que isso poderá não ter ajudado e obviamente, como o Luís Marques Mendes disse na noite eleitoral, nós respeitamos essa decisão do povo português, como é evidente, parece-me que é claro.
Marcelo Rebelo de Sousa disse hoje num discurso comemorativo dos 40 anos da adesão de Portugal e Espanha, que não há portugueses puros. O presidente estava a criticar o Chega e esta é uma forma também de mostrar pra onde é que se vai inclinar na segunda volta.
Eu julgo que as afirmações que o atual presidente da República disse recentemente, que é aquilo que aconteceu na primeira acontecerá na segunda, foi algo assim do gênero, já indiciavam, através da sua vida de analista político, que está convencido que António José Seguro vai ganhar as presidenciais, mas é só a opinião dele. Eu respeito muito como analista político.
Que ele vai ganhar e parece que é pra aí que vai o Presidente da República, leu com isto como uma crítica a André Ventura?
Como uma crítica, não. E não quero estar aqui a procurar nas entrelinhas de Marcelo Rebelo de Sousa, isso é mais a sua especialidade, Rui, que faz uns textos sobre a Marcelologia muito interessantes, eu não tenho essa habilidade, mas posso lhe dizer uma coisa, eu conheço bem o Presidente da República e tenho a certeza que ele votará no candidato presidencial que defenda a Constituição, que defenda as instituições da República, que defenda direitos, liberdades e garantias. Não me passa pela cabeça que um social-democrata e um social-cristão, como é o Presidente da República, fosse votar em alguém que não se revêsse nesses princípios. Conhecendo, parece-me muito evidente.
Já trocou mensagens com algum dos candidatos que passaram à segunda volta ou alguma espécie de contato?
Com André Ventura ou com António José Seguro?
Sim.
Desde que eles passaram à segunda volta? Não.
Isso significa que antes pode ter trocado, é isso?
Eu tenho uma relação, como sabe e nunca eu escondi, de estima pessoal e distanciamento político de André Ventura e de estima cívica por António José Seguro.
O PSD pode ficar em silêncio nestas três semanas ao ouvir André Ventura dizer que é o líder da direita?
Em silêncio não estaremos. O governo não está morto, está bastante vivo e recomenda-se. Repare, essa é a questão que eu gostava mesmo de vos transmitir com a maior clareza possível, porque acho que é importante e tenho a impressão que ainda ninguém a disse, apesar de estar aqui em volta os trabalhos parlamentares em Estrasburgo, que não quero ser injusto com ninguém. Mas reparem, por que eu digo que a posição do PSD é a mais responsável e a mais democrática? Vamos pensar na opção inversa àquilo que toda a gente diz que nós devíamos estar a fazer, que era declarar apoio a António José Seguro em massa. O partido ter uma posição oficial, de endosso à candidatura Seguro pra segunda volta. Isso seria o sonho do André Ventura. É a mesma razão pela qual nós não anunciamos um parceiro preferencial pras negociações com o orçamento a seguir às últimas legislativas. Se de repente o PSD e o PS se juntassem institucionalmente pra apoiar um candidato a presidente da República contra o candidato do Chega, André Ventura poderia fazer campanha contra os mesmos de sempre, contra aqueles que são sempre os mesmos, contra aqueles que são todos iguais, contra o bloco central. Isso, obviamente, seria uma onda eleitoral que ele iria adorar surfar. Nós não lhe podemos oferecer essa onda. Isso seria fazer um favor a André Ventura.
Noutros tempos, noutro contexto, em que não houvesse um contexto político em que existe um partido como o Chega, seria mais fácil e mais natural esse apoio, como aconteceu noutras circunstâncias, por exemplo, a Maria Suave, que está feita desde logo na recandidatura desde o início.
Mas são figuras diferentes. E os opositores também eram diferentes. O PSD não fez nenhuma equivalência moral entre as duas candidaturas. O PSD só reconheceu, os eleitores portugueses não escolheram o nosso candidato.
Quer dizer que a equivalência moral não existe Na opinião do Sebastião Galrão.
Como é evidente que essa equivalência moral não existe. Sem querer estar aqui a puxar o lustro ao meu próprio fato, a seguir às eleições legislativas, dei a minha posição pessoal, sem querer vincular ninguém, em que não me passava pela cabeça que houvesse uma revisão constitucional feita entre o PSD e o Chega. É a minha posição pessoal, não quis vincular mais ninguém. Portanto, obviamente, não há equivalência moral nem histórica.
O Sebastião Galrão não vai votar em branco. Suponho que também não vai desperdiçar o voto votando em nulo. Também percebo das suas palavras que nunca votará no líder do Chega. Parece-me bastante claro em quem é que vai votar na segunda volta.
Mas isso é a veia analítica do Rui Pedro Antunes. Está à vontade para fazer as suas análises, mas eu não disse isso. Mas deixe-me dizer uma coisa, sem querer estar também a fugir àquilo que está a dizer. A mim parece-me claro que um eleitor do PSD, um eleitor da AD, não quer instabilidade, não quer a tentação constante de convocar eleições ou dissolver a Assembleia da República. A mim parece-me ainda mais claro que numas eleições em que toda a gente enchia a boca com o nome do Francisco Sá Carneiro, que aqueles que conhecem o legado do Francisco Sá Carneiro sabem uma coisa: é que a grande batalha dele foi contra a presidencialização do regime, foi contra uma presidência que pudesse mandar no Parlamento, nos partidos, no país. Portanto, parece-me claro que essa opção não é próxima nem dos princípios, nem da conveniência política de quem se revê na Aliança Democrática.
O facto de Luís Marques Mendes ter ficado fora da segunda volta e do PSD não ter ninguém da sua área política numa segunda volta das presidenciais significa que vêm tempos difíceis para o governo de Luís Montenegro. Vai ser preciso acelerar o calendário ou dar um novo ímpeto ao governo.
Repare, nós há três meses tivemos o melhor resultado autárquico de sempre estando no governo. Há 40 anos que o PSD não ganhava umas eleições autárquicas estando no governo. Temos um resultado autárquico, estando no poder, que não tinha precedentes em 40 anos. Três meses depois, tivemos o pior resultado nacional de sempre com candidato apoiado pelo PSD. Isto mostra várias coisas. A primeira coisa que mostra é que o sistema político está muito acelerado e muito volátil. Ou seja, nós não podemos dar nada por garantido. E eu acho que nós percebemos isso. O PSD percebe isso, o governo percebe isso, o primeiro-ministro percebe isso e sabe isso perfeitamente. Outra coisa que esse resultado também mostrou, e acho que é importante dizê-lo, é a importância federadora de Luís Montenegro no espaço político da AD. Ele ganhou essa importância. Os resultados eleitorais dele quando disputou eleições em condições particularmente adversas e nas próprias autárquicas mostram que ele é uma figura federadora do nosso espaço político.
E acrescenta à AD em termos eleitorais.
Não, para mim não há dúvidas sobre isso. E depois também gostava de desdramatizar com factos. O Miguel perguntou-me se vêm aí tempos difíceis. É verdade que estar três semanas sem estar no centro do debate político quando nós estamos no centro da governação é um pouco paradoxal. Não escondo isso. Quer dizer, em 91, Cavaco Silva não apoiou nenhum candidato presidencial e 10 meses depois teve maioria absoluta, a maior maioria absoluta de sempre. Quando apoiou Mário Soares em janeiro de 91, ou melhor, não teve candidato, mas uma figura do PSD apoiou Mário Soares. O PSD não esteve presente na disputa entre Soares e Basílio Horta, como sabem, e 10 meses depois, Aníbal Cavaco Silva, não tendo estado presente na disputa presidencial, teve a maior maioria absoluta de sempre. Em 2021, António Costa também não apoiou ninguém explicitamente e teve maioria absoluta um ano depois, em 2022. Portanto, esta ideia de que as três semanas de presidenciais, que são complexas politicamente, se traduzirão numa hecatombe política para quem está no governo parece-me exagerada ou mal-intencionada. Eu percebo que há muita gente desapontada porque meteram as fichas todas numa crise política oriunda do Ministério Público. Não aconteceu. Depois puseram as fichas todas numa crise política oriunda das presidenciais. Não vai acontecer. Eu interrogo-me a frustração constante com que eles devem viver.
Não pressiona uma remodelação, o resultado das presidenciais?
Luís Montenegro não é pressionável por nada.
E não está a insistir demasiado na manutenção da ministra da Saúde?
O Luís Montenegro não é pressionável por nada.
Até em prejuízo próprio?
Eu sou amigo pessoal da ministra da Saúde, jamais faria comentários políticos que não fossem justos para com ela.
Deixe-me só puxar uma coisa atrás que disse que o Luís Montenegro é a figura federadora, agregadora da direita ou da AD. É que o nome de Pedro Passos Coelho vai sempre ecoando e destas presidenciais também ecoou. Acha que Luís Montenegro já substituiu Passos Coelho nessa federação das direitas?
Eu acho que quando as figuras políticas têm dimensão, não são substituíveis. O Luís Montenegro e o Pedro Passos Coelho são figuras políticas muito diferentes. Portanto, eu não usaria o termo substituição. Usaria o termo sucessão. Luís Montenegro foi o primeiro primeiro-ministro do PSD depois de Passos Coelho, portanto cronologicamente é o seu sucessor. E neste momento é a figura política mais federadora do espaço político da AD. Ele é o líder da AD. Depois também tenho que lhe dizer que, obviamente, tendo o maior respeito e até grande apreciação pelo doutor Pedro Passos Coelho, naturalmente que as pessoas que têm um legado, e ele tem um legado, um legado de peso, exemplar para nós, que veem o seu nome ecoar cada vez que há um ato eleitoral, a sua posição interessa-nos, aquilo que ele pensa sobre o país interessa-nos, aquilo que ele pensa sobre os candidatos interessa-nos. Claro que sim. Mas ao que me foi dado a entender e aquilo que li, ele não tinha qualquer interesse na disputa presidencial.
O eleitor da AD que naturalmente fica inclinado a votar em Seguro, também Pedro Passos Coelho estaria incluído?
Teria que perguntar, mas se alguém que escolheu o silêncio na primeira volta e já anunciou que vai manter o silêncio na segunda volta, é alguém que provavelmente ou não se revê em nenhum dos dois ou não quer revelar qual dos dois prefere, mas eu respeito muito o silêncio do Pedro Passos Coelho.
O António Costa Pinto vê o Pedro Passos Coelho como um dos vencedores destas eleições presidenciais, não é?
Não, porque um ex-líder do PSD nunca ganha quando o PSD perde.
Mas não era uma eleição partidária, como o Sebastião disse.
Sim, mas obviamente tem um significado político o candidato apoiado pelo PSD não ir à segunda volta. Eu não fujo das minhas responsabilidades nessa derrota. Também não me pareceu que o primeiro-ministro o fizesse, e nenhum de nós, na verdade.
E sobre a ambição ou não ambição presidencial de Pedro Passos Coelho, ele tem outra ambição, ou pelo menos nunca escondeu ter uma outra ambição, que era ter uma espécie de De esforra do governo. Disse que ele era o sucessor, aliás, que Luís Montenegro era sucessor de Passos Coelho. Também pode ser um antecessor, ou seja, Pedro Passos Coelho ainda está nessa corrida para vir a liderar um dia o governo.
Repare, quem dera a muitos partidos de governação ter na reserva alguém com o currículo e o peso de Pedro Passos Coelho. Mas o que é facto é que ele se tem manifestado sempre distante da política ativa e eu acredito na veracidade das suas afirmações.
Não acredita num regresso sebastiânico?
Eu acho que há muitas pessoas que querem acreditar nesse regresso. Eu, como tenho muito respeito por ele, jamais colocarei palavras ou intenções na boca dele.
O sebastianismo fica mais para o Sebastião, é isso?
Rui, por acaso esteve um enorme nevoeiro nestas presidenciais, mas não julgo que tivesse a ver com o meu primeiro nome.
Quando estreou no primeiro dia, precisamente neste edifício, neste Parlamento e nesta instituição, ficámos a falar sobre esse futuro.
Estávamos aqui sentados.
Sobre esse futuro e sobre a hipótese de vir um dia a liderar o governo e se isso era uma ambição. Depois disso, já colocou até uma geração à sua frente. Esse "estou nem aí" ainda não passou nunca mais. Como é que olha para isso?
Rui Pedro, eu vou ser muito sincero consigo, até porque já passou um ano. E eu não sou um protagonista deste ciclo político, estou mais aqui a comentar os resultados do que como protagonista deles, que não sou de todo. Mas quando o Rui me desafiou a dizer a frase "eu nunca quererei ser", eu só não disse a frase por uma razão muito simples: eu achei que a nossa entrevista era boa o suficiente para não precisar desse título, do mesmo modo que acho que esta também é. Eu não tenciono ser líder de nada.
E há, de facto, uma nova-
Mas tenciono, como tenho feito desde que me juntei a este partido, estar presente ativamente em todos os combates: autárquicas, presidenciais, legislativas, como tenho feito. Isso tenciono estar presente.
Independentemente do lugar em que esteja nesses combates.
Julgo que aquilo que é mais importante não é o lugar, aquilo que é mais importante é as convicções. Eu acreditei convictamente na candidatura de Luís Montenegro a primeiro-ministro, ele ganhou. Acreditei convictamente nos 98 autarcas que apoiei, candidatos a câmaras municipais, e acreditei convictamente em Luís Marques Mendes, que infelizmente não passou à segunda volta desta eleição presidencial. Eu movo-me por convicções.
Vamos avançar, estamos a chegar aqui ao fim do nosso tempo, para a fase do carne ou peixe.
Ui!
Vamos ver se o Sebastião fica com fome. Se fosse presidente do PSD, quem é que convidaria para primeiro vice-presidente: Alexandre Poço ou Miguel Morgado?
Eu aceitaria ser primeiro vice-presidente do PSD do Alexandre Poço. É a resposta que tenho para lhe dar.
Não do Miguel Morgado?
Não. Disponível para ajudar, estarei sempre. O que me parece é que é muito mais provável que um seja presidente do que o outro.
Preferia ser ministro num governo de Hugo Soares ou de António Leitão Amaro?
Acho que aceitaria o convite de ambos.
Preferia fazer 15 dias na estrada em campanha ao lado de Pedro Passos Coelho ou de Luís Montenegro?
De Luís Montenegro já fiz e gostei muito. Pedro Passos Coelho acho que também gostaria de fazer. É como te digo, estou disponível para o partido.
Se um dia for primeiro-ministro, preferia ter como Ministro da Economia João Cotrim Figueiredo ou Pedro Siza Vieira?
Pode repetir os nomeados, por favor?
João Cotrim Figueiredo ou Pedro Siza Vieira.
O João Cotrim Figueiredo quer destruir o PSD, portanto dificilmente será convidado para um governo PSD.
Já vimos que preferia Pedro Siza Vieira. Chegamos agora ao fim do nosso programa, em que o desafio a escolher uma sobremesa, uma música. Que música nos traz e o porquê?
A música que eu vos trago é uma música que costumo ouvir naquelas manhãs que me custa mais levantar cedo aqui na sessão de Estrasburgo, onde o ritmo é alucinante e muitas vezes temos que estar aqui às 08h, e é aquela que eu oiço justamente para despertar. É o Alive and Kicking, que é aquilo que eu sei que o governo fará depois destas três semanas presidenciais.
Muito obrigado, sebastião lugar.
Muito obrigado, Rui Pedro e Miguel. Até breve.