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Olá, bem-vindos à "Vichy Soisse". Esta semana tivemos um regresso red hot ao Parlamento. Red porque é o ex-ministro mais vermelho, acho que concordamos todos. Hot porque aqueceu o Parlamento. Bom, também pode ser de Chili Peppers, também deu um picantezinho à cena política ou se não deu, vai dar em breve. Nós estamos ao vivo, mas não temos bilhetes oferecidos, acho eu. Pelo menos eu não tenho.
Não, não há caro isso. Mãos à obra.
E já vamos tendo alguma fome e por isso sugeri um Fortimelzinho.
Senhor Presidente, eu gostaria mesmo de terminar.
Eu também.
A definir quem gostou, comeu e não acabou.
Um regresso normal, de alguém que já foi parlamentar durante muitos anos, foram vários anos no governo e agora é o regresso ao Parlamento. Não, neste momento eu sou um deputado entre 230, é só isso que eu vou ser. Vou ser um deputado como os outros, vou fazer o meu trabalho, aquilo que é expectável. Fui eleito pelo círculo de Aveiro, eu represento todo o povo português, mas obviamente eleito pelo círculo do meu distrito. Quero dizer que farei o meu trabalho como os outros deputados, com muito gosto, e eu sou um deputado que apoia o governo.
Perdoem o meu inglês e a minha pronúncia, mas eu sou transmontano e ainda tenho aquela coisa. E leio alto: "Call for expression of interest for regional innovation valleys". Valleys, valleys. Três vezes. "Is now open." Eu hoje tinha um programa cheio, mas era tudo muito em família. Tinham proposto um brinde com Moscatel. Acabei por beber um Moscatel quente mais tarde. Olha as recomendações: beber mais água, que eu bebo muito pouca água, sobretudo em dias quentes.
Senhor Presidente, eu gostaria mesmo de terminar.
Eu também.
Talvez um Moscatel para o brinde.
Também gostaria um bocadinho de continuar. Eu sou o Rui Pedro Antunes, sou editor de política do Observador e tenho comigo o repórter parlamentar Miguel Vítor Dias, jornalistas da secção de política Inês André Figueiredo e Rita Tavares. Como tão bem disse a Rita Camarneiro, vai começar agora de uma forma ainda mais efetiva a Vichy Soisse. A primeira sopa é a sopa de Moscatel, que existe mais ou menos, há aí uns polícias das sopas. Existe sopa de sapateira e Moscatel. E sapateira podia vos confundir, porque cá há um senhor que tem uma percentagem numa empresa de sapatos. E eu então meti só sopa de Moscatel, que é a Tekmacal. Tekmacal, por acaso tem nome de-
De Moscatel.
Não, tem mais nome de Fortimel.
Depois tem.
Mas não vou agora dizer aqui marcas. Pelo contrário.
Fortimel acho que já toda a gente pode dizer.
Sim, institucionalizou-se. Só pela intro o Covão já devia meter aqui mais não sei quantos mil euros na Vichy Soisse. Vamos parar de fazer publicidade. Então, sopa de Moscatel, quem é que quer começar?
Eu por acaso queria o Moscatel quente, que esta voz ainda está um bocado esquisita. E não bebi nenhum Fortimel. O Moscatel foi de Setúbal ou era de Favaios? É que há pessoas de Setúbal preocupadas com isso. Não, eu posso começar só para dizer muito rapidamente que espero que aquelas declarações de Marcelo Rebelo de Sousa à porta do hospital se estudem numa aula de História daqui a uns anos, porque aquilo é uma coisa memorável. A descrição do boletim clínico.
Pelo que não é a primeira vez.
Exatamente, e que as motivou até, foi a Renascença que falou com Vitalino Canas, que sugere depois deste episódio que os boletins clínicos das altas individualidades de Estado passem a ser de acesso público, porque é importante nós sabermos o estado de saúde de cada um. Mas também com um porta-voz tão bom como Marcelo Rebelo de Sousa, para que se vai mudar a lei?
Ele depois ainda põe ali uns acrescentos e é tudo muito mais divertido do que o boletim clínico, que é uma coisa fria.
Exatamente.
À meia da tarde, o chefe da Casa Civil dizia: "Sim, sim, ele pode falar, só não fala porque nós não o deixamos. Ele até queria."
Mas durou pouco, durou cerca de duas horas essa afirmação do chefe da Casa Civil, porque Marcelo saiu pela porta do hospital e disse tudo e mais alguma coisa. E parecia que vinha absolutamente reavivado. Tinha altíssima forma.
Quem me dera chegar àquela hora no final da tarde como ele.
Depois de uma tensão, de uma crise de tensão, porque depois ele sai com provocações para o primeiro-ministro e de alguma forma até normaliza, há bocado estávamos a falar disso, a relação com António Costa, que tem sofrido aqui uns abalos
Uns problemas, para dizer o mínimo. António Costa já tinha dito que o presidente estava de bom humor, porque já tinha falado com ele ao telefone. O presidente diz entre sorrisos que na ambulância as enfermeiras estavam chateadas porque ele só vinha a falar ao telefone com toda a gente. As peças encaixam todas desta vez e parece que os problemas foram todos feitos às horas que toda a gente diz que foram realmente feitos. E no fim das contas, ficou essa normalização de relação com o primeiro-ministro, que fazem piadas, até fazem uma brincadeira muito engraçada que é apostar quem é que faz o jogo de quem, que é uma brincadeira que é uma brincadeira gira.
Ele diz que até um hipotético candidato presidencial avisou que a campanha não ia arrancar tão cedo.
Só falta o Marcelo dizer: "Afinal caí antes do governo." No sentido literal.
Se calhar também disse a alguém, é uma piada que Marcelo Rebelo de Sousa faria. Mas ficou ali aquele registo e ainda ficou um comentário, que isso também foi divertido, ao relatório preliminar da comissão de inquérito, com o Marcelo a dizer que ainda não leu, que gosta de ler as coisas finais e depois quando os jornalistas insistiram, ele lá disse: "Não querem que os meus valores de tensão voltem a escalar." Não dizendo disso, que é uma especialidade de Marcelo Rebelo de Sousa.
Mas é engraçado que mesmo essa questão do relatório, há quem tenha dito, depois também foram horas de comentário a esta questão de Marcelo Rebelo de Sousa, que o próprio relatório pode ter levado a que Marcelo Rebelo de Sousa não tenha colocado este evento na agenda. Estavam lá duas ministras. Marcelo Rebelo de Sousa vai a todo lado, como sabemos, comenta tudo, mas de facto o relatório, ele disse que relatórios preliminares não comentava. Também mais uma vez está alinhado com António Costa. Nestas declarações à porta do hospital estão alinhadíssimos.
Sim, e não deixa de ser estranho que não venha na agenda dos ministérios e da Presidência da República um evento nesse nível. Pelo menos não é uma ida à final da Liga Europa.
Nem foi de Falcon.
Uma coisa curiosa é que numa semana em que os partidos andaram muito a falar de saúde, o próprio presidente tenha testado o Serviço Nacional de Saúde em dia de greve, como se o presidente chegar ao hospital fosse a mesma coisa de chegar.
Ele disse que num dia de greve correu tudo bem, está em serviços mínimos, mas isto prova que o SNS funciona.
Mas eu preferia que não fosse num dia de greve.
Exatamente, não queria chatear.
Provavelmente o cidadão comum nem sequer para aquele hospital teria ido. Ele escolheu o hospital porque foi ali que foi seguido quando fez o cateterismo.
É um hospital mais especializado em cardiologia.
E foi para ali reencaminhado por ser quem é e de facto não está comparável com as outras pessoas.
Até foi um alerta inicial, o facto de ele ter ido para ali, de ser um hospital que tem essas funções especificamente, até houve aqui um alerta maior, porque ele estaria a ir para ali, mas rapidamente foi explicado porquê, porque ele foi seguido ali, fez lá a tal operação.
Afinal foi só uma conjugação infeliz entre moscatel e fartima.
Deixa-me só dizer uma coisa antes, suponho que queiras passar para a outra sopa. Mas o Miguel estava a falar da questão do candidato a candidato. Teve alguma piada ver, porque é mais um facto político criado pelo próprio, porque ninguém lhe perguntou, ninguém disse nada, ninguém sequer colocou ali uma farda, ninguém sabia.
E podem ter sido todos, isso é que é engraçado.
O almirante Gouveia e Melo pode-lhe ter ligado perfeitamente. O chefe da Armada ligar ao comandante supremo depois de ele desmaiar, não está nada mal.
O presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva.
Luís Marques Mendes é amigo de longa data e fala muitas vezes ao telefone, também é perfeitamente plausível. Augusto Santos Silva, como figura que o teria que substituir caso ele não melhorasse, também teria ligado naturalmente.
Sentindo que ele estava a conduzir o planalto, por acaso ele estava ali hidraulizado.
Amanhã tenho que pegar aqui horas.
Amanhã ir ter ao banho.
Se calhar ele está a enviar aqui um recado a quem sabe que ligou e a quem sabe que não ligou. Houve alguém que ligou, ele só falou num. E foi a esse que ele disse: "Pode ter calma que nem lançar a campanha."
Mas os jornalistas perguntam logo: "Mas quem é que foi?"
E ele disse que foi Santos Silva e ele disse que já não se lembrava.
Já não me lembro.
Pronto, afinal afetou a memória de demais. Vamos avançar para uma sopa de camarim. Comida no camarim, vamos dizer assim. Por causa de um regresso.
Sendo que o camarim não foi bem camarim, porque foi à vista de toda a gente.
A Mariana Lima Cunha, aliás, arranjou um título muito bom para o texto do regresso de Pedro Nuno Santos ao Parlamento, chamando-lhe pop star. E de facto foi o que pareceu.
Havia uma deputada que pensou que era o Pierce Brosnan.
Está a chegar.
O pior é que o Pierce, o 007, tem dois zeros à esquerda. O sete tem dois zeros à esquerda.
Mas aquilo foram dois dias até se normalizar Pedro Nuno, porque foi a chegada e depois no dia a seguir o relatório da CPI, portanto a receção manteve-se também na quinta-feira.
Houve sempre receção.
Até à normalização.
Ele já disse que não vai votar o relatório.
Sim, já se percebeu que não vai votar o relatório.
Ele não precisa de votar, ou seja, a discussão é em plenário, mas não é votado, só se houver um pedido. Só é votado na comissão, por isso ele pode nem ter que fazer o número.
E ele pode nem votar, pode ter essa possibilidade. Portanto, mesmo que vá a votos.
Mas quanto aos cumprimentos, que é o que importa.
Sim, Pedro Nuno Santos aqui a fazer aquele papel de, não é papel nenhum, é entrar na Assembleia da República e de repente já estão as coisas a acontecer à volta dele, que é pessoas a quererem cumprimentá-lo e a levantarem-se do lugar para o irem cumprimentar. E é recebido como desejado, que mostra também, se calhar, algum estado de espírito do grupo parlamentar do Partido Socialista. Ok.
Eu agora não quero mentir, mas acho que o filho dele se chama Sebastião.
É o desejado.
Portanto, ele é o Sebastião Sênior. Depois é o Sebastião Júnior.
Que é o ex-ministro que saiu do governo como saiu, no meio de uma confusão grande, no meio de um e-mail que ele se tinha esquecido, um aval que ele tinha dado a uma indemnização elevada e que se tinha esquecido que tinha dado esse ok. E agora regressa Toda a gente de braços abertos no seu partido. Portanto, esse episódio vai ficar para trás.
E teve muita graça a parte da chegada com aquela guarda pretoriana de Tiago Barbosa Ribeiro.
Pedro Nuno.
Pedro Nunaniana. Alexandre Leitão também tornou-se uma de primeira linha agora, com quem ele passou muito tempo e isso teve muita graça. E depois, só para arrematar isto, Eurico Brilhante Dias andou à conversa na bancada quando ele chegou e lá acabou por ir ter com Pedro Nuno Santos, mas teve muito pouco tempo sentado ao lado dele e não foi particularmente efusivo. Por exemplo, com Marta Temido foi efusivo, até há fotografias disso, e com Eurico Brilhante Dias não foi, e o discurso continua a ser de é mais um ativo que vem reforçar a bancada.
Mas eu acho que era Pedro Nuno entrar e dizer: "Sou mais um deputado entre 230", mas depois vai às galerias, cumprimenta toda a gente.
É o pequeno de Santa Maria da Feira.
Santa Maria da Feira, verdade, mas vai às galerias, sabendo que naquele dia específico toda a gente vai atrás dele, que não vai ser propriamente uma visita privada às galerias. Cumprimenta o polícia que está a guardar a porta das galerias, cumprimenta funcionários, cumprimenta toda a gente. E ele sabe que não é um deputado entre 230, que é um ativo importante no Partido Socialista, que tem um passado relevante e tem um futuro que toda a gente acha que existe, e esse caminho já está a começar a ser feito.
E, portanto, Pedro Nuno Santos está lançadíssimo. Por falar em popstar, lembro-me aqui, falámos no início do Alive, e também ouvimos aqui o som de Isaltino Morais, só para referir que a minha sopa de camarim acaba por ser os bilhetes.
Não recebeste, não é?
Não.
Estás com inveja.
Eu também queria falar sobre isto, mas foi exatamente por inveja.
Eu nestas coisas, o único problema é não ter recebido.
Eu começo a achar que a minha bitola ética é muito superior à de todos, mas o ponto é assim: é bitola ibérica, de certeza. É diferente do resto da Europa. Mas o ponto é: o grande problema ali foi que os deputados municipais que votaram uma isenção de uma taxa para o festival receberam antes bilhetes para esse festival. É no mínimo estranho, só isso. E a Iniciativa Liberal denunciou isso e a coligação liderada por Carla Castelo também, que é a oposição em Oeiras. Isaltino Morais tem o dom natural de desvalorizar tudo.
De descomplicar os assuntos.
Acabamos de ouvir. Ele a certa altura até diz que há muita concorrência e que já perderam o Story Loop para Cascais e que também perderam o EDP Jazz Fest. Cool Jazz, mas era antes em Oeiras, acho que era Jazz Fest, e que perdeu, mas depois fez logo outro que era os Jardins do Marquês e virou-se assim para o lado na Assembleia Municipal. "Hoje até vem cá o Bolt, como é que se chama?" E ele: "Michael Bolton, e daqui a três dias vem a Maria Betânia". E portanto, ele dá sempre um ar muito descontraído, é impossível não gostar do político, da forma. Depois, na questão do conteúdo, claro que isto cria aqui uma questão que era evitável ou até criar um sorteio para distribuir os bilhetes, mas fica também essa nota.
Para a próxima devia dizer: "Os deputados que votam a favor têm bilhetes, os que não votam, não têm."
Não, o problema é que os da oposição já não receberam os bilhetes este ano.
Não, o ano passado não foi. Só para completar, porque a minha sopa também era essa. Eu gostava só de perceber se a oposição, nas muitas câmaras deste país, não só a nível nacional, se a oposição não levantar estas questões, se isto realmente é normal. Ou seja, neste caso foi a IL e a coligação Evoluir Oeiras a denunciar este possível, vamos dizer assim, conflito de interesses. E acho que há aqui duas premissas muito diferentes. A câmara abriu esse concurso para oferecer bilhetes aos funcionários. Também não sabemos como é que esse concurso decorreu ou não. Não sei se é comum, mas nem vamos por aí. Mas é normal que sejam oferecidos bilhetes a vereadores e a deputados que votaram sobre aquilo. Ou seja, não estamos a falar de bilhetes que foram distribuídos porque o festival se realiza ali. Estamos a falar de uma câmara que dá muito dinheiro àquele festival e estamos a falar de isenções fiscais que há muito são debatidas em muitos festivais do país. Gostava só de perceber se é porquê. É porque se poupa um dinheirinho para ir ao Alive? Também não é assim tão caro, não é? Se calhar é um bocadinho caro.
Não, é uma simpatia, porque os valores são muito elevados. Em Coimbra com os Coldplay, a câmara investiu imenso. Aqui para o Alive foram 349 mil.
É que é muito dinheiro que as câmaras metem.
Outros concertos, tipo Def Leppard, Harry Styles, e mais dois ou três que agora não me lembro, foram 250 mil € de apoio da Câmara de Oeiras. Portanto, é muito dinheiro a somar e se formos a ver, são muitos milhões de euros. As autarquias dizem que têm retorno. Pode ter retorno no sentido de alguns eventos terem impacto internacional e haver turismo, mas isso não está nada estudado como eles dizem. Como é óbvio, não está e é muito dinheiro, acaba por ser uma estrelinha que querem ter na lapela, mas depois não está estudado.
Eu até diria, deixaria normal que sejam distribuídos aos funcionários. São funcionários da câmara ou às pessoas que vivem lá, aberto a concurso para as pessoas que vivem lá.
Se calhar é melhor mesmo não misturar e as pessoas vão à bilheteira e pronto.
Se quiserem. Estava esgotado, se calhar isso também aumentou a bitola.
A semana passada fizemos quatro anos e eu disse aqui o nome de quatro ou cinco pessoas que já tinham saído, vicissudes e outras que estão-
Não me digas que vais dizer agora.
Não sei quantos nomes.
Ongoing. Não, não vou dizer mais nenhum. Ia só dizer que, um minuto, Rita Tavares, podes ser tu a última sopa, que é mais um governante que sai do governo. Isto é um por mês, é tipo nos programas da Teresa Guilherme, um reality show é um por semana, no governo é um por mês.
E não dá para parar.
Curioso é que o Partido Socialista e o governo não consegue sair de uma sem se meter noutra logo a seguir. Ainda agora saiu da questão do relatório, ainda agora está nesta tentativa e nesta estratégia de tentar esvaziar o relatório, a Comissão Parlamentar de Inquérito à TAP, que foi pesada sobre o governo e com implicações. Houve duas demissões no governo, houve um ministro que quase foi demitido e que pela vontade do Presidente da República teria ido mesmo. E de repente já está noutro caso E Cudo, com o secretário de Estado da Defesa a ser constituído arguido esta manhã com suspeitas de corrupção. Portanto, há aqui outro elemento a agravar a imagem de caos na gestão das pessoas que fazem parte do elenco governativo e isso não ajuda o PS, que tem estado a tentar chutar para fora estes casos e casinhos, que é a forma como António Costa tentou amesquinhar e reduzir um bocadinho a pressão que estes casos exercem sobre o governo, e o PS vai agora fazendo aquela tentativa de esvaziar, de desvalorizar e de atirar para a frente, dizendo que a responsabilidade disto tudo até é dos comentadores, veja-se só.
E o questionário resulta às mil maravilhas, também está visto. Aquele questionário que eles preenchem.
Não, mas é que ele já não teve que preencher porque foi só a posteriori, não tem retroativos. Mas como vimos, a voz da Rita estava melhor do que a da semana passada, já é uma grande melhoria.
Chá de bocate com as roxas.
E termina assim a primeira parte da Vixi Suave. Regressamos já a seguir para a segunda parte. Ora, bem-vindos à segunda parte da Vixi Suave. Temos aqui o vice-presidente do Chega, António Tanger Correia, que tem uma longa carreira diplomática, como cônsul e embaixador de Portugal em vários países. Enfim, em tempos já foi muitas coisas, até já foi candidato a um órgão dirigente do Sporting. Ouvimos agora a saída do Ugarte, então deve estar feliz, mas não é isso que o traz aqui. Vamos falar de política. A um ano das eleições europeias, o Chega ainda não tem um candidato. Enfim, há vários partidos que ainda não escolheram cabeça de lista, mas o seu nome tem sido apontado como um dos mais bem colocados para essa corrida. Está disponível?
Estou. Obviamente, se não estivesse disponível, não estaria no Chega. Quando uma pessoa entra numa instituição, é como o exemplo que deu do Sporting. Uma pessoa pode ser treinador de bancada, pode estar em casa a ver os jogos, diz muitas opiniões, mas se não se atravessar... Eu sabia que não ia ganhar, mas pelo menos fiz o esforço de colaborar com o clube. No Chega é um pouco a mesma situação, ou seja, se o Chega precisar, estou disponível.
E vê-se como tendo o perfil certo para esse cargo. Sendo eleito, será eurodeputado. A campanha tem uma certa exigência de campanha eleitoral. Está disponível para isso, sente que tem esse perfil?
Isso, com certeza, já fiz várias. Eu fui diretor de promoção de campanha da Aliança Democrática, por exemplo. Fui diretor do CDS, da imagem e comunicação. Portanto, é claro que era mais novo. Isso faz alguma diferença, mas também estava menos maduro do que estou agora. Portanto, uma coisa talvez compense a outra. Agora, se eu tenho o perfil? Tenho, com certeza. Quer dizer, fiz coisas muito mais difíceis durante a minha carreira do que ser deputado europeu. Nomeadamente, estive envolvido em negociações bastante difíceis e bastante sensíveis. Mas creio que se for esse o caso, isso será o partido a decidir, pois com certeza que estarei completamente à disposição para aquilo que for necessário.
Mas já mostrou a André Ventura que está disponível e que quer esse cargo, essa tentativa de vir a ser eurodeputado?
Eu não disse que quero. Eu disse que estou disponível.
Já agora, gostava de ser o cabeça de lista do Chega?
Não sei. Quando eu passei para a reforma, saí do Michels Gostas, já disse: agora o que eu vou fazer é estar com a minha família, com os meus netos, vou fazer vela, vou estar com os meus amigos que não vejo há muitos anos. E depois fui meter no Chega, com todas as consequências que daí advêm. Eu não preciso dizer ao André que estou disponível, obviamente que ele sabe, sendo vice-presidente do partido.
Já conversou com ele sobre isso?
Como?
Já conversou com ele sobre essa hipótese?
Não, o André é uma pessoa que trabalha por etapas. Portanto, neste momento, a grande preocupação dele e do partido são as eleições da Madeira. A partir dessas eleições, que serão em setembro, foram marcadas agora pelo Presidente da República, veremos então o caso das europeias. Temos tempo, eu acho que temos todas as condições para ter um bom resultado, quem quer que sejam os cabeças de lista, os deputados.
Tem na cabeça aquilo que seria um bom número para o Chega eleger dois eurodeputados, três eurodeputados?
Eu não sei bem o que é que dá em termos de método de Hondt. Uma vantagem que o Chega terá nestas eleições europeias, seguramente, é que cada voto conta, o que não aconteceu nas legislativas, o que não acontece nas autárquicas. Aqui, neste caso, conta cada voto em Portugal inteiro. O André Ventura estabeleceu como fasquia 15% nessas eleições. Não sei quantos eurodeputados darão 15%.
Será dois, três? Pode ser.
Eu acho que nós não devemos ir por aí, nós devemos ir pela positiva, ou seja, qualquer campanha não deve ter um objetivo, digamos, numérico. Cada campanha deve tentar passar a mensagem que nós queremos transmitir. Fundamentalmente, é isso. E nessa altura nós, evidentemente, passaremos as mensagens que acharmos mais adequadas.
E olha que a Europa tem tido uma política de abertura à imigração desde o tempo da Angela Merkel. Vamos ver como é que o Chega se posiciona aí, depois lá no grupo do ID, mas já falaremos de imigração mais à frente.
Deixe-me ler daqui uma citação: "Mas isto é uma guerra? Há oito anos que o conflito existe, tendo sido mortas 14 mil pessoas, e havia guerra? Conflito armado é a definição da situação, não é guerra." Vou dar-lhe duas hipóteses. Esta frase foi escrita por si no Facebook ou faz parte de um comunicado do PCP sobre a guerra na Ucrânia?
Não, o problema não é esse. Aquilo foi numa altura em que ainda se falava de negociações. Eu sou diplomata, não sou político Eu sou, como o Chega é, a favor da Ucrânia e do povo ucraniano, sem dúvida nenhuma. Eu acho que são evitáveis os conflitos e quando eles acontecem, a primeira coisa que se deve ter em mente é sentar-se à mesa das negociações. Isso neste momento não acontece, parece que estamos bastante longe disso. Volto a dizer, como diplomata, é a coisa que mais impressão me faz, é continuar toda a gente de costas voltadas, morrer gente todos os dias. Isso pra mim é uma situação triste e até impensável a certos aspectos.
E a culpa é mais de Zelenskyy do que Vladimir Putin, é mais da Ucrânia do que da Rússia?
Sabe que eu não atribuo culpas a metro. Acho que é muito difícil, as situações nunca são preto e branco.
Mas não há um agressor e um agredido?
Não, isso há, com certeza. Isso é evidente, que foi a Rússia que agrediu a Ucrânia.
Mas a Ucrânia tem culpa nessa agressão?
Não, a Ucrânia, por si, não tem culpa nenhuma. A Ucrânia, como tal, não tem culpa nenhuma, nem o povo ucraniano, coitado, são recipientes, obviamente, de uma agressão. Eu não ponho as coisas em termos de agressor, agredido. Sim, existe. Eu ponho mais a situação em termos de um conflito que a certa altura foi evitável, deixou de ser evitável, e uma paz que nunca mais chega. E aí há que ver e escamotear um bocado determinados aspectos para se resolver esse conflito o mais depressa possível, para parar com esta perca de vidas humanas, que eu acho que é o mais importante de tudo.
Deixe-me ir pra outra frente de combate, deste político e no país. Luís Montenegro disse que quer garantir que não vai haver um governo, nem políticas, nem políticos, nem racistas, nem xenófobos, nem populistas. Considera que esta mensagem era pro Chega?
Não, nós não somos xenófobos. Não sei o que é ser populista, com toda a franqueza. Se ser populista é denunciar a corrupção, é dizer que as coisas estão mal quando elas estão mal, e o povo português sabe disso, talvez sejamos populistas. Ou então quem é mais populista? São aqueles que dizem que as coisas estão bem quando elas estão mal, como é o caso do governo, por exemplo. Se existe alguém neste país, neste momento, que tem uma postura populista, é o Partido Socialista e o governo. Não somos nós. Nós somos um partido que acima de tudo, isso é uma coisa que era bom que as pessoas tivessem noção, nós somos um partido que defende o indivíduo. Somos pela individualidade, o ser individual. Ou seja, nós não somos um partido coletivista, como são todos os partidos de raiz marxista, que são a maioria em Portugal. Nós, pelo contrário, somos um partido em que o indivíduo tem a primazia relativamente à sociedade, deve contribuir pra sociedade e a sociedade deve, obviamente-
Mas repare, nós já percebemos que o Chega está disponível para se entender com o PSD. Mas Luís Montenegro foi almoçar com Rui Rocha e deixou André Ventura de fora. Não é mais uma prova que o PSD está mesmo a traçar uma linha vermelha e a não deixar passar o Chega?
Não, eu acho que não. Eu colaborei na constituição da Aliança Democrática nos idos anos da política portuguesa. Eu estava no CDS nessa altura e o grande arquiteto da Aliança Democrática nessa altura foi Adelino Amaro da Costa, e foi ele que delineou o processo de negociações. O processo de negociações, ao contrário do que as pessoas pensam, não foi fácil, porque à essa altura havia uma clivagem muito grande entre o CDS e o PPD. E chegou-se à conclusão, e depois da conclusão feita, das eleições ganhas, correu tudo muito bem. Ou seja, nós, na altura, o CDS, que éramos os fascistas de serviço, e o PPD, que dizia no Povo Livre, o PPD é o Partido Socialista, acabamos por nos entender às mil maravilhas, tirando aqueles trágicos acontecimentos que todos conhecemos, as coisas estavam a correr muito bem, mas mesmo muito bem, quer a nível da cúpula, quer a nível mais baixo. Portanto, o que eu acho? Acho que quando o interesse nacional é mais importante que o interesse partidário, eu acho que o Montenegro não terá outra caminho.
Acha que vai ser inevitável então?
Não, quer dizer, inevitável se queremos realmente que Portugal ande pra frente. Se não queremos continuar a andar na política em que estamos.
Deixe-me só pedir-lhe clareza numa questão que não está esclarecida ainda. No caso de o Chega ter a hipótese de viabilizar um governo do PSD ou até do PSD com a Iniciativa Liberal, que não inclua o Chega, vai fazer isso ou vai preferir e dar a hipótese a que o PS constitua o governo?
Está me a dizer, por exemplo, um acordo de incidência parlamentar, é isso?
Na votação do programa de governo.
Não, acordo de incidência parlamentar, no fundo.
Sim, um entendimento parlamentar.
Neste momento, o Chega não aceita uma solução dessas.
Uma solução como? Sem o Chega.
Sem participação ativa do governo.
E portanto, aí, nesse caso, o PS conseguiria formar governo nessa situação.
Com quem?
Podemos chegar a essa situação na aritmética parlamentar, não é?
Podemos, mas está fora do PS.
Se o Chega desempatar e não aceitar um acordo parlamentar que inclua PSD e IL, mas não inclua o Chega, a alternativa pode ser a esquerda. Foi, aliás, aquilo que já aconteceu.
Já, efetivamente. Eu acho que neste momento, ainda é cedo pra estarmos a falar sobre isso, não do conceito, mas da realidade prática. Acho que está tudo ainda nos achismos e nos ses, e penso que é um bocado prematuro estarmos aqui a fazer contas, lá está, as aritméticas. Aqui é um problema de se o Chega entender que o interesse nacional e o interesse dos portugueses requer a sua participação neste modelo ou naquele modelo, pois o Chega com certeza que seguirá este ou aquele modelo. Se nós acharmos, pelo contrário, que a participação do Chega, não assegurando determinadas condições, não assegurará o interesse nacional e o interesse dos portugueses, nessa altura, obviamente, o Chega tomará a sua posição.
Recusa a ideia de que as pessoas do Chega são racistas ou xenófobas, mas sente-se, por exemplo, confortável quando Diogo Pacheco de Amorim diz que a nossa cor de origem é branca e a nossa raça é caucasiana?
Muito se isso. Isso disse ele, não fui eu.
Portanto, não diria da mesma maneira.
Sabe que eu fui educado desde muito pequeno. Meu pai foi professor da Sorbonne, eu vivi no estrangeiro a minha vida inteira. E obviamente que uma pessoa que vive no estrangeiro a vida inteira tem uma perceção das coisas diferente daquela de uma pessoa que nunca saiu de um determinado sítio. E eu convivi com colegas, com amigos, com seres humanos das mais diversas origens. E obviamente que devo dizer que nunca fiz qualquer distinção nesse sentido. Aliás, em casa fui sempre educado a não o fazer e que isso era profundamente errado. E continuo a não fazer.
Mas reconhece que é uma afirmação racista? No seu ver, esta afirmação que o Miguel acabou de ler é racista?
Eu não sei qual foi o enquadramento dessa afirmação.
Mas há outras. Por exemplo, o Bruno Nunes disse aqui na Vista e Suave: "Não é igual um imigrante vir do Brasil ou do Paquistão." Há a questão da etnia cigana muitas vezes. André Ventura disse, por exemplo: "Temos um problema com a comunidade cigana em Portugal." Considera que isto são afirmações racistas, xenófobas?
Não, eu penso é que se nós retirarmos a carga originária, seja de ciganos, seja do que quer que seja, paquistaneses, e nos centrarmos nas consequências de determinadas culturas, essas afirmações deixam de ser xenófobas ou racistas e passam a ser constatações, eventualmente, constatações de fato. Ou seja, não quer dizer que porque sejam ciganos, são maus. Eu até gosto muito do Quaresma, por exemplo, e de outros. Tenho amigos paquistaneses, tenho amigos indianos, tenho amigos do Sri Lanka. Ao longo da minha vida fui fazendo amigos do mundo inteiro.
Quando num grupo do Chega, um militante ou um dirigente chama mané ao primeiro-ministro, esteve em Goa, sabe bem a carga da palavra, é racismo ou não?
Por acaso em Goa não se usa.
Certo, mas é racismo ou não?
Vem de Moçambique.
Esqueça essa parte.
Vem de Moçambique.
Quando um militante ou dirigente do Chega num grupo do Facebook ou no WhatsApp chama mané ao primeiro-ministro, é racismo ou não?
Se é racismo ou não? Sei lá. Devo lhe dizer, não sei quem foi, nem sei.
Não, não estou a expor ninguém diretamente. Estou a lhe perguntar esta situação, porque já vi em alguns grupos afetos esse tipo de expressões a referirem-se ao primeiro-ministro, estou a lhe perguntar sua opinião, se considera racismo.
Acho errado. Acho errado e acho que esses grupos, uma vez-
Mas é errado por ser racista ou não? Por que evita a palavra racismo numa questão que, na verdade, quando explicou a origem da sua educação, está a dizer que é racismo, não é?
Lá está, não sei se é racismo, com toda a franqueza. Eu, por exemplo, grande parte dos meus colegas no estrangeiro são originários de Goa. Eu fui cônsul-geral em Goa.
Mas isso o que traz para esta questão?
Não, traz para esta questão que realmente isso a mim não me toca, nem pelo contrário, quer dizer, eu nunca o faria.
Não se sente envergonhado quando vê colegas de partido usarem essas expressões?
Eu acho é que os colegas de partido têm que ser um bocadinho mais bem instruídos.
Mas o próprio Pacheco Amorim também.
Eventualmente.
Esteve no CDS durante vários anos, este tipo de linguagem seria aceitável no partido, por exemplo?
Se seria aceitável ou não. Aliás, o que eu acho é que as situações são completamente diferentes e nós hoje em dia temos muito mais falta de cultura social e política, não obstante haver um desenvolvimento claro na educação, mas do ponto de vista social e do ponto de vista da postura das pessoas, nós efetivamente, hoje em dia, temos talvez uma menor qualidade do que havia nessa época.
Mas reconhece que dentro do Chega há pessoas que são racistas, que são xenófobas, que viram isso no partido em algum momento e que se filiaram ou que são militantes do Chega por essa razão, ainda que diga que os dirigentes não o são?
Se há? Acredito que sim, como há noutros partidos também. Também ouço de pessoas da Iniciativa Liberal, até do PSD, com expressões que eu também nunca usaria, não em público, mas em privado. Eu acho que está no âmago dessas pessoas exatamente o mesmo anátema. Agora vou lhe dizer uma coisa: de dois anos para cá, o partido mudou muito, o partido melhorou muito os seus quadros, aliás, trouxe quadros novos, o partido melhorou muito em termos de qualidade de pensamento, o partido melhorou muito em termos do seu posicionamento. E se reparar, por exemplo, o congresso em Coimbra e este último congresso que tivemos agora em Santarém, não sei se esteve lá, se não tem.
Estive.
A moldura humana é completamente diferente. Portanto, nós estamos a evoluir agora, nós somos um partido com três anos e tal, é evidente que é o princípio e a maior parte dessas pessoas já saíram. Aliás, muito foi aproveitado por muita gente dizer que nós estávamos a fazer purgas no partido e aquilo e aquiloutro, até parecia o Partido Comunista da União Soviética. Mas o que é facto é que essas pessoas saíram pelo seu próprio pé porque se sentiram mal e perceberam que o partido que eles pensavam que ia ser, não era.
Houve uns problemas com juventude neonazis, o André Ventura falou nisso e diz que expulsou-os na altura. Deixe-me só agora, porque é vice-presidente do terceiro maior partido e, portanto, é uma figura que as pessoas têm direito a conhecer, e apesar de ter uma vida diplomática com conquistas que já falou e com grandes processos de negociação, muitas vezes no mundo diplomático referem-no como a pessoa que recebeu dois barcos. E também tem a oportunidade aqui de falar sobre isso, o da comunidade luso-canadiana que lhe ofereceu. São presentes caros.
Ninguém me ofereceu barco nenhum. Não
E que hoje teria aceitado. Vi que disse que foi um empréstimo, só fez o usufruto do barco.
Não. Isso foi óbvio, tanto que o barco foi oferecido depois. Mas mais importante que isso, a maior parte do dinheiro daquele barco era meu, barco que eu tinha, pessoalmente. Eu não precisava de ninguém para ter um barco. Nem preciso. Tenho barco que não foi oferecido por ninguém. Considerei que a participação, e foi muito importante essa participação da comunidade de Toronto a nível da afirmação, quer localmente, quer a nível das comunidades portuguesas, que era muito importante. E o principal patrono desse projeto e que muito fez por ele, era o então presidente da República, o Tomás Soares, que estava perfeitamente ao corrente de tudo o que se passava e inclusivamente convidou os promotores do Cei de Portugal, como era na altura conhecido esse projeto, para irem a Belém, esteve com eles e sempre apoiou o projeto, era um dos meus maiores apoiantes, sempre foi. Portanto, não é uma coisa simples. "Deram-lhe um barco e não sei o quê." Não, deram-lhe um barco, também não deu barco nenhum. Aliás, não foi o barco, foi os Jogos Olímpicos. Foi uma forma de dar visibilidade à comunidade portuguesa de Toronto.
Nem teríamos tempo para ir aí. Já agora pergunto-lhe se a suspensão que foi alvo depois pelos factos em vilas, à compra de tapetes, enfim, não foi para si, e gastos com jardins, etc. Não vamos estar aqui também com grande pessoal.
Gastos com jardins é mentira.
Mas se essa suspensão lhe fez mossa a nível pessoal?
Fez, com certeza, mas eu ganhei no tribunal, como sabe. Eu pus o Ministério dos Negócios Estrangeiros no tribunal, anularam a suspensão.
Então, deixa-me só fazer-lhe a pergunta de outra forma. Teme que estes casos, quando for candidato, venham de novo à tona e que possam prejudicar, se for candidato às europeias?
Sim, com certeza, é sempre cansativo ouvir dizer isso. Agora, é preciso que as pessoas compreendam a situação em que isso aconteceu. Ou seja, é mentira a forma como está posta. Não foram tapetes em vilas, são três ou quatro quadros e o que é facto é que o tribunal deu-me razão e foi comprado com o dinheiro do retorno do IVA, que não é uma receita do Estado, que muita gente, enfim, chama ele seu, não foi o meu caso.
Muito bem, António Tanja de Correia, temos que avançar. Vamos aqui para a fase do cardápio. Nós temos aqui esta parte em que tem que escolher uma das opções, vamos ver se não fica com fome. Vamos a isso. António Tanja de Correia, a quem é que ofereceria um veleiro, Nuno Afonso ou António Costa?
António Costa.
Quem é que preferia ter como colega no Parlamento Europeu, João Cotrim Figueiredo ou Rui Moreira?
Rui Moreira.
Imaginando que António Costa vai novamente jantar à sua casa, quem convidava para se juntar, Paulo Portas ou Luís Marques Mendes?
Paulo Portas.
E para terminar, tendo a possibilidade de regressar a Goa, onde foi cônsul, e só pode ir acompanhado por uma destas pessoas, prefere levar Carlos Moedas ou Luís Montenegro?
Luís Montenegro.
Ora bem, chegamos aqui ao fim desta fase do cardápio. Chegamos à fase da sobremesa. Trouxe-nos uma música de Jacques Brel. Queria que explicasse, já agora pode dizer o nome da música e o porquê de ter feito esta escolha para fecharmos aqui.
Eu sou francófono, fui educado em França na primeira parte da minha vida, cresci com música francesa, estou a envelhecer com música francesa. Esta música é especial, por quê? Porque eu fiz a regata Capital no Rio de Janeiro, que era a maior regata nessa altura, com 20 anos. Tinha uma namorada, que é agora a minha mulher, e que usava esta música para eu não me ir embora. Então tem uma grande ligação sentimental. Por outro lado, esta mensagem do Brel, da Fênix renascida das cinzas, é uma coisa que me diz muito, porque eu fui uma pessoa que ao longo da vida, são as pessoas a empurrarem-me para baixo e eu a tentar resistir a isso e levantar-me outra vez. Portanto, é toda uma dinâmica que me diz muito.
António Tanja de Correia, obrigado por ter aceitado o nosso convite. Uma das coisas é que foi velejador nos Jogos Olímpicos em Barcelona 92. Creio que ficou em 21º lugar e em sexto lugar ficou hoje Felipe VI, o rei de Espanha. É uma curiosidade que fica. Obrigado por ter aceitado o nosso convite. A Visto e Face regressa, como sempre, na próxima semana.
Ne me quitte pas. Je t'inventerai des mots insensés que tu comprendras. Je te parlerai de ces amants-là qui ont vu deux fois leur cœur s'embraser. Je te raconterai l'histoire de ce roi mort de n'avoir pas pu te rencontrer. Ne me quitte pas, ne me quitte pas, ne me quitte pas, ne me quitte pas. On a vu souvent rejaillir le feu de l'ancien volcan qu'on croyait trop vieux. Il est, paraît-il, des terres brûlées donnant plus de blé qu'un meilleur avril. Et quand vient le soir pour qu'un ciel flamboie, le rouge et le noir ne s'épousent-ils pas ? Ne me quitte pas, ne me quitte pas, ne me quitte pas, ne me quitte pas. Ne me quitte pas. Je ne vais plus pleurer, je ne vais plus parler. Je me cacherai là, à te regarder danser et sourire et à t'écouter chanter et puis rire. Laisse-moi devenir l'ombre de ton ombre, l'ombre de ta main, l'ombre de ton chien. Mais ne me quitte pas, ne me quitte pas, ne me quitte pas, ne me quitte pas.