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Olá, bem-vindos à Vixi Suave, a arena dos debates das presidenciais está ao rubro entre as faenas políticas, lá vão existindo farpas mais ou menos violentas. Por regra, aquele que se mostra menos inteligente leva com a corneta. Há quatro ou cinco grandes que querem um lugar ao sol e os outros três que tentam sair da sombra. Nós, tal igual os portugueses, continuamos a assistir de camarote.

Então sabe o que é esta gente que está aqui ilegal? Devia ir para sua casa, porque é lá que devia pô-los todos, porque foi você que permitiu que isto se tornasse no país de bandalheira que se tornou.

Que é racista, porque nós defendemos quem constrói este país.

Entre nós, quem ama Portugal sou eu. Portanto, olhe, fique lá com isto e pode juntar aí à sua casa quando quiser.

Que é racista.

Eu estou preocupadíssimo com aquilo que li hoje.

António José Seguro privilegia mais as proclamações de caráter genérico. Ninguém até hoje deu uma explicação cabal e definitiva.

Meu nome é Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, e tenho comigo o coordenador de política da Rádio Observador, Miguel Viteiro Dias, e as jornalistas da seção de política, Mariana Lima Cunha e Rita Tavares. Vai começar a Vixi Suave. Ora bem, quase que parecia eu um refugiado político, um exilado político dos tempos do passismo, Fernando Tordo. Com tantas referências, era para ti, Miguel. Com tantas referências tauromáquicas, quase parecia aquele senhor que saiu desse regime troiquista de Passos Coelho e que fugiu para o Brasil.

Já vi corridas mais calmas do que alguns debates presidenciais, devo confessar.

Muito bem. Acho que é sempre um perigo essas comparações, tendo em conta enfim...

Para não sermos cancelados.

Toda a imagética. Exatamente. Ia começar por uma sopa independente. Olha, Miguel, vou começar por ti.

Obrigado, até porque eu pratico a independência das ações.

Acho que és a pessoa menos independente que eu conheço, mas teria que olhares de forma independente para os vários debates, que estão quase a atingir o meio, a metade.

Ainda? Só o meio?

Sim.

Miguel a falar por todos os jornalistas deste país.

Não, eu acho que nós-

A democracia tem custos, Miguel.

Na anterior Vixi Suave ainda tínhamos tido o privilégio de assistir ao frente a frente entre André Ventura e Catarina Martins, que estabelece um marco nos debates televisivos pós-modernos. Enfim, eu sei que não sou propriamente a pessoa mais experiente do mundo, mas acho que nunca tinha visto um debate com aquele grau de loucura e de linguagem que foi utilizada. Tivemos aquele num extremo e depois, por contraponto com os restantes que têm estado ali num nível médio-baixo, em que não há propriamente grandes surpresas. Mesmo Henrique Gouvaia e Melo, que foi muito criticado na fase inicial dos debates e que pelo caminho já tem conseguido vencer alguns naquilo que é a avaliação mais quantitativa dos debates, já tem conseguido vencer alguns, mas ainda assim sem grandes destaques, porque o nível não tem sido propriamente elevado. Há sempre uma grande expectativa à volta dos debates de André Ventura, mas acho que entre os restantes candidatos, a tentativa de mostrar precisamente que não exageram por contraponto a André Ventura tem tornado tudo numa espécie de concordância amigável, que também não é muito positiva na definição dos indecisos.

Eu gostei muito, porque aconteceu ao Gouvaia e Melo aquela expressão portuguesa que é: "Vai chatear o Camões." E ele teve que afastar o mandatário Afonso Camões da candidatura dele, e depois acho que até ninguém falou disso no debate que teve. Rita, sopa independente. A Rita é a pessoa mais independente desta sessão. E portanto, queria te perguntar.

Agora para recuperarmos o debate, devíamos começar todos a gritar que nós é que somos independentes.

Surpreendeu Gouvaia e Melo nos debates até agora? Porque era a grande dúvida.

Surpreendeu-me muito. Vamos lá ver. É uma figura que apesar de ser inexperiente na política, estava a preparar-se para isto já há algum tempo. Ele próprio admitiu que já estava a pensar há algum tempo. E não deixa de ser surpreendente a falta de preparação para o combate que tem revelado. Porque uma coisa é até poder ter estudado dossiês e saber o que dizer, outra coisa é no confronto, ele ter jogo de cintura. E eu acho que este candidato específico não tem esse jogo de cintura, talvez até pela formação militar que tem, seja menos flexível do que aqueles candidatos que estão mais habituados a esta piscina. Gouvaia e Melo tem mostrado essa dificuldade nos debates e nos confrontos que tem tido, mas acho que o confronto mais Eu não vou dizer decisivo, julgo que os debates podem ser muito importantes e até decisivos pra algumas pessoas, mas não sei se será decisivo pra Gouveia e Melo esse confronto, mas vai ser um confronto importante, que é o confronto com o André Ventura. Pelo espaço que ambos disputam do candidato antissistema, do independente dos independentes. André Ventura é de um partido, mas estranhamente, também reclama esse posto. E acho que isso vai ser muito interessante de ver, até porque os últimos dias e todas estas questões com José Sócrates a pairar sobre a campanha de Gouveia e Melo, ele queira quer não, isto está a acontecer, seja porque o apoiou e ninguém tem culpa de quem o apoia. Mas depois, também este episódio que estavas aqui a referir, do mandatário distrital de Castelo Branco, que se afastou e que era um elemento muito próximo de José Sócrates. Tudo isso é lenha que André Ventura quer pra um debate onde vai confrontar aquele que é o seu opositor na luta antissistema e onde estão a disputar espaço. E acho que se o debate com o Catroga Martins foi tenso por umas razões, com o almirante, o debate André Ventura e Henrique Gouveia e Melo vai ser ainda mais tenso. Não sei se chegará aos mesmos excessos de linguagem, espera-se que não, mas acho que vai ser um debate interessante de assistir. Depois, achei também interessante ouvir o debate desta quarta-feira entre António José Seguro e Luís Marques Mendes, não vou dizer que é a liga dos últimos, porque também pode não ser. As sondagens dão pra tudo. Mas é a liga dos últimos no sistema em que nós estávamos habituados aqui a lidar no país, que era o bipartidário, com o PS e o PSD a disputarem espaço e, portanto, naturalmente, os candidatos apoiados por cada um, também a disputarem os primeiros lugares, e não é isso que está a acontecer. E desse ponto de vista, foi um debate que parecia uma coisa quase como a aristocracia falida, estarmos a assistir a ela acontecer ali à nossa frente.

A ver os castiçais a começar a sair da sala.

Exato. E nós estávamos ali a assistir a uma coisa cavalheiresca, sim, senhor, mas com algumas picardias nas entrelinhas que tiveram a sua graça, e que não subiram de tom, porque eu acho que os dois precisam demonstrar que ser do sistema não é mau, que não é um problema nenhum e que se debate com mais propriedade e se calhar maior eficácia, dentro dessas regras do antigo sistema, do que propriamente em novos quadros que as pessoas ainda não sabem utilizar os talheres.

O centro não gosta muito.

Calma, não é literal. É na senda da aristocracia.

Não estás a falar da Messi, certamente.

Não, por favor, não.

Eu queria só dizer-

Não se cancela a Rita.

Há pouco esqueci-me que era aí que eu queria chegar no Afonso Camões e agora lembrei. O Miguel queixava-se que tem muitos debates, e as pessoas também ficam ali em canal aberto à espera dos programas seguintes. Mas Henrique Coveia Melo prepara tão bem a sua candidatura, que este caso do Afonso Camões é em toda a linha, porque, em primeiro lugar, Afonso Camões foi apanhado nas conversas com José Sócrates a dizer que era um joker. O que dá a seguir aos debates na RTT? O joker. Depois era uma história, porque a gente estava meio escondida, ninguém conseguia, portanto, era uma história secreta. O que é que dá a seguir ao debate na TVI? Secret Story. O que é que isto perturba mais? O que isto é que perturba mais? Ora, isto é uma novela que dificulta a vitória, que é o que dá a seguir ao debate da Secret. É em toda a linha a preparação, é impressionante.

É este tipo de coisas que faz com que a BGT faça um programa especial, que é preciso ouvirem, porque nunca vão ter uma reflexão como esta em nenhum programa da concorrência.

E aqui a promover os canais todos em sinal aberto.

Sim, nenhum programa de comentário político chegava a isto.

Muito bem. Mariana, subintendente.

Estou sem palavras.

Que balança é que tens feito dos debates?

Olha, em primeiro lugar, eu ia-

Olha, não tenho visto.

Tenho mais o que fazer. Não, tenho visto, até por defeito profissional.

Por feitio, profissional.

Por feitio, não é defeito, é feitio. Uma das primeiras coisas que me ocorreu, por exemplo, ontem, ao ver o debate quarta-feira, no debate entre António José Seguro e Luís Marques Mendes, é um meme que costuma aparecer muito no Instagram. Normalmente, é sobre os Estados Unidos, mas nós daqui a pouco pra lá caminhamos pra esse nível de polarização. É um meme que diz: "Make politics boring again." Mas como uma coisa boa. É o mesmo que aparece quando o Trump fez mais uma-

Agora pensei que ias falar da Rita Pereira.

Não. Ia dizer que quando o Trump e os Estados Unidos têm originalidades cada vez maiores, lá está, estamos a assistir a uma espécie de reality show na política. E cá em Portugal, às vezes, o Parlamento já parece um bocadinho isso também. E aquele apelo era um apelo genuíno. Havia um tempo em que não havia discussões tão acesas e tanto TikTok sobre política, etc., como há agora, porque a política era uma coisa relativamente aborrecida. E foi um bocadinho isso que eu senti ao ver o sistema a debater, que era um debate bastante civilizado, se calhar um bocadinho insosso também se quisermos falar em termos de sopa, mas entre candidatos que, lá está, estavam a tentar mostrar que Luís Marques Mendes mais pelo lado de eu sou pró-ativo, isso também é preciso no sentido em que quem estiver de facto revoltado com o tal sistema precisa de ver algum tipo de iniciativa e algum tipo de ação pra querer mudar o O tal sistema. Não sei realmente se para essas pessoas, para quem vota com algum ressentimento e alguma revolta, funciona estar a ouvir falar de mais pactos de regime ou de mudanças no Conselho de Estado como mudanças de fundo que se vão trazer. Mas acho que há, de facto, às vezes alguma qualidade e alguma vantagem em tornar a política um pouco mais aborrecida outra vez, no bom sentido. Ia falar também de Gouveia e Melo, porque como tu dizias, é a maior surpresa, no sentido que nós não o tínhamos visto em ação. E eu sinto que nós estamos a assistir enquanto Gouveia e Melo vai aprendendo a debater. Vimo-lo sem, como dizia a Rita, margem de cintura para isso. Sinto que quando estamos a ver, por exemplo, no debate entre ele e António Filipe, ele estudou aquele manual de ataques um ano antes sobre o PCP.

Era a contracartilha?

É. Ok, então vá, fala-se de Cuba, da Ucrânia.

Foi o bingo.

A ditadura do proletariado, esta não dava para esperar.

Os temas ajudaram, não é? Dificultaram a vida a António Filipe.

Facilita muito quando num debate contra o PCP se começa pela Ucrânia. Aliás, acho que é por isso que António Filipe começa tão frustrado a dizer várias vezes, a perguntar se não se vai falar de temas nacionais e depois assim que pode, puxa pela labró, porque ele tinha ali uma série de ataques preparados para chamar Gouveia e Melo, e acho que isso é a crítica que se vai fazendo, se calhar, mais ao almirante, de ser o candidato das banalidades, de dizer o que for preciso no momento, porque não se lhe conhece grande ideologia. Ele também não tem feito propriamente um esforço para se definir muito nesse sentido. E parece um pouco que vai dependendo do tipo de eleitorado que quer pescar. Aliás, António Filipe dizia que ele vai tentando, quando vê que há desiludidos do PSD, porque não queriam Marcos Mendes ou do PS, não queriam António José Seguro, vai tentando ir ali a várias áreas e talvez também consoante as sondagens, não sei. Mas enfim, Gouveia e Melo parece que está agora a ler o manual, não vou dizer de debater com o PCP para totós, mas no caso até funcionou, porque lá está, como a Rita dizia, os temas não favoreciam o PCP, mas estamos a ver Gouveia e Melo, basicamente, acho que a aprender a debater em tempo real e portanto tem sido uma originalidade destes debates.

Em suma, e só para aproveitar também para fazer aqui uma homenagem à Constança Cunha e Sá, que nos deixou esta semana. Resumindo tudo aquilo que nós andámos aqui a dizer estes minutos sobre os debates: olha, coitados.

Eu só por falar em originalidades, Mariana, alguém que diga ao Ventura, por favor, que já ninguém pode ouvir que o Melhoral não faz bem, nem faz mal.

É que já não se pode. Eu que diga Pai Natal. Também rima. Olha, como a Pai Natal, nem faz bem, nem faz mal. Acredita quem quiser. Ou então é como os jovens no Bloco de Esquerda até determinado momento. Até uma certa idade acreditaram e depois cresceram. É um pouco como a Pai Natal. Não faz bem, nem faz mal. E olha, Miguel, termina assim esta primeira parte. Isto porque o Miguel Viterbo Dias está a fazer...

Sou o polícia do tempo.

Exatamente, é o polícia do tempo. E a seguir vamos ter um capitão, que não é Nicolás Otamendi nem Morten Hjulmand. Fiquem para ouvir quem é esse capitão.