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Olá, bem-vindos à Vixi Suave, numa emissão especial feita a partir do Parlamento, no primeiro dia de discussão do programa do governo. E por ser uma emissão especial, eu só tenho uma sopa. Sopa farta, recordando uma velha piada que a minha mãe fazia sobre a família farta. O teu irmão está farto de ti, tu estás farta da tua mãe, a tua mãe está farta de ti, portanto, uma família farta. E aqui uma sopa farta porque de repente-

Estás farto de nós.

Também, mas porque isto começou agora e toda a gente parece farta uns dos outros. E agora, numa inovação, também por ser especial, Miguel Vitor Dias, começo por ti, eu sei que andas a reclamar isso há imenso tempo, portanto tens algum tempo para explanar todo o teu raciocínio brilhante. O que te parece? Luís Montenegro fez um discurso em que voltou a assumir ou a fazer o desafio a Pedro Nuno Santos, se a viabilizar este programa do governo significa que vai aprovar ou deixar passar o próximo orçamento de Estado. Pareceu-te uma forma de entrar em campo disposto a dialogar com todos, todos, todos?

Um amigo meu diz que sempre que se cita um autor português num discurso devia haver uma multa e sempre que se cita agora essa frase do Papa Francisco, deviam haver duas, porque já não há paciência para essa frase do Papa Francisco. Está a ser abusada.

Muito importante não ser bulha.

Toda a gente agora quer dialogar com todos, todos, todos. Mas parece-me que Luís Montenegro está mais confortável nesta tentativa de tentar conquistar pontos com todos, embora isso na questão da eleição do presidente da Assembleia da República correu-lhe mal, que estava tão confortável, que depois só se deparou com o erro quando ele estava em cima do colo, nomeadamente no que toca à falha na eleição de José Pedro Aguiar Branco. E por isso, ainda que Pedro Nuno possa aparecer com maiores dúvidas no que toca à forma de manter este equilíbrio entre estar obrigado, enquanto líder da oposição, a manter o Estado democrático a funcionar como ele diz, mas depois não ser a muleta do governo, não sei se Montenegro não correrá o risco de novamente bater contra o muro quando chegar a altura decisiva.

Precisamente, Mariana Lima Cunha, depois do que ouviste hoje de Pedro Nuno Santos, depois do próprio Pedro Nuno Santos ter apresentado uma moção de confiança, ou melhor, corrigindo, ter desafiado Luís Montenegro a apresentar uma moção de confiança numa óbvia tentativa de criar uma armadilha ao próprio Luís Montenegro, continua a fazer sentido a tese que vai correndo no PSD de que mais lá à frente os socialistas vão ceder e dar a mão a Luís Montenegro?

Acho que é muito difícil que isso aconteça. A tal armadilha de que tu falavas, eu suponho que nem Pedro Nuno Santos acreditasse que havia ali uma armadilha para colocar, suponho eu, a não ser que Luís Montenegro quisesse acabar a legislatura ainda mais rápido do que se tem previsto que possa acabar. E portanto, acho que aquilo que se tem assistido com o PS neste arranque de legislatura são alguns sinais, de facto, de alguma desorientação que é comentada também dentro do próprio PS, mesmo dentro de pessoas que são próximas de Pedro Nuno Santos. Não estou aqui a dizer que há alguém que diga que Pedro Nuno está a falhar como líder da oposição ou que isto não é para ele, não é isso. Mas acho que há um reconhecimento de vários dirigentes com quem já falei, de pessoas que fazem parte deste ciclo no PS, que reconhecem que Pedro Nuno Santos precisa de algum tempo para se encontrar no papel de líder, de perceber qual é o caminho por que vai, e estes primeiros tempos não têm facilitado em nada que isso aconteça. É muito fácil retratar estes primeiros tempos de Pedro Nuno Santos como muito contraditórios, quando pensamos que ele se tem apresentado como líder da oposição, que está prontíssimo para chumbar orçamentos e que tem tudo contra o programa de governo do PSD e, por outro lado, que tem feito alguns acordos e proposto alguns acordos ao PSD, seja na questão obviamente tática, mas dos professores, das forças de segurança, do presidente da Assembleia da República, etc. E portanto, é fácil retratar o caminho do PS como de algum desnorte, porque também não têm surgido grandes oportunidades para Pedro Nuno Santos exercer a tal oposição da maneira que quer. Isso não significa que o tal chumbo do orçamento tenha ficado mais longe ou que o PSD possa contar com o PS, até porque se há coisa que o PS tem feito é garantir o tempo todo que só está disponível para não ser uma força de bloqueio institucional e quando estão em causa questões institucionais de regime, que acho que foi a expressão que Pedro Nuno Santos hoje utilizou, contem com ele, mais do que isso não. A moção de confiança de facto surgiu como um recurso, um instrumento hoje para tentar mais uma vez financiá-los.

Noto que estás relativamente cética em relação à estratégia de Pedro Nuno Santos. Mas o que é que se esperaria do líder do PSD neste momento?

Estou a dizer que estou um bocadinho cética no sentido em que, primeiro, lá está, que é um sentimento que eu acho que não vem só de nós jornalistas sermos céticos, vem de dentro do próprio PS, e lá está, não estou a dizer que seja ceticismo no sentido de Pedro Nuno estar a fazer bem ou mal. Acho é que está a definir o seu caminho um bocadinho à medida que anda e esta legislatura é muito imprevisível. O Chega colocou logo aquela primeira pedra no caminho com que o próprio PS não contava. Eu vi deputados do PS a dizer que tinham quase por piada previsto que o Chega poderia roer a corda no fim do dia, mas que não acreditavam, de facto, que isso pudesse acontecer. E portanto, acho que o próprio PS está a tentar encontrar. A moção de confiança foi de facto um instrumento que Pedro Nuno Santos decidiu usar a meio do debate para reforçar a sua tal posição como líder da oposição e para não deixar que o PSD o cole constantemente ao rumo desta governação. Agora, isso é um caminho que tem de ser traçado de forma constante, que foi difícil começar neste arranque de legislatura, e acho que o PS, lá está, esta moção de confiança deu mais um sinal de que quer ir por aí. E portanto, é difícil que o PSD ainda possa achar que conta com o PS para ir viabilizando às cegas esta governação.

Inês André Figueiredo, é a tua vez para falares dessa sopa farta, porque André Ventura também Hoje deu mais um sinal de que está farto de ser ignorado por Luís Montenegro, tendo feito declarações nos Passos Perdidos, onde parece ter sugerido que amanhã, sexta-feira, pode ter uma surpresa e apresentar uma moção de rejeição também ao programa de governo. Seria uma novidade no discurso de André Ventura. Correndo o risco de ser desmentida pelos factos, achas que é possível que o Chega faça isso? E mesmo não fazendo, num comentário mais abstrato, que sinais é que retiras deste dia para o resto da legislatura?

Eu diria que sim, é possível, e não, não é possível. Eu vou tentar explicar muito resumidamente.

Isso é um pouquinho contraditório.

Vou tentar explicar.

Estás a confundir os nossos ouvintes.

Bem, eu creio que o que André Ventura fez nos Passos Perdidos foi um número para não perder espaço na tese de que é o Chega que está ou que deve liderar a oposição, e não Pedro Nuno Santos. André Ventura viu o líder do PS a ir fazer uma declaração aos jornalistas, a desafiar o governo a apresentar uma moção de confiança e não quis ficar atrás, digamos assim, mesmo tendo já assumido, tal como Pedro Nuno Santos também tinha feito, que não iria votar a favor destas moções de rejeição ao governo. O que André Ventura fez foi pressionar Luís Montenegro, dizendo que trouxe aqui ao Parlamento, a este debate do programa de governo, uma estratégia de encostar os partidos à parede e de dizer que não podem estar a aprovar um programa de governo e depois retirar o tapete e não deixar que ele seja executado. Disse que Luís Montenegro estava a ser absolutamente irresponsável e que estava até a ter uma atitude suicidária do ponto de vista político. No fundo, André Ventura foi questionado muitas vezes pelos jornalistas que ali estavam se estava a mudar de posição. E aí é onde entra o meu "não acredito que o Chega o faça agora". Pode mudar nas próximas horas, obviamente, mas André Ventura não o disse e normalmente o presidente do Chega não tem muitos problemas em dizer: "É possível que eu venha a apresentar uma moção de rejeição, é possível que venha a mudar de opinião."

Estamos bem escaldados com a votação do presidente da Assembleia da República, não é?

Sim, exatamente, mas o que André Ventura aqui veio dizer foi: "Luís Montenegro tem de parar com este discurso."

Do ponto de vista abstrato, e admitindo que o Partido Socialista vai manter a palavra, Pedro Nuno Santos já disse várias vezes que não viabilizaria um orçamento estado da AD, sobra o voto favorável do Chega, é inevitável. André Ventura, por aquilo que tu viste ao longo deste dia e antes também, estará disposto a dar o apoio à AD sem mais, sem nada em troca?

O que André Ventura foi dizendo ao longo destes últimos tempos foi que deixaria passar este programa de governo através de uma não votação a favor da moção de rejeição e que o resto logo se via, colocando todo o ônus no orçamento do Estado mais pra frente, em outubro. E não colocou sequer a questão de não deixar o governo governar, digamos assim. André Ventura, quando vem dizer, com todas as palavras, que o que interessa é o que vem a seguir e que o orçamento do Estado é que vai demonstrar, porque aí sim, é uma posição política e que o Chega aí pode assumir uma posição política, está também a dizer que quer ser responsável e que quer dar a Luís Montenegro a possibilidade de ser primeiro-ministro e de governar. Até porque, e não nos podemos esquecer disto, apesar de Luís Montenegro ter vindo a afastar a possibilidade de um orçamento retificativo, o Chega está muito esperançoso que esse orçamento retificativo venha, que consiga aprovar as medidas que os dois programas têm em comum, nomeadamente as questões dos polícias, dos professores, que são muito importantes no discurso de André Ventura, e para estar mais disponível para depois poder não contribuir para o orçamento do Estado em outubro.

Marianeli Macunha, Pedro Nuno Santos deu hoje, ou tentou libertar-se da pressão, que também tem sentido, não só dentro do PS, mas também fora, para dar a mão a Luís Montenegro em nome da estabilidade política. Parece que há possibilidades reais, ou seja, antecipas algum cenário em que o Partido Socialista venha a permitir a viabilização de um orçamento do Estado?

Quer dizer, acreditando nas palavras-

Ou podemos já assumir que ou teremos um orçamento por decadésimos ou eleições antecipadas? E ou eleições antecipadas.

Só não quero assumir nada, porque nós também há uns meses não assumiríamos que estávamos aqui com o governo novo tão rapidamente e, portanto, as nossas previsões costumam sair furadas. Devemos ter essa humildade.

Por isso é que eu agora já disse sim e não na mesma pergunta.

Exato. Não, mas tu também estavas a responder sobre o Chega e é normal que haja uma imprevisibilidade ainda maior. Mas no caso do PS, a acreditar nas palavras do núcleo próximo até de Pedro Nuno Santos, eu lembro-me de ver há uns tempos uma entrevista em que Francisco César dizia que no caso de uma pandemia, dava esse exemplo, ou seja, em caso de catástrofe, era possível que o PS viabilizasse um orçamento. Nós sabemos também que em política é possível dizer tudo. É possível dizer que nem Cristo desce da terra se faz uma coisa e depois fazê-la. Mas enfim, a ideia não parece ser essa. E depois o PS e o Chega têm vários dilemas em comum neste momento. O melhor que aconteceu a ambos no sentido de se colocarem como líderes da oposição, ambos de se sentarem sem líder da oposição, foi o discurso com que Luís Montenegro entrou logo na tomada de posse, pelo menos no PS eu acho que isso se festejou porque Ter Luís Montenegro a entrar a pés juntos e dizer que os outros estão obrigados a fazer, faz uma bondice para o PS.

Há teses para todos os gostos, também há a tese conspirativa de que Luís Montenegro fez isto para provocar deliberadamente Pedro Nuno Santos e começar já a preparar a dramatização e a vitimização.

A questão é se isso era bom, se fosse tão rápido também para o PS. Nós temos um PS que acabou de perder eleições, que tem um líder novo, que o próprio PS acha, apesar obviamente de ter sido uma derrota curta, que Pedro Nuno Santos precisa de tempo para se reorganizar, para se afirmar como líder da oposição, para começar a conseguir fazer a oposição real e crítica a este governo. Portanto, se tivermos uns meses em que o governo consiga tomar algumas medidas mais populares e Pedro Nuno Santos não tenha tanto espaço para se afirmar, também não é necessariamente positivo para ele. Necessariamente não, não é positivo num cenário desses que haja eleições e lá se coloca o clássico cenário Cavaco Silva, com os pontos que se podem repetir e os que é improvável que se repitam, incluindo, como se diz sempre, e eu não vou ser original, o facto do Chega não ser o PRD.

Já agora só dizer aqui, porque a Mariana estava a falar da questão do PS e do Chega juntos, uma das coisas que André Ventura diz esta tarde é: "Luís Montenegro, lembre-se que se não houver uma maioria entre PSD e PS ou uma maioria entre PSD e Chega, só sobra o PS e o Chega e ambos estão completamente indisponíveis para o fazer." Por isso o cenário que ele acaba por mostrar no início não é bom.

André Ventura chegou mesmo a dizer, estou a parafrasear, mas se não está interessado, de facto, em governar, resolvemos isto aqui e agora.

Sim, exatamente. E mesmo no debate começa a dizer que isto vai correr mal se as coisas continuarem assim.

Inês, acreditas que André Ventura sairá favorecido de uma eventual crise num momento tão precoce?

Dentro do Chega, considera-se que se fosse necessário, por exemplo, mais umas eleições neste cenário, que o Chega seria favorecido com elas. Mas isto é dentro do Chega, há muitas opiniões que são diferentes. O que se acredita é que o voto de protesto e também o voto de todas as pessoas que foram captadas e com a aproximação ou com a tentativa de aproximação do Chega ao PSD para ir buscar esse eleitorado mais moderado que não tinha no passado, acaba por dar algum alento àquilo que é a direção do Chega ou à forma como André Ventura está.

Eu acho que era preciso uma grande arte discursiva. Tanto Luís Montenegro montar a estratégia da vitimização e dela ser credível com a oposição toda, provavelmente a culpá-lo a ele por não ter conseguido formar as maiorias que precisava.

O mesmo ia acontecer exatamente do outro lado. Vocês tinham a possibilidade de governar e não governaram porque não quiseram.

Sim, e depois do outro lado, teres o Chega a conseguir executar esse discurso, por pôr na prática esse discurso, de dizer que para o seu eleitorado, que já é um pouco anti partidos do sistema ou que está farto dos partidos institucionais que não dão resposta, etc, poder dirigir-se a ele e dizer: "Como viram, fomos desprezados, nós tentámos representar-vos, não nos deixam representar-vos."

Sim, porque aquele discurso desde o primeiro dia do nós temos 1.200.000 pessoas que votaram em nós e agora estão a ser desperdiçados todos estes votos, acaba por colar, pode ou não colar no eleitorado.

Muito bem. A nossa primeira parte da Vício e Suave fica por aqui, mas não saiam daí porque voltamos já de seguida com entrevista a Hugo Soares, líder parlamentar do PSD. Estamos de volta na Vício e Suave especial, gravada a partir da Assembleia da República. Temos conosco Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, o 18º ministro deste governo e bem-vindo, já não é uma estreia na Vício e Suave. Vamos direto ao assunto, temos pouco tempo e vamos logo aos temas que importam. Pedro Nuno Santos desafiou Luís Montenegro a apresentar uma moção de confiança. Ainda não houve uma resposta direta, por isso perguntamos-lhe: o governo vai ou não apresentar uma moção de confiança?

Antes de mais, muito obrigado pelo convite. É um gosto voltar aqui a este espaço e dizer sobre essa matéria o seguinte: quem tem que responder é o governo. Foi o governo que foi desafiado a apresentar uma moção de confiança.

Por isso é que eu o incluí ou descrevi como 18º ministro.

Eu percebi essa provocação. Eu creio sinceramente que quem nos está a ouvir e quem tem acompanhado o debate parlamentar nem percebe o que isso é. Com toda a franqueza, os portugueses que estão a assistir ao debate parlamentar perguntam-se: vai haver uma proposta de lei, uma proposta, porque nem interessa já a parte da proposta de lei, para baixar os impostos. Quanto é que eu vou levar a mais para casa por causa da redução dos impostos? O primeiro-ministro anunciou hoje que vai baixar os impostos sobre as empresas. Será que o meu patrão vai aumentar o meu salário porque vai pagar menos impostos? Será que vêm mais empresas para Portugal porque Portugal tem um regime fiscal mais atrativo? Os jovens ouviram hoje o primeiro-ministro anunciar a isenção do pagamento do imposto de selo e IMT na primeira aquisição. Estão hoje a fazer contas. Será que eu, por não pagar os impostos sobre as transações e o imposto de selo, consigo mais facilmente ou não adquirir a minha primeira habitação, eu que não consigo sair de casa dos meus pais? Não, é que isto é relevante, isto é o que releva para a vida das pessoas.

Mas para que a AD consiga aprovar isso, precisa de uma maioria parlamentar ou pelo menos que ninguém se oponha a essas propostas.

Mas é nessa ocasião que todos estes que eu enunciei e que estão em casa preocupados com as suas vidas, farão o julgamento sobre cada uma das forças políticas partidárias e sobre a avaliação do governo. É isso que está em causa.

Mas uma moção de confiança poderia ser útil para esclarecer de uma vez por todas se esses partidos estão ou não interessados em Pelo menos permitir à AD-

Vamos lá ver. É tão claro que amanhã creio que há anunciadas duas moções de rejeição. Também isso, enfim, mas vamos traduzir isso por miúdos. São dois partidos que propõem ao Parlamento não permitir que o Governo execute o seu programa. Amanhã, todas as forças político-partidárias votarão a possibilidade ou não do Governo iniciar funções com este programa de governo. Como é que pode, entretanto, o Governo ser inibido de continuar a executar o programa de governo? Com a aprovação de uma moção de censura. O que é que isso significa? Significa que no momento em que qualquer força partidária com assento parlamentar entender que o Governo não deve executar o seu programa de governo, deve apresentar uma moção de censura e ela seria ou não aprovada. Coisa diferente é a execução das medidas que são necessárias, que o Governo entende como necessárias, que os partidos entendem como necessárias. Quem governa é o Governo, não é a Assembleia da República. Da Assembleia da República, amanhã, emana o Governo, porque é assim o nosso sistema político. O programa de governo, que amanhã é discutido e hoje na Assembleia da República, pode ou não ser rejeitado pelo Parlamento. Há duas moções de rejeição. Se não for rejeitado, significa que o Parlamento conferiu ao Governo a possibilidade de executar o seu programa de governo. Como é que isso pode acabar? Deixe-me só terminar. Com a aprovação de uma moção de censura. Agora, eu creio sinceramente que todo este pequeno jogo político de composição de maiorias, de composições-

É democracia parlamentar.

É democracia, vamos lá ver. Mas então entendamo-la assim e não façamos dela um caso e falemos dos problemas das vidas das pessoas. Ninguém está preocupado ou espantado com o PT 2030, que já está em execução há um ano, só tem 10,5%... Desculpem, eu não vou falar do que vocês querem, eu quero mesmo falar para as pessoas, não me levem a mal.

Mas insistir nesta ideia de que o PS, ao permitir a viabilização do programa do Governo, está obrigado a viabilizar o orçamento não é esticar a corda de uma forma considerável?

Mas alguém disse isso? Não, desculpa, alguém disse isso?

Montenegro deixa isso no ar.

Não, desculpe, alguém disse isso? Desculpem este mau feitio com que eu tenho andado ultimamente, sobretudo-

Já é um conhecido a vicissitudes, portanto nós estamos habituados.

O espaço político e o espaço mediatizado está, de facto, transformado em coisas que as pessoas não dizem e que depois colocam perguntas sobre aquilo que as pessoas não dizem. Vamos ser mais claros ainda. O que o primeiro-ministro disse no discurso de tomada de posse e hoje reafirmou, aliás, já agora fazendo mais uma vez o paralelismo, não tem nada de arrogante, tem de leal, de lealdade, de verdade. Dizer ao Parlamento o seguinte: "Meus senhores, este é o meu programa de governo. É este programa de governo que eu quero executar. Se alguém entender que eu não devo executar este programa de governo, faça o favor, aprove as moções de rejeição e o governo não inicia sequer as suas funções. Se assim não entenderem, este governo só cai com uma moção de censura". Estamos todos de acordo quanto a isto, do ponto de vista dos princípios constitucionais, certo? Muito bem. Depois, um governo precisa de aprovar instrumentos legislativos na Assembleia da República, seja propostas de lei, como por exemplo, em matéria fiscal, a baixa do IRS sobre a classe média, e vai precisar de aprovar um orçamento. Nessa ocasião, os partidos podem ou não aderir à aprovação do orçamento de Estado. Deve o governo negociar com os partidos a aprovação do orçamento de Estado? Claro, com esta composição parlamentar, não parece ser possível de outra maneira. Alguém acha que o governo vai chegar ao Parlamento e vai dizer assim: "Este é o meu orçamento. Agora os senhores chumem ou aprovem." As coisas não se fazem assim. Eu tenho dito todos os dias, desde que tomei posse como líder parlamentar da bancada que ganhou as eleições, que é minha disposição, minha disponibilidade e minha obrigação negociar com todas as bancadas parlamentares, lei a lei, instrumento legislativo, instrumento legislativo, mas não é só os do governo. Deixe-me lá terminar, não é só os do governo.

Soares também tem de nos deixar fazer perguntas, senão transforma-se num tempo de antena. Acredita genuinamente que o PS vai abster-se na discussão do orçamento de Estado para 2024?

Vamos lá ver. Genuinamente acredito. Eu acho que se pode construir em cima disso.

Se não é uma fezada.

Não, não é uma fezada, vamos lá ver.

Mesmo depois de Pedro Nuno Santos ter dito repetidamente que não.

Eu nunca ouvi dizer que não.

Praticamente.

Estão a ver? Eu tenho o mesmo rigor para as palavras de Luís Montenegro que tenho para Pedro Nuno Santos. Eu não sou faccioso, mas a sério, porque é importante nós sermos claros no discurso. Pedro Nuno Santos deixou sempre uma margem para aprovar o orçamento de Estado. Vamos trabalhar nessa margem. Mas não é só Pedro Nuno Santos, é também o Chega. É outra forma de compor uma maioria que possa aprovar o orçamento de Estado.

E acredita que é possível depois de todas as declarações de André Ventura?

André Ventura alguma vez disse, mais uma vez, vamos ser rigorosos, que não votaria o orçamento de Estado, disse que está aberto a negociar a aprovação do orçamento de Estado. Têm ouvido dizer se não sei o quê for acolhido, se o governo fizer. Muito bem.

Disse que, ao contrário do que aconteceu agora, tem de se sentar à mesa com o Chega pra haver essa possibilidade de aprovar o orçamento de Estado.

Mas então, vamos lá repetir ou recapitular. Eu creio que o português é o mesmo pra todos. Um defeito pode ser meu. Será que quando eu digo: "Eu estou disponível e quero negociar com todas as bancadas." Quando o governo diz o mesmo, não é isso que quer dizer? Que é sentar-se à mesa com as forças partidárias, pode ser à mesa, pode ser em pé se quiser, mas com as forças partidárias e negociar. Estamos abertos a isso, evidentemente.

E acredita genuinamente que isso vai acontecer? Porque uma coisa é o português-

Eu podia voltar a dizer: "Será que é o português que é diferente pra todos?", mas não vou dizer. Claro que acredito, que eu já respondi essa pergunta

Se falhar essa sua crença.

Não é crença, é uma convicção.

Não, foi por isso acreditar. Admite o cenário de governar por duodécimos, isso seria uma coisa possível?

Eu creio que nós estamos a cerca de sete meses da discussão e da aprovação, da apresentação, da discussão e depois da votação do orçamento de estado.

O Rui Negro tem falado várias vezes da moção de censura como a forma de o governo cair.

Porque essa é objetiva, é constitucional.

Sim, esta não seria?

Não é, porque essa depende de duas coisas. Uma, do Presidente da República, do Presidente da República entender que deve dissolver a Assembleia da República ou demitir o governo. E a outra, da própria vontade do primeiro-ministro. Se não tiver um orçamento, pode apresentar. Se o senhor Presidente da República dizer não tenho condições pra continuar a governar. E pode o senhor Presidente da República dizer, mas o senhor vai governar e fala. Enfim, vamos lá ver. Há tanto caminho pra andar, mas sobretudo, há tantas coisas para fazer para os portugueses.

Deixa eu só perguntar se acha que o presidente seria coerente, neste caso, se deixasse o governo continuar a governar depois de ter interrompido um governo do PS?

Não sei, eu não vou comentar, eu não vou antecipar uma coisa que eu nem sei se vai acontecer. Se acontecer, não sei como é que o senhor Presidente da República vai reagir e, portanto, quer dizer, já me está a pedir para comentar um cenário. Já me está a pedir para comentar o cenário em cima do cenário. Quer dizer, é um bocadinho de mais e a minha imaginação não alcança tantos.

Então passando à negociação, a AD disse que queria dar um sinal de que está disposta a negociar com todos.

Isso.

A pergunta é se piscar a linha, 60 medidas de programas eleitorais alheios é uma forma de negociar ou é uma provocação?

Não, nem é uma provocação, nem é uma forma.

Os partidos têm dito isto, não é? Que não é um diálogo a sério.

Vamos começar pelo início. Em primeiro lugar, criou-se uma ideia em Portugal, nova, peregrina, absolutamente extraordinária, que eu nunca tinha visto, que é os governos, quando apresentam o seu programa de governo, devem negociá-lo com os outros partidos. Eu nunca vi isto. Isto tem andado aí no espaço político e eu nunca vi. Já houve vários governos, maioria relativa em Portugal, de um só partido.

Agora é o que só está a jogar com as palavras e com o português. Ninguém diz isso.

Ah não? Então não ouviu os partidos da oposição dizer isso, Miguel? Ouviu. Não ouviu os partidos da oposição? Eu não estou a brincar com o português nenhum.

Se se dá um sinal...

Não, senhor. Eu ouvi os partidos da oposição.

Convém que se ouça primeiro quando se dá o sinal, não é?

Mas que sinal? Os senhores é que estão a dizer que é um sinal.

Então não foi um sinal.

Eu tentei explicar, porque a pergunta é bem colocada. Quer dizer, quem sou eu pra comentar a pergunta, mas a pergunta é bem colocada e permite dizer. Em primeiro lugar, esta ideia peregrina de que o governo deve negociar os programas eleitorais. Não, não faz sentido, isso nunca aconteceu. Mas eu só disse isso porque ouvi os partidos da oposição queixarem-se que não negociaram o programa eleitoral, como se eles fossem aderir ao programa eleitoral e vir aqui hoje dizer bem. O que o governo fez, e a meu ver bem, foi olhar para os programas eleitorais dos restantes partidos, perceber algum conjunto de medidas que fazem sentido adotar e dizer assim: "Eu quero dizer ao país que nós também acolhemos as ideias dos outros." Por quê? Porque nós não temos o monopólio das melhores ideias. Mas fez mais. No dia um da governação, se quiser, no dia da posse como primeiro-ministro, o presidente do PSD, então empossado primeiro-ministro, anunciou ao país como prioridade política número um o combate à corrupção. E disse: "Nós temos as nossas propostas, são várias, estavam no programa eleitoral, mas eu entendo que uma matéria como esta deve colher de todos os partidos as suas propostas." E deu instruções à Ministra da Justiça para, a partir da investidura parlamentar, há de acontecer amanhã, iniciar uma ronda com os partidos com assento parlamentar para construir soluções para combater um dos maiores flagelos da nossa democracia, creio que estamos todos de acordo, que é a corrupção. Isto é que são os sinais. Isto é que é procurar o diálogo. Isto é que é construir pontes.

Mas o exercício que fizeram era vazio no programa quando incluíram medidas como aprofundar o livro de reclamações ou reforçar o meio de...

Está me a dizer que essas medidas eram vazias porque estavam-

Estou a dar um exemplo. Dois exemplos ali.

Veja uma coisa, o que está a dizer é uma coisa até muito desagradável para os outros partidos que tinham essas medidas. E eu não queria ser desagradável pra eles. Quando fomos, quando colocamos, por que que foi buscar essa e não falou da questão da tributação autônoma, que era uma das medidas que o Partido Socialista tinha como substituição à descida do IRC e que nós colocamos no nosso programa?

Porque há mais medidas que a oposição diz que não lhes daria prioridade se tivesse escolhido, não é?

Só que não é a oposição que governa. Pois, só que não é a oposição que governa. Por isso é que é a oposição. Por isso é que não se governa no Parlamento, governa-se do governo. Eu queria mesmo deixar esta ideia clara. Eu fui oposição até agora e, portanto, sei bem qual é o papel da oposição. O papel da oposição é criticar o governo e é sobretudo constituir-se como alternativa de governo. Isto é que é ser oposição, foi isso que nós fizemos, por isso ganhamos as eleições. É ao mesmo tempo que eu critico e discuto as opções do governo, se discordar delas, é dizer, mas a minha alternativa é esta. Eu pergunto mesmo a quem nos está a ouvir. Ouviram hoje uma alternativa do Partido Socialista face ao nosso modelo de governação?

Sabe que ainda vamos tendo alguma memória histórica, era exatamente isso que o governo socialista dizia da oposição social-democrata. Portanto, andamos sempre...

Mas tantas vezes eu tive ocasião no espaço público de manifestar precisamente essa diferença. Olhe, nós estamos a baixar hoje o IRS porque já tínhamos apresentado lá atrás. Fomos nós que já tínhamos apresentado em agosto a descida do IRS na classe média. Nós tínhamos começado um programa para a habitação que estamos agora a recuperar. Nós tínhamos apresentado um conjunto de medidas na área social, designadamente o complemento solidário para idosos com teto de oitocentos e vinte euros como rendimento mínimo para os pensionistas que têm pensões mais baixas. Portanto, eles até podiam dizer isso, mas não correspondia à verdade. É assim, são fatos. Eu não estou aqui pra discutir aquilo que não existe. É assim, quando o Partido Socialista ser assim. Eu acho Que o país não precisa de baixar os impostos sobre a classe média, designadamente o IRS. É uma posição do Partido Socialista, só posso respeitar. E depois pode dizer assim: eu tenho alternativa ou não tenho? Se não tiver, meramente está a dizer que não quer baixar impostos, mas se tiver alternativa, está-se a constituir. Não sei o que é que o Partido Socialista vai fazer, estou a dar um exemplo. É como o IRC. O Partido Socialista entende que Portugal não deve baixar os impostos que as empresas pagam, porque diz que é para as maiores empresas. Já hoje ficou demonstrado, creio que nem vale a pena estarmos aqui a perder tempo, a maior parte do tecido empresarial português vai ser abrangido pela descida do IRC. Além desse efeito, tem também o efeito, como sabem, de criar um fator de competitividade na economia portuguesa para atração de investimento estrangeiro, que estamos a perder, designadamente para as geografias de leste. O Partido Socialista é contra e dizia que do ponto de vista da tributação das empresas, queria era baixar a tributação autónoma ou acabar com a tributação autónoma. Olhe, nós achamos a ideia boa, só que achamos que as duas são complementares, que as duas são possíveis. Vamos fazer as duas. É assim que se constrói a alternativa e a governação.

Deixe-me perguntar-lhe. Luís Montenegro disse que apresentaria um orçamento retificativo se precisasse. Esta parte parece óbvia. Portanto, vamos insistir na pergunta: em que circunstâncias é que admite que o governo venha a precisar de um orçamento retificativo?

Confesso-lhe que apesar da provocação do nosso Miguel ter dito que eu era o decimo oitavo ministro do governo, eu não faço parte, de facto, do governo.

Mas tem canais privilegiados.

Essa é uma matéria que o governo tem que decidir. Não faço mesmo ideia de que circunstância é que o governo pode ou não precisar do orçamento retificativo perante aquilo que são as coisas que existem neste momento. Miguel, se eu não sei qual a razão para que haja uma necessidade de um orçamento retificativo, também não sei se é desejável ou não. Posso fazer um apontamento político sobre isso, que é um apontamento político muito curioso, que é este: tenho ouvido dizer, o secretário-geral do Partido Socialista, que estava disponível para aprovar um orçamento retificativo. O que é um orçamento retificativo? Um orçamento retificativo é um orçamento que vem mudar, que vem retificar, que vem corrigir o orçamento em vigor. De quem é o orçamento em vigor? O orçamento em vigor é do governo do Partido Socialista. Eu acho isto uma confissão de culpa, se quiserem. É no mínimo uma confissão de culpa. É o Partido Socialista a dizer: "O orçamento que nós aprovamos no nosso governo era mau e eu estou disponível para aprovar um orçamento retificativo, para corrigir o nosso mau orçamento." Eu quero-vos dizer que, do ponto de vista político, isto é a maior confissão de culpa que eu já assisti.

Deixe-me já agora fazer-lhe outra provocação relativamente ao orçamento retificativo. Tal como disse, tanto o PS como o próprio Chega já assumiram a possibilidade de aprovarem um orçamento retificativo que tivesse medidas específicas sobre alguns dos pontos que estão em cima da mesa, nomeadamente os professores, os polícias e outros. Atirar essas medidas para um orçamento do Estado só para outubro é obrigar estes partidos a deixarem o governo governar mais uns tempos. Voltando ao início, já que Marcelo Rebelo de Sousa não deixou o governo prosseguir por causa de um chumbo de orçamento.

Percebo o que está a dizer, mas veja, essa pergunta encerra toda ela uma consideração substantiva muito grande, porque o que me está a dizer é assim: as oposições, se for um orçamento retificativo, aprovam. Se for o orçamento de Estado, mesmo que tenha as mesmas coisas?

O orçamento de Estado teria necessariamente mais coisas.

E se o resto também for positivo?

Aí faz as escolhas.

E se o resto também for positivo?

Se o todo não compensar ou não convencer o suficiente, é assim que se forma um sistema.

É verdade.

É que senão isso pode ser uma jogada política atirar isso para essa altura.

Não, jogada política é o contrário. Jogada política é querer que o governo apresente um orçamento retificativo com aquilo que a oposição acha que as pessoas vão gostar e não aprovarem um orçamento de Estado porque acham que isso faz perder ou não a continuidade do governo. Estão com medo de quê, afinal? Então estão com medo de quê? Essa é que é a pergunta, vamos a isso. Estão com medo de quê? Olhem para o orçamento de Estado, vejam se concordam com ele. O orçamento de Estado baixa impostos, o orçamento de Estado resolve os problemas da habitação em Portugal, o orçamento de Estado caminha para recuperar salários e melhores condições de vida para os portugueses nas carreiras da administração pública, por exemplo. Olha para os técnicos de justiça, para os oficiais de justiça, olha para os técnicos de diagnóstico terapêutica, para os enfermeiros, para as forças e serviços de segurança, para os professores, para os auxiliares da ação educativa. Olha? Então se olha, decidam. Se entenderem que não olha, então decidam também. Mas que esperem, porque a jogada é mesmo essa, a jogada é o contrário. A jogada não é do governo. Veja bem, nunca ninguém ouviu o governo sequer falar sobre a conversa do orçamento retificativo desde que o governo ganhou as eleições e teve o resultado que teve.

Praticamente inevitável, creio que eram as palavras de António Leitão Amaro, o ex-ministro da presidência.

Eu não preciso que me cite um ministro do governo, eu próprio disse muitas vezes que era provável que tivéssemos que ter um orçamento retificativo. Agora, as circunstâncias são as que são. Aí, sim, é a festa da democracia, como há bocado o Miguel dizia bem. Vamos esperar.

Acho que não lhe chamei de festa.

Mas se quer, é umas regras da democracia, mas a democracia é uma festa, concorda comigo?

É sim, senhor. Soares, temos que avançar rapidamente para o bloco carne ou peixe. Acho que sabe as regras, só pode escolher uma das duas opções. Venha daí a trilha. Quem preferia levar ao Estádio do Dragão, André Ventura ou Pedro Nuno Santos?

Pedro Nuno Santos é um conhecido portista, o André Ventura é benfiquista. Eu, como estou sempre a querer converter adversários na minha causa, levava André Ventura.

Gostaria de ainda ter a oportunidade de tomar um café com Pedro Passos Coelho na residência oficial de Primeiro-Ministro, sendo ele o inquilino, ou preferia que fosse só em Belém?

Eu tomaria café com Pedro Passos Coelho onde quer que ele esteja e onde quer que ele estivesse.

Da última vez que esteve na Vixi, Soares escolheu não oferecer um bilhete Miguel Poiares Maduro para Bruxelas. É desta que lhe oferece a viagem ou prefere dá-la ao Rui Moreira?

Quem anda a precisar de descanso é a si. Eu ofereço para mim próprio.

A estratégia de Luís Montenegro tem sido muito comparada à de Cavaco Silva. Se, como Cavaco Silva, a Aliança Democrática conseguisse uma maioria absoluta, preferia continuar como líder parlamentar ou passar para ministro?

Se a Aliança Democrática daqui a quatro anos e meio tiver uma vitória eleitoral que lhe confira uma maioria absoluta, serei aquilo que entender. E se eu puder ir descansar, é para onde eu vou.

Luís Soares, não pode ainda ir descansar, mas pode servir-nos de sobremesa uma música. Que música nos traz e por quê?

Eu escolhi uma música de uma grande fadista portuguesa, uma das maiores da nossa contemporaneidade, da Mariza, "A Chuva", porque recordo-me de, a determinada altura, num debate plenário da tribuna da Assembleia da República, ter olhado para António Costa e lhe ter dito, olhado para a bancada do governo, e ter lhe dito que há pessoas que ficam na história da gente e outras de quem nem o nome nos lembraremos ouvido. E desafiei-o a que ficasse na história da gente pelos bons motivos. É uma música que eu adoro, creio que espelha muito daquilo que é também a nossa portugalidade e o nosso sentimento, e o doutor António Costa não ficou na história da gente, porque o país está muito pior.

Luís Soares, muito obrigado por ter vindo a esta Vixi, Soares, mais uma vez. Os nossos ouvintes já sabem, podem ouvir-nos sempre à quinta-feira, à mesma hora, mas também à sexta, ao sábado e nas plataformas habituais. Até já.

São emoções que dão vida à saudade que trago. Aquelas que tive contigo e acabei por perder. Há dias que marcam o amor e a vida da gente. E aquele em que tu me deixaste, não posso esquecer. A chuva molhava-me o rosto gelado e cansado. As ruas que a cidade tinha já eu percorrera. Meu choro de moça perdida gritava à cidade. Que o fogo do amor sob a chuva em instantes morrera. A chuva ouviu e calou meu segredo à cidade. E eis que ela bate no vidro trazendo a saudade. A chuva molhava-me o rosto gelado e cansado. As ruas que a cidade tinha já eu percorrera. Meu choro de moça perdida gritava à cidade. Que o fogo do amor sob a chuva em instantes morrera. A chuva ouviu e calou meu segredo à cidade. E eis que ela bate no vidro trazendo a saudade. E eis que ela bate no vidro trazendo a saudade.