Etiquetas autocolantes que identificam marcas de fruta, pacotes de açúcar de todo o mundo, caricas de refrigerantes de diferentes décadas e outras peças cobiçadas levam este sábado a Santa Maria da Feira 80 colecionistas de todo o país.
Com entrada livre aberta ao público em geral, o III Encontro de Colecionadores dessa cidade do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto reunirá os referidos expositores no pavilhão desportivo da Escola Básica Fernando Pessoa, de acordo com a lotação máxima do recinto, no período das 09h00 às 12h30 e das 14h30 às 16h00.
A organização do evento cabe a Vítor Carmo, que descreve a iniciativa como “uma oportunidade para os colecionistas mostrarem o que têm, trocarem peças com colegas que têm coleções do mesmo material e até venderem ou comprarem artigos que nem sempre é fácil encontrar”.
Ele próprio com uma coleção na ordem dos 65.000 pacotes de açúcar, todos guardados em micas com divisórias especiais após remoção quase cirúrgica dos três a oito gramas de conteúdo que enchem cada saquinho, Vítor Carmo admite que o encontro faz perceber melhor o espírito obstinado e incansável de quem dedica o seu tempo livre a reunir diferentes exemplares de itens cujo conjunto pode nunca ficar completo.
“É uma loucura”, confessa, bem-disposto. “Durante uns meses ainda me controlo e não compro nada, mas depois chego a um evento destes e, como encontro lá coisas que não consigo arranjar na minha região, se calhar gasto ali umas maçarocas boas, tipo 30 euros de uma vez só em 30 pacotitos de açúcar”, explica.
Para o encontro de sábado, Vítor Carmo preparou, aliás, três edições privadas dos saquinhos que acompanham a generalidade dos cafés, como brinde para os participantes do evento: 10 pacotes de açúcar são ilustrados com imagens do festival de artes de rua Imaginarius, outros 10 com fotos da Festa das Fogaceiras e outros tantos com figuras do Grupo de Cantares Regionais do Orfeão da Feira.
“São logo 30 pacotes que não se encontram em mais lado nenhum e 10 deles só vão ser entregues ao almoço, portanto, quem não vier comer connosco no sábado, nem sequer terá direito a eles”, avisa.
O organizador do encontro realça, contudo, que haverá muito mais para ver, comprar e trocar no sábado, pelo que no local se poderão apreciar também coleções de moedas, selos, pins, esferográficas, isqueiros, porta-chaves e postais ilustrados. Objetos menos habituais também lá estarão, como rótulos de garrafas – cuja remoção dos recipientes “é outro filme”, por também implicar procedimentos muito minuciosos – e até tampas de champanhe – que são “aquelas partes de alumínio mesmo no topo da rolha de cortiça”.
[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]
Calendários de bolso deixaram de ser um brinde publicitário tão comum como eram na década de 90, mas Vítor Carmo garante que “ainda há muitos a serem impressos todos os anos”, pelo que alguns colecionadores continuam a agrupá-los em conjuntos temáticos como automobilismo, cinema, política e marcas publicitárias.
“E claro que ainda há os cromos”, garante o diretor do evento, antecipando grandes trocas a esse nível na sequência do Mundial de Futebol, que decorreu em junho e julho deste ano. Uma das peças que se lembra de ter visto atingir valores mais altos até foi um autocolante especial exibindo o futebolista Cristiano Ronaldo sobre fundo dourado – item raro vendido a preços na ordem dos 100 euros.
Quando lhe perguntam se esse cromo terá ficado desvalorizado após o que aconteceu no final de setembro, quando o jogador em causa abandonou abruptamente o estágio da Seleção Nacional, Vítor Carmo dá uma gargalhada e não hesita: “Agora a peça vale é muito mais, porque o próprio Cristiano Ronaldo passou a ser um cromo”.