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Olá, bem-vindos à " Vichyssoise". A semana foi turbulenta e ficámos a saber que existiram reuniões secretas entre membros do governo, apresentações feitas por maridos, motoristas não vacinados e voos quase remarcados.

Atenção senhores passageiros, o voo TAP TP208 com origem em Maputo e destino a Lisboa vai ser antecipado por conveniência do governo. Informamos que esta alteração permite que tenham a companhia de Sua Excelência o Presidente da República nesta viagem de quase 11 horas.

"I think this bônus is definitely own to me because I deliver the result in 2022."

Não tem mérito.

Se na altura o senhor ministro ou algum dos senhores secretários de Estado me tivesse dito que preferiam que eu renunciasse, eu teria renunciado, sem contrapartida.

Não tem mérito.

"I'm, you know, in this story, a scapegoat and a political battle."

Não tem mérito.

Anda comigo ver os aviões levantar voo A rasgar as nuvens Rasgar o céu

Continuo a aguardar essa indicação para que se possa proceder à dissolução.

Não tem mérito.

"It was for me a very difficult meeting. Still very painful. I was asked to resign."

Mas que eu levo a América até ti

Não tem mérito. O meu nome é Rui Pedro Antunes. Tenho mérito, sou editor de política do Observador e quem também tem mérito e está comigo é o Diogo Teixeira Pereira, da Rádio Observador, e as jornalistas da secção de política, Inês André Figueiredo e Mariana Lima Cunha.

Não temos nenhuma gaspiadeira.

Não, também estão cheias de mérito. Vai começar a Vichyssoise. A primeira sopa que tenho para vos propor é uma sopa para bebê. Quem é que quer começar?

Sou eu que digo quem é que quer? Então é a Inês.

Uma sopa de bebé. És tu que começas.

Uma sopa de bebé.

Porque não és um bebé.

Por acaso, tudo o que é bebé está fora do IVA de 0%. Por exemplo, se houver tomate, não é tomate baby, nem é cenoura baby. Tudo o que é baby está fora.

Eu acho que eles ainda vão ter que ir ao detalhe, ou não?

Não sei, baby.

Ao detalhe do tomate.

Sopa para bebé.

Ao detalhe da cenoura.

Vamos à sopa para bebé que tem interest.

Alguém que traga alguma dignidade a isto.

Anda lá, Diogo.

Acho que não foi começarmos pelo Diogo, isto escambou.

Isso é sempre um erro, vocês já sabem, mas insistem. Então vamos falar da TAP. Isto foi uma semana muito animada. Já tínhamos saudades destas comissões no Parlamento. Isto faz lembrar os bons velhos tempos das comissões de inquérito ao BES. Mas atenção que nesta comissão, eu não tenho bem presente como é que foram todas as audições da comissão do BES, mas há muito menos amnésia. As pessoas lembram-se, também foi há menos tempo, é normal.

Também agora têm telemóveis para relembrar tudo.

Exato, levam o telemóvel, levam o e-mail.

É verdade.

Há pormenores que temos aqui de ter em conta.

É verdade. Estamos noutro tempo, mas é positivo. Não podemos só fazer comentários negativos.

Deixa-me só dizer-

E se calhar estas senhoras também convém lembrar. Não sei, é que há uma diferença, se calhar, para o resto.

Deixa-me só dizer que a sopa para bebé é a única que podes levar para bordo. Não podes transportar a tua sopa porque é líquido. Mas para bebé, podes levar a sopa numa dimensão em que seja o necessário ou essencial para o bebé. Por isso é que é verificado.

Estás certo.

Ou seja, passa lá no raio-X e naquelas coisas e ninguém implica.

Eu acho que sim.

E deixam passar.

Podemos receber 20 e-mails.

A dizer o contrário.

A dizer o contrário.

Ó senhores da TAP, vamos avisar. Sindicatos da TAP.

Ou então há uma série de pessoas que levam uma mala cheia de sopas para bebé e vão ser barradas no aeroporto.

Nunca confiem em nada que se diz neste programa. É a lição.

E depois têm uma grande despesa.

Até porque a TAP já patrocinou podcasts da concorrência, é melhor não acharem que estamos a dizer mal da TAP por causa disso.

Não, aqui estamos a falar das regras de segurança, que são aplicáveis a todas as companhias aéreas. Vocês lembram-se quando soubemos que Pedro Nuno Santos ia ficar com a pasta das infraestruturas? O que é que nós dissemos? Malandro do Costa que está a dar esta pasta dificílima.

É verdade, era a pasta que queimava.

A pasta que queimava.

E o Costa não teve nada.

E o Costa teve razão, o primeiro-ministro teve razão. E portanto, embora também possa vir a sair chamuscado, pelo menos o governo, o primeiro-ministro António Costa se calhar é mais difícil. Mas embora o governo possa vir a sair mal desta comissão de inquérito à TAP, a verdade é que de facto Pedro Nuno Santos está a sair completamente chamuscado disto e até ver Fernando Medina está a passar pelos pingos da chuva.

Já há um ministro das infraestruturas a seguir que parece que está pior do que Fernando Medina.

É mesmo.

Por isso não sei se é da pasta, mas está a resultar.

O pedronunismo está a ser todo arrasado. Eu estava a pensar noutra palavra que não se pode dizer na rádio, mas está a ser todo arrasado. Nos últimos dias é a habitação, as infraestruturas. Nós estamos no e o vencedor é, mas se tivéssemos nota 20 para António Costa, porque está claramente a conseguir aquilo que queria quando deu esta pasta a Pedro Nuno Santos.

Mariana

Eu estava a recordar há pouco quando esta comissão, aliás, foi viabilizada pelo PS, e na altura o PS tinha um plano, que nas primeiras audições não se cumpriu, mas tinha um plano que achava que ia conseguir virar a comissão toda para o processo de privatização. Lembro-me de haver uma fonte do PS que dizia que essa é que era a semente do mal e portanto a semente do mal estava em passe no PSD e ia conseguir virar o jogo e fazer da comissão uma coisa muito maior. Não sei se era essa a verdade que António Costa dizia que doesse a quem doesse, tinha de se saber, mas com estas primeiras audições, o tiro sai um pouco pela culatra e só vemos no fundo esqueletos a sair do armário.

Quem faz isso é só Mariana Mortágua, que parece estar ali só a querer atacar.

Sim, eu acho que a esquerda à esquerda do PS, na verdade, está a cumprir melhor o propósito que o PS tinha para esta comissão de inquérito do que o próprio PS.

A reunião secreta não resultou?

A reunião secreta não deu nenhuma articulação muito eficaz. E a propósito da reunião secreta, tivemos há pouco um dado novo, que é a justificação de João Galamba, que agora diz que afinal foi a TAP. Andávamos todos à procura do pai da reunião e o Ministério dos Assuntos Parlamentares já tinha dito que a iniciativa não tinha partido deles. Depois havia fontes na bancada do PS, não oficiais, que diziam que não é normal a bancada chamar. Aliás, já falei com deputados que disseram que andaram a indagar entretanto e a perguntar por lá: "Lembra-se de entidades que costumam vir?" E assim muitos outros exemplos, que têm muito mais a ver com membros do governo que vão lá preparar-se do que propriamente com muitas entidades externas. Criou-se aqui um caldo de passa-culpas que pelos vistos agora ainda vai parar à TAP. Convém é que o ministro João Galamba tente se lembrar que CEO da TAP costuma ter os e-mails à mão e costuma ter o calendário à mão. Espero que se tenha salvaguardado e visto convenientemente primeiro a caixa de e-mail para evitar novas surpresas. Pedro Nuno Santos, como o Diogo dizia, acho que agiu preventivamente quando se demitiu. Provavelmente tinha noção, embora não se lembrasse de ter dado o ok à indemnização, devia ter noção de que, não sei se na caixa de e-mail dele, mas pelo menos na caixa de e-mail do secretário de Estado e amigo dele, Hugo Mendes, se começasse a ser mais revelado, iam sair muitos esqueletos do armário e portanto demitiu-se a tempo.

Todos ótimos.

Todos bons ao nível até da comicidade, mas não tão bons para o retrato da gestão pública da TAP e da relação e da articulação com o governo. Tentou sair da fotografia a tempo. Também acho que estas audições possivelmente serão as mais perigosas em termos políticos para o PS, mas se arrastar por mais tempo esta perceção, o regresso de Pedro Nuno Santos à política e ao Parlamento é capaz de não ser muito fácil.

Inês, tens alguma coisa a acrescentar sobre esta sopa?

Vou só dizer uma coisa muito pequena, curta, porque eles já disseram muita coisa.

Acertada.

Sempre. Está na hora de os membros do governo comerem eles uma sopinha, que não seja para bebés, de preferência, porque isto de andarmos aqui semana após semana a comentar coisas que parece que estamos no secundário. Mal-entendidos, diz que disse, quem é que escondeu, quem é que sabia, quem é que mandou uma mensagem. Já está a passar um pouco de moda, não é? Porque isto de andarmos aqui com os emojis e com as mensagens do WhatsApp ou iMessage, ou seja o que for, já está a deixar de ser engraçado. É giro para nós. Quanto ao resto, nunca escreveste um bilhete de escola assim? A minha resposta espontânea é dizer sim.

Sua Excelência, senhor ministro, convido-o para vir aos salões para discutir comigo, eventualmente, se vai dar luz verde.

Não quero isso, mas gostava que não fôssemos governados por ok's. Eu já mandei muitas mensagens a dizer ok, já defendi aqui o Pedro Nuno Santos, porque toda a gente já mandou mensagens a dizer ok.

Olha, eu só digo uma coisa.

Eu nunca dei 500 mil euros pelo ato de acabar seis.

Ah, ok.

Eu nunca dei 500 mil euros por um ok.

Eu só ia dizer que eu por este andar da minha carreira nunca vou chegar a lado nenhum, já se percebeu. Mas se algum dia for administrador de uma grande empresa, só trato de coisas por mensagem e e-mails. Se chegar ao governo, só trato de coisas por palavra direta, sem recurso a nenhum tipo de-

E se tiveres teorias ligeiramente mirabolantes sobre o presidente da República, se fores abstente ou fazer uma chamada à República a agradecer.

É isso. Diz, Inês.

Estava só a acabar. Ia dizer que as únicas coisas boas que realmente se retiraram desta semana foram essas audições nas comissões de inquérito, que relembrou o Diogo, e bem, já tínhamos saudades, mas que acabaram realmente por trazer a público muitas coisas que afinal não sabíamos e muitas coisas que interessam saber. Essa tal reunião secreta é a mais destacável, mas mesmo aquela questão de problemas como turistas, apresentações de empresas de maridos. Parece que andamos aqui um pouco a brincar com tudo o que é poder e democracia.

Eu proponho então agora que fôssemos a uma sopa de búzios, Mariana.

Sopa de búzios, eu vou assumir que tem a ver com lançar búzios, porque nós temos reuniões preparatórias aqui na "Vici & Suave" e portanto sabemos mais ou menos. Não convidamos entidades externas, é só entre nós, mas sabemos mais ou menos de quem queremos falar nessa semana. Vou assumir, Rui, queres falar sobre o futuro dos partidos e sobre as sondagens que andam a sair. Eu diria que há uns tempos seria mais fácil falar com dirigentes do PS e que eles desvalorizassem as sondagens e dissessem aquelas chavões normais: "Valem o que valem, a sondagem que interessa é nas urnas." Não é bem essa a resposta agora. Ou seja, o que é verdade é que o PS reconhece que existe, de facto, uma tendência. Esta última sondagem do Iskaste para o Express e a SIC, que é só a última de uma série delas, é significativa, porque no mesmo barômetro o PS cai sete pontos, se não estou em erro, em relação às duas anteriores. Mas já havia aqui, a partir dos últimos meses do ano passado e do início deste, uma queda bastante óbvia em vários estudos de opinião diferentes. E portanto, o PS desta vez reconhece que tem uma tendência de descida bastante consolidada neste momento e está a trabalhar com o tempo, está a jogar com o tempo. Está a jogar com a ideia de que tem um ano até às próximas eleições. Aliás, havia uma pessoa que nos dizia: "Bem, ainda bem que a sondagem não é com o cabeça de lista às europeias e é que estávamos tramados, mas não é o caso." E portanto, a fé do PS é que até lá a coisa possa diluir um bocadinho e indo por alguns caminhos. Um é a recuperação da iniciativa política, que a surpresa da habitação será, se calhar, o maior exemplo que o PS tem mostrado que quer lançar assuntos. E essa foi uma perceção muito clara quando estávamos naquela fase em que havia casos novos todos os dias e a perceção era: há aqui claramente um espaço vazio que se está a ocupar com os casos e que nós não estamos a ocupar, até na agenda mediática. E depois também com humildade. E acho que o Partido Socialista gostou de ver o mesmo António Costa que lançava o habituem-se à visão em dezembro, agora na última entrevista que deu à SIC, dizer que os governos cometem erros, que é normal que as pessoas não estejam satisfeitas, que o contexto é muito desfavorável e, portanto, que houve uma adaptação. Agora, se isso é suficiente, de facto, primeiro vai depender de imensos fatores. O PS ainda assim acha que há uma conjuntura econômica que o consiga favorecer. Tem de jogar muito possivelmente com novos apoios, dirigido um bocadinho aos seus setores de eleitorado mais clássicos e mais importantes. E portanto, há aqui uma série de coisas que tem de tratar, mesmo tendo a fé de que a tendência não seja uma inevitabilidade e tenha tempo para dar a volta à coisa, acho que o PS tem noção de que tem de se aplicar. Havia pessoas que diziam: "Nunca vi tanta malta nos gabinetes e nos ministérios a trabalhar tanto como agora". E portanto, há uma noção de que é preciso foco. E acho que estas sondagens só ajudam a vir dar uma noção de urgência à maioria absoluta.

E na mesma medida cresce Luís Montenegro, há aquele meme daquele cão todo musculado, daí os búzios, que era o bíceps desse cão.

Ai, que tenho mal o bracinho.

Afinal não fazemos reuniões preparatórias, desmascaraste.

Agora temos um Montenegro já com mais proteína.

Mas ele tem estado. Já tinha havido uma sondagem anterior que dava o PSD muito próximo do PS e depois ele fez aquele discurso no Conselho Nacional em que dizia: "Não, nós se acharmos que isto não está em condições, vamos a Belém dizer ao Presidente da República o que é para fazer, o que não é para fazer." E portanto, o Luís Montenegro tem vindo num crescente facto, mas eu não sei se ele já percebeu que o PSD não está a crescer, o PS é que está a cair. Mas eu gostava também de falar do Presidente da República, porque ao que parece vai deixar de acompanhar o governo nas visitas.

Sabes o que é isso, Diogo? É a minha sopa comparticipada.

É já a seguinte? Então podemos passar já para a próxima ou a Inês tem mais alguma coisa?

O que interessa também. Mas eu queria antes.

Eu sou muito rápido, porque parece que o Presidente da República já não vai mais para o terreno, só foi uma vez. Diz que aquilo não era grande coisa, as coisas que foi ver não era grande coisa, segundo fontes próximas de Belém.

Ele estava entusiasmado.

Estava entusiasmado, mas parece que andou ali a fugir, porque havia várias manifestações ou algum ambiente mais crispado contra o governo. Isto aconteceu em Viseu. Marcelo está habituado ao eixo Portugal e Santini, mas quando foi experimentar o eixo Magaranha Capuchinha, as coisas não correram assim tão bem. A Magaranha é um restaurante em Viseu e a Capuchinha é uma pastelaria. E, portanto, ele experimentou esse eixo e não lhe pareceu tão bem. Marcelo Rebelo de Sousa eu acho que está muito preocupado com aquilo que vai ser o seu legado e não quer andar misturado no meio destas embrulhadas do governo e portanto, cada macaco no seu galho.

Só para completar aqui o teu eixo, dizer que realmente tudo correu bem enquanto Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa andaram em universidades e coisas do gênero e tudo passou a correr mal quando foram para bairros sociais. Por isso, a diferença deve ser essa do teu eixo.

Pois, certo, não é tão elitista.

Inês, foste acompanhar o dia em que eles passaram juntos no terreno, o que viste de mais?

Eu diria que à primeira vista e para a frente das câmeras parece sempre que está tudo perfeito, mas Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa acabam por usar aquele velho truque da simpatia, de se rirem para toda a gente, mas os apartes entre um e outro, por muito que sejam engraçados, acabam por deixar aqui algumas dicas assassinas entre linhas. Destaquei aqui dois, na verdade. Um deles a selfie, porque foi o primeiro e foi bastante marcante do dia, porque o Presidente da República quis tirar uma selfie com a tuna. Estamos sempre a dizer que toda gente quer tirar selfies com nós, mas aqui era o contrário.

Quem é que se manifestou? Quem é que manifestou interesse?

E naquele momento Marcelo Rebelo de Sousa chama António Costa para vir ter consigo, "Venha daí, senhor primeiro-ministro", e leva uma nega e António Costa diz-lhe: "O senhor Presidente da República é que é especialista em selfies, isto faz parte da separação de poderes, por isso calma aí que eu não vou tirar selfies." A segunda, muito rapidamente, eu gostaria de dizer que o Oscar foi para Marcelo, porque ele falou do coração mole, disse que tem o coração mole, mas usou aquele tonzinho dele para dizer que há dificuldades no PRR, mas não é o Presidente da República que tem de ser menos exigente. Deixaria aqui estas duas, porque foi engraçado.

Corações moles como os ovos que já começaram em Aveiro.

São de Aveiro.

E é assim, a pensar em ovos moles, porque estamos na hora de almoço de um feriado, que terminamos a primeira parte. Na segunda parte vamos ter como convidado o deputado do Chega, Filipe Melo.

Pensa só desde o primeiro dia. É uma coisa que nunca sai da cabeça do prisioneiro, é fugir. Até que há um dia que surge uma ideia.

Este é o Sargento na Cela 7, uma série para ouvir em seis episódios que faz parte dos Podcast Plus do Observador.

Para fazer uma chave de um cadeado ideal, que é aquela chave normal, sem facas, sem limas, sem nada. É preciso ter paciência, é preciso estar preso.

Episódio quatro: Em fuga pela selva.

Para descer o nível, havia uma liana enorme. Não havia outra maneira de descer, encurtar caminho. E quando pôs os pés lá embaixo, o que é que há? Vixirada tudo a mexer, pareciam centopeias. Aquele barulhinho, tudo a mexer.

António Lobato foi o português que mais tempo esteve em cativeiro na guerra de África. Sete anos e meio. Pode acompanhar todas as semanas no site do Observador ou nas plataformas de podcast. Um novo episódio a cada terça-feira.

O Podcast Plus do Observador tem o apoio da Honda Automóveis.

Ora, bem-vindos à segunda parte da Vixi Suave. Connosco temos o deputado e coordenador do Chega na Comissão de Inquérito à Gestão da TAP, Filipe Melo. Bem-vindo à Vixi Suave. Começando precisamente por essa parte da TAP. Questionou na quarta-feira Alexandra Reis sobre um motorista que a CEO da TAP tentou afastar e a certa altura pergunta-lhe se esse motorista era familiar do presidente de um dos sindicatos da TAP. De que sindicato é que estava a falar?

Boa tarde, Rui. Boa tarde a todos em estúdio. Obrigado pelo convite. Ora bem, eu não posso adiantar hoje por uma questão de respeito pelo dirigente sindical, porque ainda vai ser ouvido na comissão. Aliás, todos os sindicatos ligados à TAP vão ser ouvidos e por uma questão de respeito para com a pessoa, antes de o inquirir na comissão, preferia não dizer aqui o nome, mas no dia vocês saberão, certamente.

Eu poderia apostar que é Tiago Faria Lopes do SAPA.

Não confirmo nem desminto.

Vai falar com ele antes da audição, não?

Não.

Ok. Já que estamos a falar da TAP, só há três partidos contra a privatização, assim de repente, os que têm centro parlamentar. O Bloco de Esquerda, o PCP e o Chega, pelo menos dos grupos parlamentares, excluindo aqui os deputados únicos. Portanto, o Chega não se importa de manter a TAP na esfera pública e pagar cheques de 3,2 mil milhões de euros, como aconteceu nos últimos anos?

Não, também não é isso que o Chega afirmou. Deixe-me explicar-lhe por partes. O que o Chega defende é que a TAP é uma empresa estratégica para o país, pelo que representa na ligação com as comunidades, com a nossa diáspora, pelo que significa em termos de compras para o nosso PIB, as compras no mercado interno. Portanto, é uma empresa estratégica. Nós não nos opomos à venda, desde que salvaguardados estes interesses. Mas a venda a ser feita, os contribuintes têm que ser ressarcidos do investimento que lá fizeram. As pessoas dizem que o Estado injetou na TAP 3,2 mil milhões. Não foi o Estado, fomos nós. Nós todos que estamos em estúdio e todos os portugueses que estão lá fora é que lá metemos o dinheiro. São os nossos impostos que fazem funcionar a máquina do Estado. E já aconteceu em situações idênticas. A Lufthansa, por exemplo, é o caso mais evidente, em que teve também um empréstimo por parte do Estado de um valor exorbitante e devolveu na íntegra, com juro. Portanto, quando a TAP estiver em condições de devolver aos portugueses.

Mas acredita que isso vai acontecer, conhecendo o historial da empresa?

Depende de quem compre. Repare.

E se continuar a acumular prejuízos, prejuízos, são sempre contra a venda se não se conseguir ressarcir a totalidade.

Vamos lá ver uma coisa. A TAP S.A., e convém nós dividirmos TAP S.A. de TAP SGPS, a TAP S.A. não dá prejuízo. Pelo contrário, dá lucro. É o negócio puro e duro da aviação. A TAP só começou a dar prejuízo quando houve a tal TAP SGPS, que dentro daquele grupo meteu todos onde a TAP S.A. estava lá também. A operação VM Brasil, que nos custou mil milhões de euros, foi um desastre. E a partir daí isto foi-se sucedendo uma bola de neve. Se nós olharmos para a TAP apenas como ativo na área da aviação, dá lucro. E dá muito lucro.

Portanto, com a TAP a dar lucro, não há problema de ficar uma empresa pública.

Repare, pública ou privada. Vamos lá ver, nós não somos a favor de empresas públicas. O Estado não serve para gerir empresas. Quem gere empresas são os privados, são as pessoas. Simplesmente, o que nós defendemos é que para a TAP ser vendida, no acordo de venda, têm que ser salvaguardados alguns interesses estratégicos nacionais e ser devolvido o investimento que lá foi feito. Aí não temos nada a opor.

Deixe-me ir buscar aqui uma citação: "Propomos, entre outras medidas, a alínea G, todas as empresas de transporte sob tutela da administração central e local serão privatizadas." Sabe de que programa político é que estamos a falar? Esta frase faz parte de um programa político. É de que partido?

Vamos lá ver. Essa afirmação é válida. E nós temos dito isto: a CP, a Carris, a Transtejo, a Soflusa, essas empresas não têm sentido nenhum estarem no Estado. Não têm sentido.

Mas o Chega tem defendido que é contra a reprivatização da TAP. Isto é o que tem acontecido nos últimos tempos. Até houve algumas frases utilizadas por André Ventura, que dizia que não devia haver uma privatização selvagem, salvo erro.

Sim, e estou perfeitamente de acordo com o que ele disse. E volto a dizer, o ponto que a Inês tocou é um ponto crucial neste debate. Todas as empresas de transporte, e não só, falando de transporte, eu respondo só transporte, não devem estar na esfera pública. A começar pela degradação dos transportes. Repare, Transtejo Soflusa, compra-se barcos sem bateria e vai-se pagar as baterias muito mais caras à parte. O que se passa nos comboios? As pessoas a terem que sair do comboio com o mesmo em andamento. Comboios lotados, metros lotados. Isto é a gestão do Estado em matéria de transporte. Portanto, com os privados, uma gestão privada, com investimento privado e com o know-how que têm os privados nestas áreas, certamente nós ficaríamos muito mais bem servidos.

E a TAP não?

A TAP é diferente. Vamos lá ver. Eu não fujo à questão. A TAP é diferente por uma questão estratégica nacional. Qual seria a companhia, KLM, Air France ou Lufthansa, seja quem for, ou a Ibéria, como recentemente se falou, se comprar a TAP, os nossos emigrantes que estão no Luxemburgo, em Cabo Verde, em São Tomé, na Suíça, nos vários cantos do mundo, como é que eles conseguiam vir a Portugal? Não são rotas estratégicas. Nós temos de ter esse cuidado. A nossa emigração é um tema central. Nós preocupamo-nos muito, e está no nosso programa também, com os nossos emigrantes. O retorno deles, o regresso deles, eles terem que vir ver as famílias, essas ligações não serão asseguradas porque não serão rotas prioritárias para quem compre.

Deixe-me então só regressar aqui a uma coisa, uma pergunta que lhe fizemos há uns minutos. Neste momento, por aquilo que nós sabemos, por aquilo que se fala, no nosso contexto político, só há três partidos que são contra a privatização da TAP: o Bloco de Esquerda, o PCP e o Chega. Está nos a querer dizer que é contra a privatização da TAP e que mantém esta ideia, ou afinal não é contra a privatização da TAP?

Eu volto a dizer o que disse. Nós não nos opomos à privatização da TAP, desde que salvaguardada.

Com uma concessão de serviço público que mantenha rotas para os países e que devolva o dinheiro... Estou a tentar perceber aqui.

Naturalmente, que devolva o dinheiro. Isso é ponto assente.

E o dinheiro é esses 3,2 mil milhões.

3,2 mil milhões. Eu tenho dito várias vezes nos debates com o governo ou mesmo em comissões, que isto não pode ser o sacrifício dos portugueses para salvar uma empresa e depois entregarmos ou vendermos a uma empresa estrangeira, uma grande empresa de aviação estrangeira, e ficarmos nós com prejuízo e eles comprarem uma empresa financeiramente estável, equilibrada, com o esforço dos portugueses. Isso é que eu não concordo. A partir do momento que o Estado, neste caso, os contribuintes, sejam reembolsados do investimento que lá fizeram.

E acha que alguém está disponível para aceitar as condições que, neste caso, o Chega coloca em cima da mesa?

A longo prazo, acredito que sim, porque isto é um negócio.

A longo prazo, mas quanto tempo é que este negócio vai demorar?

Repare, isso tínhamos que fazer um estudo.

Quantas injeções é que serão mais precisas até isto estar concluído?

Injeção, eu penso que mais nenhuma. Aliás, os lucros que supostamente a empresa teria de dar em 2025 foram antecipados e a empresa já começou a apresentar resultado positivo em final de 2022. Portanto, se com um plano de reestruturação pesado, se com algumas limitações pesadas que nós tínhamos em termos económicos e financeiros dentro da empresa, se já se reverteram e se já temos resultados positivos, eu acho que nós podemos esperar que a empresa continue a melhorar. O turismo em Portugal é uma arma fortíssima para quem comprar a TAP. Temos é que saber potenciar essas rotas.

Queria aqui mudar de assunto e perguntar sobre a questão do ataque ao centro de Emelida, Lisboa. As autoridades acreditam que foi um ato isolado. Usar essas mortes como um cavalo de batalha político, como o Chega acabou por fazer, não é uma questão de populismo ou de oportunismo?

Respondendo-lhe muito sinceramente, não houve oportunismo, não houve nem tão pouco, mais ou menos, qualquer forma de tentar capitalizar a desgraça alheia em termos políticos. Acho que isso é do mais baixo que nós podemos assistir em política, honestamente. E o Chega não o fez, isso posso lhe garantir. O que o Chega manifestou foi uma preocupação grande, muito grande, que isto fosse o início de algo que pode vir a ser.

Mas se é um ato isolado, o que é que indicava...? Aliás, André Ventura, no Parlamento, chegou a dizer, por exemplo, que a teoria que foi avançada pelas autoridades de que pode ter se tratado de um surto psicótico era uma fantasia. O que é que leva o Chega a tirar essas conclusões que as autoridades não retiraram?

Aliás, já houve novos desenvolvimentos que dizem que isto pode não ter a ver com surto psicótico, que já estava a ser pensado, que já estava a ser planeado.

Ou seja, não havia nenhuma outra indicação, a única indicação das autoridades era de que teria se tratado de um ato isolado. O Chega mencionou a hipótese do terrorismo e agendou um debate para o Parlamento Sobre imigração e segurança logo a seguir, isso não é tornar a questão política quando não tem dados para isso?

Honestamente, não. É uma preocupação e veja isto apenas como uma preocupação que nós temos. Nós temos dito muitas vezes que uma das nossas principais preocupações políticas é a segurança, e vocês sabem disso. E preocupa-nos muito que isto não seja um ato isolado e que isto possa ser o início de algo mais no nosso país. Isso é que nos assusta.

Mas o início de quê? Querido perguntar o início de quê e tendo em conta que há crimes em Portugal todos os dias, também cometidos por portugueses.

Infelizmente há.

Com outras motivações. O que é que indica que isto seja o início de outra coisa?

Repare, nós vimos muito drama à volta do que nós dissemos. Agora, deixe-me fazer a pergunta ao contrário. Se fosse um português que num surto psicótico, chamemos-lhe assim, matasse dois afegãos. Tínhamos certamente aqui a imprensa a dizer: "Coitados dos refugiados afegãos que vêm para cá e são mortos."

Mas ninguém colocou em causa que as vítimas são vítimas. Não é isso que está em causa. O que está em causa é quem cometeu o crime e foi isso que o Chega cavalgou em termos políticos. Eu recordo aqui uma das citações utilizada por André Ventura: "O sangue destas vítimas é responsabilidade do criminoso afegão, mas está nas mãos do governo de António Costa." Isto não é capitalizar politicamente um crime?

Não, isso é responsabilizar o governo pela falta de segurança que o país atravessa. Vamos lá ver, o que aconteceu ontem.

Acha mesmo que a culpa é de António Costa, o que se passou ali?

A culpa é do governo. Se não fosse António Costa e estivesse lá outro governante, fosse ele qual fosse, nós íamos dizer exatamente o mesmo.

Mas acha que Portugal não é um país seguro?

Está a ficar cada vez menos seguro, infelizmente. Repare o que aconteceu ontem em Carcavelos. Vamos admitir o seguinte: se eu estivesse naquele momento com a minha mulher e com os meus filhos menores na praia de Carcavelos, como é que eles iam ficar? Se eles eram apanhados no meio daquela cena de pancadaria imensa. Eu posso me sentir seguro durante o dia, numa praia em Portugal, com a minha mulher e com os meus filhos?

Mas isso não é agarrar-se a palpos.

Pancadaria tem às vezes dentro do Parlamento, até entre pessoas do Chega.

Olhe, desconheço. Honestamente, desconheço.

Já aconteceu.

Desconheço, com toda a verdade, e isso tem sido uma retórica que tem sido muito utilizada. Eu posso lhe dizer com toda a honestidade que nunca presenciei, e do que eu conheço as pessoas dentro do grupo parlamentar, não me acredito todo. E estou a lhe dizer isto com a maior das sinceridades possíveis.

Sim, foi entre um deputado e um membro de uma distrital. Mas temos que avançar. Só uma questão: a solução pode passar por proibir vir pessoas de países que o Chega identificou como Afeganistão ou Paquistão, ou não?

Não é proibir. O Chega foi muito claro nesta matéria. O Chega não fecha as portas à imigração, porque respeitamos quem muda de país à procura de melhores condições de vida. Não fôssemos nós um grande país de emigração, que o fomos na década de 60, 70, 80, e que agora voltamos a ser novamente fruto das dificuldades que atravessamos no país, mas respeitamos também quem vem para cá. Mas quem vem para cá tem que vir com contrato de trabalho. É isso que nós pedimos, que venham com contrato de trabalho, que venham para trabalhar.

Mas isso é o que pede o PSD. Vocês fazem uma diferença de nacionalidade. É diferente se vier de Espanha ou se vier do Afeganistão.

Mas com certeza. Repare uma coisa, deixe-me fazer-lhe esta questão e responda-me frontalmente. Vivo num prédio com 10 apartamentos. Sentia-se confortável em ter nove famílias afegãs ou sírias, ou ter nove famílias italianas ou francesas? O que é que preferia?

Dependia das pessoas. Se fossem vizinhos respeitáveis.

Regra geral.

Estou lhe a dizer que é indiferente.

Não será sempre indiferente. Os costumes.

Então a questão não é o contrato de trabalho, que acabou de dizer há pouco. Se for uma pessoa com contrato de trabalho vinda do Afeganistão, não é tão bem-vinda como uma vinda da Suíça, de Espanha, de Angola ou de Moçambique. Exemplos dados por André Ventura.

Nós não dissemos que não é bem-vindo. O que nós dissemos é que não podemos escancarar as portas a determinados imigrantes que vêm de determinados pontos do mundo, precisamente pelo que eu lhe disse. É diferente termos 10 pessoas muçulmanas ou 10 pessoas da Europa Ocidental.

Mas é diferente por quê?

As práticas, os costumes.

Não é só uma questão de preconceito dizer que no mesmo prédio, ter vizinhos de um país ou de outro é diferente?

Não. Repare.

Não conhecemos esses vizinhos, não sabemos se têm contrato de trabalho.

Repare, eu fiz a uma altura uma questão idêntica a uma pessoa da minha amizade, que também nos criticava muito pelo que nós dizíamos em relação a uma certa etnia. Eu fiz-lhe a mesma pergunta que fiz ao Rui: se tu tivesses que optar entre ter nove vizinhos dessa etnia ou nove vizinhos caucasianos, o que é que escolhias?

Mas uma política de imigração não se define assim.

Mas repare, nós não podemos querer para o país o que não queremos dentro do nosso prédio. Percebe? E aqui não é ser seletivo.

Mas o que o senhor deputado está a dizer que não quer dentro do seu prédio, não é igual ao que todas as pessoas que aqui estão ou todas as pessoas do país pensam para aquele que querem no seu prédio. É uma discussão que não valerá a pena.

Há uma coisa nisto. Desculpe. Eu tenho a certeza: o que eu quero para o meu país é o que eu quero para o meu prédio. É paz É tranquilidade, é harmonia, é igualdade de oportunidades para todos. Certamente o que a Inês quer para o país é o mesmo que eu quero.

Vamos saber agora o que o Filipe Melo quer para o governo do seu país. Num cenário como o da última sondagem, em que o PSD pode vencer as eleições sem maioria absoluta, se o PSD não quiser fazer uma aliança com o Chega, ainda não se sabe se quer ou não quer, o Chega não está condenado a ter que viabilizar um governo no Parlamento?

Não, o Chega não está condenado a nada.

Preferirá manter o PS no governo nessa circunstância.

Não, o Chega não prefere, jamais, a esquerda a qualquer tipo de solução.

Levantam-se e saem, não tomam nem uma decisão, nem outra.

Não levantamos e saímos. Sentamos à mesa e mostramos que o Chega não é uma alternativa, o Chega é a solução. É que não há outra solução. Repare, Luís Montenegro pode dizer o que quiser dizer, pode haver o outro partido também que se diz de direita, mas que eles próprios já disseram que não são esquerda nem direita, querem fazer parte do governo, mas governo sem Chega. Isso não existe. Neste momento, e é o dia que estamos a falar hoje, não há governo sem o Chega. Daqui por um ano ou se este governo chegar até 2026, que eu duvido, podemos estar a falar noutra condicionante. Isto é possível, o que eu estou a dizer hoje. É quem é que vai fazer parte de uma solução governativa com o Chega. Eu digo isto muito convicto.

Mas o Chega ganha as eleições nesse cenário ou será uma espécie de partido charneira?

Não, é possível. Repare, quem diria que o Chega no espaço de um ano dobrava a intenção de votos? É que dobraremos. Neste momento estamos nos 15%. Por que o Chega não há de conseguir, com o trabalho que está a fazer e com a confiança que está a ganhar dos portugueses, daqui por um ano, estar nos 20%? E se este governo chegar a 26, por que não podemos chegar aos 30%?

Muito bem, tem então só na cabeça a possibilidade de ganhar e, portanto, não faz essas contas. Eu propunha que avançássemos para o pacote de habitação do governo, o pacote Mais Habitação, que tem sido muito discutido. O Chega é muito crítico deste programa do governo. Isso quer dizer o quê? Que está tudo bem no setor da habitação?

Não, se somos críticos é porque está tudo mal. Se estivesse tudo bem, não criticávamos.

Este programa propõe-se resolver os problemas que existem no setor da habitação.

Desde 2015 que os sucessivos programas do governo socialista em matéria de habitação se propõem a resolver. E o que é certo é que desde 2015 que não se resolve, só se piora a situação. Isso é um dado adquirido. Ainda ontem, quarta-feira, eu tive a oportunidade de confrontar a ministra da Habitação na Comissão de Economia com o aumento exponencial do custo das rendas em Portugal. Estamos a falar numa brutalidade.

Percebeu esse problema quando?

Quando? Todos os dias.

Por que não está no programa eleitoral do Chega?

Repare, o programa eleitoral do Chega, e vocês fazem o vosso trabalho, que eu compreendo, mas que tendem a apontar lacunas no programa eleitoral, é um convite que eu vos faço. Vejam o programa eleitoral do partido que está no governo e apontem as falhas. São muito mais que as nossas.

Fazemos isso quando temos essas oportunidades de entrevistar pessoas relacionadas com esse partido. Agora estamos aqui consigo.

Sim.

E de facto, o Chega tem duas ou três referências muito vagas relacionadas com a habitação, que não concretizam nenhuma ideia.

Diego, repare, o nosso programa tem mais de um ano. As eleições foram em janeiro de 22, portanto, o programa terá sido concebido em dezembro de 21. Estamos a falar quase um ano e meio depois. O flagelo da habitação, na altura, não está nos parâmetros que está agora. Nós agora atravessamos uma crise gravíssima. Na altura, havia esse problema e daí essas menções que falou, que são três, se não me falha a memória, que estão no nosso programa.

Perdão, estamos mesmo com pouco tempo, só queria perguntar isto muito rapidamente sobre este assunto, se conseguir, que é: o que o Chega propõe e diga-me sucintamente, só para avançarmos para outro tema, que estamos com pouco tempo.

Em matéria de habitação?

Sim.

A começar pela fiscalidade. Eu acho que o que o governo fez em matéria de fiscalidade não resolve o problema. E qualquer reforma na habitação tem que começar por aí.

Mas que é baixar o IMI?

A questão não é só o IMI, é dar vantagens por via do IRS. O governo mexeu, é verdade que mexeu, e reconhecemos isso, mas não mexeu o suficiente, longe disso. A questão do PRR está muito mal aproveitada. Nós temos 2,7 mil milhões de dotação orçamental de PRR. Não está a ser utilizado, porque há um preconceito ideológico muito grande em entregar a construção aos privados. O governo não quer fazer.

Portanto, envolver mais os privados e mexer na fiscalidade. Vamos avançar, Filipe Melo.

Não só. O regresso do crédito bonificado. Por que não? Estimula todos os setores da economia, é transversal. O PSD acabou com ele e o PS não quis voltar a pegar. E nós temos falado nisto de há um ano esta parte. Já no orçamento que debatemos em maio do ano passado, nós voltamos a falar nisto.

Filipe Melo, temos tempo de irmos daqui a outros temas. Em breve, o presidente do Brasil virá à Assembleia da República, o Lula da Silva, para uma sessão de boas-vindas. Que tipo de protesto é que vão fazer? Já nos pode dizer ou não?

Ainda não decidiram?

O protesto que nós vamos fazer e que muitos portugueses-

Vão-se levantar e vão-se embora.

Está a dizer dentro da Assembleia?

Durante a sessão.

Eu quero acreditar que não vamos fazer protesto nenhum, porque eu quero acreditar também que Lula da Silva não vai discursar na casa da democracia portuguesa.

Acha que ainda é possível travar isso?

Eu espero que sim. A bem do país, espero que sim.

Jair Bolsonaro virá eventualmente a um evento do Chega a 29 de outubro. Perante uma pergunta de um jornalista da RTP, Jair Bolsonaro disse: "Não falo espanhol nem portunhol." Estavam a falar como nós estamos a falar aqui, a pergunta do jornalista. O Chega revê-se nesta abordagem? Quando vier cá, vai falar com sotaque brasileiro com Jair Bolsonaro?

No Brasil fala-se a língua portuguesa. Eu respeito muito a nossa língua. Fala-se português no Brasil, não se fala brasileiro no Brasil, nem brasileiro em Portugal. Fala-se português em Portugal e português no Brasil. É a nossa língua e temos muito orgulho.

Não vai adocicar o sotaque quando vier cá Jair Bolsonaro, já percebemos.

Com certeza que não.

Estamos mesmo quase a terminar. Disse à Visão há um ano que tinha dívidas de €120 mil em resolução e acho que merece esta oportunidade de se defender agora que passou um ano. Já pagou tudo o que devia?

Já na altura estava a ser resolvido. Está tudo ultrapassado.

Já ultrapassou tudo. Para terminar, foi acusado do crime de desobediência simples naquele jantar de Braga durante a campanha Covid. Se for condenado neste processo, abandona o cargo de deputado?

Com certeza que não. Repare, isso é um não assunto. Na minha opinião, e é a minha opinião pessoal, não vincula o partido, eu acho que isto mais do que o que se está a querer passar, é uma perseguição política o que estão a fazer. É querer levar a julgamento quando não têm qualquer tipo de matéria para condenação. E certamente vocês, que fazem este trabalho, sabem que não, porque também sabem que no mesmo dia, no dia anterior, no dia depois, eventos idênticos se realizaram com outros candidatos apoiados por outros partidos, em que não aconteceu rigorosamente nada.

Talvez não tanto com a mesma dimensão. O Diogo, aliás, creio que estava nessa campanha. Vamos avançar para o Carnal Peixe, Filipe Melo. Tem a possibilidade de fazer uma visita guiada ao Bom Jesus. Quem é que prefere levar? João Galamba ou Pedro Nuno Santos?

Pedro Nuno Santos.

Num cenário em que o Chega não tem candidato nas próximas eleições presidenciais, em quem é que preferia votar? Paulo Portas ou Luís Marques Mendes?

Paulo Portas.

Se tivesse um lugar vago num jantar com o início do Chega, não em tempos de Covid, e só pudesse convidar uma pessoa, preferia Mariana Mortágua ou Inês Sousa Real?

Inês Sousa Real.

E tem um bilhete a mais para ir ver o Benfica. Quem é que leva consigo? António Costa ou Nuno Afonso?

O António Costa.

Chegámos então aqui ao fim do Carnal Peixe. Desde já parabéns por ter respondido a todas as questões. Há pessoas que vêm aqui e gostam de ficar com fome, ainda bem que escolheu tudo. Também nos trouxe uma música muito sugestiva. Quer explicar porquê e já agora dizer o nome da música?

Sim, a música é We Are the Champions dos Queen e remonta a 2019, à altura em que André Ventura entrou no Parlamento com a marca do Chega, sozinho contra 229, e mais recentemente também para os restantes campeões do nosso grupo parlamentar, que enfrentamos 218 deputados, que ouvimos todos os apupos e todos os nomes que nos querem chamar. Acho que temos sido os campeões da resistência em prol dos portugueses e temos conseguido superar a nossa missão.

Chegaram a ser 219 quando Gabriel Mithá Ribeiro estava zangado convosco. Termina aqui a Visão Suave. Obrigado, Filipe Melo. Recrusamos, como sempre, na próxima sexta-feira.