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Olá, bem-vindos à Vixi Suave. O meu nome é Miguel Santos Carrapatouso, sou jornalista e editor adjunto de política do Observador. Tenho ao meu lado o maior folião da telefonia portuguesa, o Miguel Viterbo Dias, e as rainhas da bateria, as jornalistas Rita Tavares e Mariana Lima Cunha. É este verdadeiro bloco de samba que me vai ajudar a explicar uma semana em que António Costa pegou na betoneira metafórica e desatou, sete anos depois de tomar posse, a dizer: "Agora é que vai mesmo ser. Vem aí a revolução na habitação."

E a grande atractividade das nossas cidades não é ser uma espécie de Disneylândia. O que é que nós podemos exigir ao inquilino? Bom, em primeiro lugar, que pague a dívida.

Eu fui imigrante. Sou casado com uma imigrante. O meu sogro é marroquino, a minha sogra é tunisina.

Aquele que é mais emocional ganha sempre. A cópia perde sempre com o original.

Se há alguma cópia, a cópia não é o PSD. Não ouvi as declarações do Presidente da República, mas posso ter uma certeza absoluta: se não dirigiam a mim, de certeza absoluta.

Eu garanto que não vou andar por aí. Eu estou aqui, eu sou daqui, o Bloco é o partido onde eu estou e vou estar em todas as lutas, a luta toda, como sempre.

Não há paz, o pão está caro, a saúde e educação estão como estão, valha-nos, portanto, a habitação. Por falar em casa, o Bloco decidiu arrumar o seu pequeno T5. Catarina Martins arrumou as coisas e bateu com a porta. Mariana Mortágua já tem a chave na mão e só falta aquela coisa muito chata chamada ir a votos e vencer eleições. Quem continua com o diabo no corpo é Marcelo Rebelo de Sousa, o careto da direita portuguesa. Mais uma vez, a vítima principal foi Luís Montenegro, transformado num wannabe Ventura por decreto presidencial. Está difícil a coabitação entre ambos. Aqui nesta casa não há pão, há sopa e todos ralham e todos têm razão. Portanto, venha daí a refeição mais deliciosa da política portuguesa. Rita Tavares, começo por ti para te servir uma sopa da casa, para falarmos deste portentoso programa de habitação apresentado por António Costa na quinta-feira. O que te apraz dizer sobre esta revolução no mercado da habitação?

Olha, sobre a revolução em si, há aqui um longo processo que ainda vamos ver como é que vai decorrer.

Portanto, há o processo revolucionário em curso.

Exato.

Há quem esteja a dizer isso mesmo. Estamos perante um PREC na habitação.

Estou aqui com o meu microfone. E, portanto, o que eu diria sobre isto é que há essa parte legislativa que ainda vai ser muito interessante de ver, de acompanhar, porque primeiro há este mês todo de audições pela frente e de auscultação dos setores e dos partidos e tudo mais. E já estão a levantar aqui alguns problemas sobre a eventual inconstitucionalidade de algumas das medidas que estão ali naquele pacote apresentado por António Costa, nomeadamente na questão do arrendamento compulsivo. Vai ser interessante ver. O PSD já está em processo de decisão, não é, Miguel?

O PSD está a ponderar o que fará sobre o assunto. A IL e o Chega que já disseram e já desafiaram Luís Montenegro a apresentar um pedido de fiscalização sucessiva quando isto for vertido em lei, naturalmente.

Portanto, sucessiva, vamos lá ver se há algum pedido de fiscalização preventiva pelo Presidente da República quando os diplomas chegarem a Belém ou se Marcelo fará aquilo que também não é propriamente novidade, quando há questões de emergência, e a habitação está sinalizada por todos como uma questão de emergência, agora sobretudo nestes últimos tempos, se não vai também passar aqui à frente, vai ser um equilíbrio que vai ser interessante de acompanhar. Há aqui outra vertente nisto que é o facto de António Costa estar a tentar ganhar o terreno do reformismo, que é uma crítica que lhe tem sido feita ao fim de sete anos de governação, ter muito pouco pra apresentar. Ele tem estado no terreno com aqueles eventos relativos ao PRR e agora tem este pacote da habitação, com muitas medidas, que ele fez questão de tomar a dianteira. O que é curioso, porque ele nesta última alteração no elenco do governo, que foi forçada pela saída de Pedro Nuno Santos, tomou a iniciativa de transformar a habitação num ministério autónomo, portanto, não sendo já uma coisa que fazia parte do Ministério das Infraestruturas, mas é um ministério próprio, com uma ministra, que é a ministra Marina Gonçalves, que era a secretária de Estado, mas a ministra parece que está aqui com algum azar, porque tem um primeiro-ministro da Habitação em funções também. António Costa, na semana em que a ministra podia ganhar esse palco, fez um artigo de opinião, apresentou medidas, fez uma entrevista à seguida a dar explicações, ocupou todo o espaço mediático, com uma intenção que acho que é clara, que é ele próprio ser o rosto destas medidas e desta reforma que está a avançar. Está em todas as plataformas, mas vazia totalmente o papel da ministra, que eu acho que vai precisar da autoridade política para as intensas negociações que aí vêm e, portanto, não sei até que ponto é que isto pode ser vantajoso ou não pra ela.

Mariana Lima Cunha, houve muita gente, sobretudo à direita, por exagero, houve quem dissesse que isto de facto era um PREC na habitação, mas houve muita gente a dizer, isso já não tão exageradamente, de que havia uma marca muito forte de esquerda neste programa apresentado pelo governo. É caso pra dizer que podemos tirar a habitação de Pedro Nuno Santos, mas não tiramos Pedro Nuno Santos da habitação?

Não sei se será tanto a marca Pedro Nuno Santos como a marca António Costa a correr atrás do prejuízo neste caso.

Marina Gonçalves era e é muito próxima de Pedro Nuno Santos.

Sim, é uma daquelas figuras do pedronismo. Nós chegamos a escrever que no seio do governo até havia alguma preocupação com a figura de Marina Gonçalves, no sentido dela de ser tida como bastante radical. E o que é engraçado ver aqui é que de facto, António Costa está a ser acusado por esses setores de estar muito à esquerda de repente e de haver uma pedronização, se calhar, ou um ataque de esquerdismo na apresentação deste programa. A esquerda não concorda. Este é daqueles programas que só mesmo o governo é que gosta dele, aparentemente, porque eu estava aqui a abrir porque recebi há minutos o comunicado do PCP sobre o assunto e que tem muito a ver com a reação que o Bloco teve quando conheceu as medidas do governo e que se nós não víssemos as medidas à frente, pareceria que as reações não são sobre o mesmo assunto, porque o que a esquerda diz é que isto não só é uma borla aos especuladores, que premeia quem ganhou com a crise na habitação, que os donos disto tudo continuam a sair beneficiados, os grandes investidores, os grandes especuladores, etc. E portanto, o ataque de esquerdismo gera algumas dúvidas na própria esquerda. O que eu acho é que há aqui é sobretudo, lá está, o António Costa a correr atrás do prejuízo enquanto se acumulam relatos que são desesperantes de pessoas que não conseguem pagar seja o crédito à habitação, seja a renda, e de recuperação da ação política, no momento em que o governo continua a ter vários problemas em mãos. Aliás, a habitação tem uma grande manifestação marcada para dia 1 de abril, o berbicacho dos professores continua sem fim à vista e é uma tentativa de fazer um pouquinho essa fuga pra frente com muitos problemas, até diria que burocráticos, na execução depois do plano em si.

Miguel Viteiro Dias, registo.

Do berbicacho em berbicacho.

Usei a palavra berbicacho e pra mim a minha participação neste programa está terminada.

António Costa também já usou numa conferência de imprensa.

Miguel, registo que estás com a barba por fazer. Isso é tudo um sinal de preocupação? Tu que és um homem conservador.

Foi um ataque de esquerdismo.

Estás no PEC.

Com este PEC que está a dominar a habitação. É tudo preocupação essa barba por fazer?

Eu sou preocupado com a habitação porque sou um inquilino desta vida. Não há pergunta séria, posso só dizer qualquer coisa?

Calma, pergunta séria. Estás ou não preocupado, tu enquanto homem conservador, se estás ou não preocupado com as medidas anunciadas?

Isto ainda vai durar um mês, até ser aplicado, ainda vai passar pelo Parlamento. António Costa já disse que vai sair um produto muito melhor do que aquele que ele apresentou ontem.

Aliás, deixa-me dar uma brecha, que também é curioso que menos de 24 horas depois de António Costa ter apresentado o programa da habitação, António Costa Silva tenha vindo dizer há minutos que o programa ainda vai ser calibrado e se for preciso corrigir alguma coisa, aqui estaremos para corrigir. Promete.

O António Costa Silva vem dar o input do proprietário. Vem dizer alto lá. E só dizer muito rapidamente pra concluir este assunto, é que a conferência de imprensa de ontem fez lembrar um pouco as da Covid, graças a Deus por melhores motivos, não por pandemias, mas porque tivemos a imagem dedicada àquilo, o programa Mais Habitação, tivemos António Costa a responder durante uma hora e meia ou duas horas e depois dos confinamentos compulsivos, temos o arrendamento compulsivo. Está tudo mais ou menos.

Nostálgico.

Vamos servir a nossa segunda sopa, sopa de beldroegas. Havia apostas aqui internas de que eu não seria capaz de dizer este nome, eu consegui dizer. Beldroega pelos vistos é uma planta diurética. Acho que estou correto. Mariana Lima Cunha.

O interesse da beldroega é ser uma sopa típica do Alentejo.

Tu vais ver. Depois do Bloco ter emagrecido para mínimos olímpicos, Mariana Mortágua é o nome certo pra pegar na casa?

Não sei responder se é o nome certo pra pegar na casa ou não.

Então o programa também está aqui a fazer.

Então passamos a outra.

Isso o Bloco é que terá de responder. O que eu acho que podemos dizer é que Mariana Mortágua não vem propriamente fazer revolução nenhuma dentro do Bloco. Mariana Mortágua é uma dirigente que tem responsabilidades na direção do Bloco há muito tempo, há muitos anos. Já foi cabeça de lista, foi a cara do Bloco em várias eleições. É engraçado porque ela tem, até junto de muitos setores que não adoram a participação política dela, a imagem de ser muito radical, mas diria que pra quem conhecer o Bloco por dentro, não é propriamente essa imagem que fica de ela representar uma linha particularmente radical dentro do Bloco. Ela representa uma linha que é da direção, que vai continuar a ser, e portanto, não há propriamente uma diferença de substância ou de programa, por mudar a cara do Bloco, ela ainda não formalizou a candidatura, quando se candidatar e se conseguir ser eleita. E portanto, eu diria que há algumas dúvidas sobre como é que ela vai pegar no partido num ciclo que é muito difícil, mas que o Bloco acredita que também lhe traz alguns ventos favoráveis, por ser um ciclo de desgaste da maioria absoluta, de muita contestação nas ruas, do Bloco conseguir então agarrar as rédeas de alguns processos em que deveria sentir-se em casa, pelo menos Naquilo que se chama a luta popular, a luta nas ruas. O Bloco entende que pode ter essa vantagem agora em lançar a Mariana Mortágua neste momento, o Bloco, digo a direção e as pessoas que apoiam, obviamente, uma candidatura de Mariana Mortágua. Pode ter alguma vantagem em lançá-la neste momento, sendo certo que também há algumas dúvidas sobre o perfil de Mariana Mortágua, no sentido em que, e por muito que se negue, as políticas são caras e que são personalidades também são. E a Mariana Mortágua construiu esta imagem de ser muito dura, por exemplo, nas comissões de inquérito é um exemplo óbvio disso, nos termos que usa, transformou-se ali num pôster do Bloco para nós enfrentamos os grandes interesses, os banqueiros, etc. Mas ela também tem um perfil pessoal que é um bocadinho mais tímido, menos extrovertido. Ontem falava com uma pessoa que dizia que a Catarina Martins já se tinha conseguido transformar numa espécie de máquina de campanha. Mariana Mortágua já é muito reconhecida nas ruas, obviamente, e tem muita notoriedade, mas não é exatamente o mesmo que a Catarina Martins, que qualquer feira que se chegue, vê-se alguém abraçado a ela a dizer que é pequenina, mas que o que interessa é o seu voto.

O Daniel de Oliveira ontem dizia que podia fazer falta uma liderança mais popular ao Bloco de Esquerda.

Pois, olha, se calhar estão com o problema da Iniciativa Liberal.

Rita Tavares, deixa-me só também puxar para aqui o PS, o Partido Socialista, e juntar as duas peças. A Mariana Lima Cunha publicou na quinta-feira um perfil da Mariana Mortágua, em que Pedro Nuno Santos diz, entre outras coisas, que gostou muito de trabalhar com Mariana Mortágua e Pedro Nuno Santos acha que Mariana Mortágua tem todas as condições e qualidades para dar um contributo inestimável à esquerda portuguesa. Isto é um elogio sincero ou pode vir a revelar-se mais tarde um abraço de urso?

Só falta gravar um vídeo.

Para já é um contributo inestimável para nós jornalistas, que temos um on do Pedro Nuno Santos, num perfil de Mariana Mortágua e eu acho que é muito relevante ele ter querido falar, ter aceitado falar oficialmente sobre aquela figura, uma figura do Bloco de Esquerda, que vai ser a futura líder do Bloco de Esquerda, quando ele próprio é indicado como futuro líder do PS.

Exato. E diz-se muito que uma eventual vitória de Pedro Nuno Santos no PS pode ser mau para o Bloco de Esquerda. Ou seja, daí a minha pergunta: e este elogio rasgadíssimo a Mariana Mortágua não pode vir a ser mais tarde um abraço de urso?

Eu não sei.

Não se anulam os dois?

Não me parece.

Se vier a confirmar-se naturalmente a vitória de um e de outro.

Não me parece. Esse receio existe no Bloco de Esquerda, já foi escrito várias vezes esse receio, mas eu da mesma maneira que percebo esse receio do Bloco de Esquerda, também entendo aqueles que no PS dizem que Pedro Nuno Santos não pode ser um radical de esquerda numa campanha pelo futuro do Partido Socialista. Ainda por cima tem de se perceber qual vai ser o contexto político em que ele vai apanhar essa vacatura do cargo de líder do PS, que não sabemos quando sequer é que acontecerá e em que condições políticas isso vai ser decisivo para perceber se Pedro Nuno Santos é ou não o líder adequado, tendo em conta essa linha dele mais à esquerda, ou se essa linha mais à esquerda também vai ter que se transformar numa linha mais ao centro, até para não esvaziar um braço importante para constituir uma maioria na Assembleia da República, que Pedro Nuno Santos é aliás uma figura que pode voltar a conseguir fazê-lo. Se há alguém no PS que pode voltar a conseguir fazer uma geringonça ou meia geringonça, ou seja lá o que for, é Pedro Nuno Santos. Portanto, também não lhe interessa fazer do Bloco de Esquerda um saco vazio sem importância nenhuma. Não me parece que isto chegue a ser um abraço de urso, nem me parece que seja essa a intenção. Acho mesmo que ele fica contente por ter alguém com quem possa dialogar no Bloco de Esquerda com facilidade, porque já têm um histórico na geringonça e li mais essa declaração assim.

Mariana Lima Cunha, ias dizer?

Ia só dizer, a concordar com a Rita e dizer que nessa ala esquerda do PS que Pedro Nuno Santos é visto como o líder dela, também há muito a tese de que a maioria absoluta foi um tiro no escuro, é uma lança em África, era essa a expressão que eu queria, que não aparece e que não vai aparecer nos próximos anos e que o que interessa mesmo é falar para blocos e para um bloco da esquerda. E que mais cedo ou mais tarde o Bloco vai ter de se colocar nesse dilema outra vez e perceber que tem de conversar com o PS.

Muito bem, deixa-me servir a última sopa ao nosso Miguel Viteiro Dias, uma sopa do mundo.

Tinha uma frase tão bonita sobre o tema Bloco de Esquerda.

Podes dizê-la, desde que fales sobre a sopa do mundo também.

Se tiveres de tudo dizer já, depois qual já é a tua?

Exatamente. Tu vais conseguir, tu consegues tudo, confio em ti. A sopa do mundo, que é este braço de ferro, este puxão de orelhas público de Marcelo Rebelo de Sousa a Luís Montenegro e a Carlos Moedas, que causou muito mal-estar. Uma expressão que é muito cara à gente que costuma ouvir este programa também, ligado ao PSD, criou um mal-estar evidente entre Palácio de Belém e São Caetano à Lapa.

É verdade. Sobre Mariana Mortágua, só para concluir, ia dizer que com o afastamento de Marisa Matias e Pedro Filipe Soares, escolher Mariana Mortágua é mais ou menos como a frase do Henry Ford, que é: "Podem escolher o presidente que quiserem, desde que seja Mariana Mortágua." A segunda parte também nos dirá mais sobre isso. Mas quanto ao assunto que lanças, e muito rapidamente, porque o tempo também já é curto, gostei muito daquela leitura que estava no teu texto sobre os problemas entre Marcelo e Luís Montenegro, de que sempre que Marcelo Rebelo de Sousa está apertado, escoa os problemas para dentro do PSD, ou seja, ataca o PSD

Isso aconteceu, por exemplo, com o lançamento da candidatura presidencial do Passos Coelho e agora novamente com esta questão dos abusos sexuais, aponta o ângulo pra outro sítio. E depois dá um pouco a ideia de que Marcelo Rebelo de Sousa, com estas declarações, porque ele ia falar de abusos sexuais e de repente os títulos são sobre o ataque ao Montenegro, parece que ficou um pouco descrente na liderança de Montenegro assim de repente. Não sei também se será cedo demais, porque ainda estamos a um ano das europeias, por exemplo, que é o primeiro grande teste. E depois continua a verificar-se este bloco central de palácios que tarda em ser um bloco central de São Caetano, Praça do Município e Belém.

Muito bem. E é com esta nota que vos deixamos, caros ouvintes, mas voltamos dentro de minutos com entrevista a Pedro Soares do Bloco de Esquerda. Olá, bem-vindos à segunda parte da Vixi Soares. Temos conosco Pedro Soares, antigo deputado e antigo dirigente do Bloco de Esquerda. Bem-vindo de volta, já que cá esteve uma vez. É sempre um gosto. Começamos pela vida interna do Bloco de Esquerda, naturalmente. Neste momento, a candidatura de Mariana Mortágua à liderança parece ser o segredo mais mal guardado do partido. Ainda não foi confirmada, mas já toda mundo assumiu como sendo inevitável. Vê com bons olhos esta candidatura?

Boa tarde. Eu vejo com bons olhos qualquer candidatura.

Deixe-me reformular a pergunta. Já vi que vai tentar fugir dela.

Não, eu sinceramente não.

Acha que Mariana Mortágua é o nome certo para o Bloco de Esquerda?

Eu, em primeiro lugar, não quero fugir à pergunta. Em segundo lugar, devo dizer que não há ainda confirmação. Eu apenas poderei falar sobre uma suposição, uma hipótese de candidatura. Em terceiro lugar, quero dizer com toda a clareza e sem fugir à questão que, no meu ponto de vista, qualquer solução que não retire conclusões de um balanço do ciclo eleitoral de derrotas que o Bloco teve e que, portanto, não reformule a linha política em função disso, é sempre uma má solução. Aqui há dias, anteontem o Fernando Rosas dizia numa entrevista na televisão que uma eventual candidatura da Mariana seria a continuidade com um novo rosto. Com toda a simpatia que nós temos pela Mariana, como é óbvio, não está isso em causa, e reconhecimento do trabalho que ela tem feito no Parlamento, devo dizer que o novo rosto, muito bem, a continuidade, muito mal.

Muito bem. Vamos falar disso também mais à frente. Deixe-me só colocar ainda outra questão a propósito do anúncio velado da candidatura de Mariana Mortágua. O fato desta ter sido lançada logo no dia em que Catarina Martins assumiu que não vai ser recandidata, é um sinal de que há gente no partido que pretende que seja uma sucessão dinástica?

Eu não queria que isso acontecesse. Aliás, fico um pouco com pele de galinha quando ouço tanto se falar na sucessão da Catarina Martins. Não há sucessões. Aliás, devo dizer até, isso talvez interesse pouco aos nossos ouvintes, mas não há eleição na convenção de um coordenador ou uma coordenadora. Em abono da verdade, o que há é a eleição de uma mesa nacional. E um eventual coordenador ou coordenadora será eleito depois na comissão política que resultar dessa mesa nacional. Portanto, nem sequer é uma figura estatutária. Não sei se tinham conhecimento disso, mas não existe em termos estatutários.

Normalmente é assumido que a primeira pessoa que assina uma moção, por exemplo, será o...

É assumido por quem o assume. Ou seja, eventualmente, se qualquer um militante do Bloco encabeçar uma lista à Mesa Nacional, não quer dizer que assuma que queira ser coordenador.

De todo modo, a forma como foi anunciada a saída de Catarina Martins e depois como rapidamente se começou a falar no nome de Mariana Mortágua, dá-lhe indícios para dizer que há falta, ou pelo menos o risco de haver pouca democracia interna no Bloco?

Nós sabemos como é que essas coisas se fazem e no momento em que se faz. Não sei se é intencional ou não, mas vamos sempre a essa hipótese que seja intencional, que procurar desviar o debate da convenção em torno das moções, das propostas políticas, dos balanços e das propostas políticas que as candidaturas vão apresentar e concentrar a convenção na discussão de uma pessoa, eu julgo que é errado e não me parece que seja uma boa opção. Aliás, colocar centenas de delegados eleitos nas regiões pelo Bloco a discutir uma espécie, desculpem o termo, do star system do Bloco, não me parece bem. O que é fundamental, ainda para mais na situação em que nós estamos, nós Bloco, o que é fundamental é de fato fazer isso, é fazer o balanço, coisa que esta direção nunca assumiu. Não há um único documento desde as eleições legislativas em que faça balanço de todo esse processo, da derrota nas presidenciais, da derrota nas autárquicas, da derrota na legislativa, etc. Não há um único documento sobre isto e aquilo que nos parece fundamental é de fato definir uma orientação política que nos tire da situação em que nós estamos. Repare que nós tivemos votações na ordem dos 9, 10% e neste momento estamos com as sondagens como sabemos que estão. E portanto, ou de fato se faz alguma coisa, ou de fato se muda a orientação política e se assume isso, a necessidade de mudar a orientação política, ou então é uma irresponsabilidade, é manter o Bloco neste limbo que nós não queremos.

O que eu queria perguntar era, e como dizia, a discussão não se fará só sobre caras, mas Mariana Mortágua é uma cara desta direção, da direção atual. Se ela vencer, e estava a dizer no início que se vier uma pessoa que não queira fazer balanço nenhum, que não queira mudar nada, ela seria capaz de fazer essa alteração, de protagonizar uma mudança de fundo na linha política do partido, tendo este histórico?

Em primeiro lugar, eu ainda não ouvi nenhuma declaração da Mariana a assumir-se como candidata ao que quer que seja. Em segundo lugar, quem quer que seja eleito, eu espero que consiga fazer essa mudança, consiga mudar esse rumo É a minha esperança, é a minha expectativa e acho que é a expectativa de muitos militantes do Bloco.

O que eu pergunto é se uma das pessoas que estava mais envolvida na definição da linha política do Bloco até agora pode ser outra coisa que não essa.

Aliás, eu acho que é uma coisa importante. Eu acho que isso daria confiança às pessoas, confiança aos eleitores. As pessoas gostam que os dirigentes políticos reconheçam os seus erros. Ainda há pouco tempo vimos isso no Parlamento, ministros a reconhecerem erros.

Portanto, era importante que Mariana Mortágua reconhecesse o erro que o Bloco cometeu recentemente, é isso?

Claro que sim, com base num balanço político. Não é por qualquer fogacho pessoal, não é isso que se pede, nem se pede que quem quer que seja assuma uma responsabilidade individual. Aliás, quando nós, a seguir à derrota eleitoral, começámos a levantar a questão de que era necessário fazer uma convenção o logo possível para discutir essas matérias, vieram logo com o anátoma de que vocês querem é fazer rolar cabeças. Não é assim, não se pode fazer a discussão política de um partido com a responsabilidade que o Bloco de Esquerda tem, à volta de pessoas e de cabeças. Desculpem, não pode ser. É de análise política, é de balanço político e é da definição da orientação política. E se tivéssemos feito isso, isso tinha dado confiança às pessoas. As pessoas percebiam que havia uma direção no Bloco capaz de reconhecer erros e capaz de fazer mudanças.

Então antes de irmos mais concretamente à análise política, mais uma pergunta sobre Mariana Mortágua. Há quem diga mesmo, quem não é fã dela dentro do Bloco, que ela tem uma imagem até mais radical ou mais dura, que ajuda a que o Bloco pareça menos domesticado, para citar uma dessas pessoas. Concorda que ela tem esse potencial?

Eu não sei quem fez essa declaração e não me reconheço nessa declaração. Eu acho que Mariana Mortágua é uma excelente deputada, é uma pessoa em que eu tenho bastante apreço. Não sei qual é o programa dela, não sei qual é a intenção dela, não sei se ela quer ser coordenadora, se será candidata para alguma coisa. Esperamos que uma declaração da Mariana sobre essa matéria para evitar especulações.

Já que falamos de balanço, em fim de ciclo, consegue dizer que Catarina Martins foi uma boa coordenadora do Bloco de Esquerda? Faz uma avaliação positiva?

Não, eu acho que a Catarina Martins teve uma grande dedicação ao Bloco, teve um papel muito importante no Bloco. Aliás, na última década, na política do país, protagonizou uma mudança fundamental no chamado início da geringonça. Agora, como qualquer dirigente político, não está isento de erros. Podemos falar dos erros da Catarina, mas eu acho que neste momento, em que ela declara que não será recandidata, mantendo-se, no entanto, como deputada e certamente dirigente da Mesa Nacional do Bloco, eu acho que o que é preciso relevar é que ela de fato teve um papel importante e acho que todos nós temos que lhe agradecer esse papel e essa dedicação que teve no Bloco.

Mas quando pede aos próprios que façam a sua autorreflexão, também era importante ouvirmos da sua boca qual foi, se conseguir eleger um, o maior erro de Catarina Martins e da atual direção, pelo menos da linha.

Eu tenho alguma dificuldade em dizer qual é o maior. Houve vários, não temos é tempo para isso, mas poderíamos fazer uma apreciação dos erros que o Bloco tem cometido, assim como das vitórias e da importância que o Bloco tem tido no quadro político português. Agora, eu acho que houve dois aspectos principais. O primeiro é o nível interno, se quiserem começar por aí, é de que deixou-se concentrar.

Demasiado poder.

Como?

Demasiado poder.

Não, há uma concentração excessiva no secretariado do Bloco, que nem sequer é um órgão estatutário, que desvaloriza todos os outros órgãos, desde a Comissão Política à Mesa Nacional, às distritais, etc. E acho que isso é um erro, porque isso retira, de facto, raiz, base, sustentação ao Bloco.

E no plano externo?

No plano político geral, eu acho que aquilo que se passou, por exemplo, nas últimas eleições legislativas foi, apesar de termos um programa próprio eleitoral, com bandeiras bem definido, etc, o discurso político, a linha tática para as eleições legislativas, foi a de procura de um novo acordo com o Partido Socialista. E acho que isso retirou, diluiu completamente as bandeiras e retirou, inclusivamente, credibilidade à candidatura do Bloco. Eu devo dizer, eu fiz algumas ações, participei em várias ações de campanha nessa altura, portanto, início do ano passado, janeiro, e havia pessoas que vinham comigo, estávamos lá na rua a distribuir papéis, etc, a falar e perguntavam: "Mas vocês deitaram o governo abaixo", o que não é verdade, mas de qualquer modo é isso que passa para a opinião pública, "vocês deitaram o governo abaixo e agora querem fazer um novo acordo com o Partido Socialista, com o governo? Isso não dá a bota que a perdigota." Portanto, há aqui uma situação, pelo menos aparentemente contraditória. E de facto, tem a ver com isto. O que está subjacente a esta ideia contraditória em setores da opinião pública, é precisamente esta, é de que não faz sentido querer afirmar um programa político próprio, autónomo, e ao mesmo tempo colocar como questão central a necessidade de um novo acordo com o Partido Socialista.

Bem, ouvimo-lo aqui criticar essa tal linha de política de Catarina Martins, que ao confirmar-se as intenções de Mariana Mortágua avançar para a coordenação do partido, pode continuar a ser a mesma. O que eu gostava de perceber, e já percebi que diz que isto não é propriamente uma candidatura a uma coordenação, porque o Bloco funciona de maneira diferente, mas a questão é: quem é que pode encabeçar, quem é que pode tomar a dianteira de uma alternativa a esta linha política? O Pedro Soares está disponível para isso, por exemplo?

Sabe, eu tenho estado disponível, como eu acho que a maior parte dos militantes ativos do Bloco, para contribuírem com as suas qualidades e defeitos, para que o Bloco se afirme, para que o Bloco recupere, para que o Bloco reganhe credibilidade na opinião pública. Assim como eu não quero Concentrar o debate em torno de quem vai ser o coordenador ou a coordenadora, como é óbvio, também não vou dizer.

Mas por isso é que eu lhe falo na dianteira de uma alternativa, porque se essa é a linha de continuidade, e está em risco uma continuidade, eu queria saber qual é a alternativa.

O que eu lhe posso dizer é que há uma iniciativa de muitos militantes de base do Bloco, alguns deles até bastante conhecidos, que estão a trabalhar no sentido de apresentar uma moção política alternativa. E isso terá como consequência a apresentação de uma candidatura à Mesa Nacional.

O João Teixeira Lopes, por exemplo, lançou o José Soeiro como possível alternativa à Mariana Mortágua.

Eu já lhe disse que todas as hipóteses são boas, todas as soluções são boas, desde que tenham esse pressuposto que eu acabei de referir.

Repensar, refletir.

Mais que repensar e refletir, é tirar conclusões do balanço do ciclo eleitoral terrível que nós atravessamos e verter essas conclusões numa orientação política que mude de rumo o Bloco.

Diria que dissesse alguns desses nomes que falou, figuras reconhecidas que estariam nessa alternativa.

Talvez a mais conhecida que nós temos é o nosso militar de Abril, Mário Tomé, mas há um conjunto inúmero de outras pessoas do norte ao sul do país e às ilhas que certamente farão parte dessa alternativa.

Em 2021, dizia aqui no Observador que o chumbo do Orçamento do Estado era o primeiro passo na decisão correta. O Bloco continua a dar passos nessa direção ou acabou por se perder pelo caminho?

Em relação ao problema do chumbo do Orçamento, eu acho que houve um problema. É o tal problema de uma orientação política contraditória e que não é clara perante a opinião pública, perante as pessoas. O Bloco andou toda a campanha eleitoral das legislativas a dizer que era preciso um novo acordo com o Partido Socialista. E depois, de repente, sem qualquer mudança de orientação política, sem assumir uma mudança de orientação política, está até à última a criar a expectativa se vota, se abstém, se vota contra, e depois, de repente, decide votar contra. As pessoas não percebem isso, não perceberam isso. É uma atitude contraditória. E portanto, apesar do voto contra, no nosso ponto de vista, ter sido um passo certo, um passo na direção certa, o processo foi errado, foi contraditório. Por quê? Porque o Bloco não se assumiu como oposição antes. O Bloco tinha que se ter assumido. Não há uma palavra, desde o líder parlamentar até qualquer outro deputado, a dizer no Parlamento: "Nós somos oposição." Antes disto, antes da maioria absoluta. Repare, eu ponho as mãos no fogo por isso. Não há uma palavra do grupo parlamentar, dos meus camaradas, a tornarem claro.

O Bloco não deve colocar-se a jeito, pelo aquilo que entendo na sua palavra, a jeito do Partido Socialista, a jeito de voltar a ser um parceiro como foi na Geringonça, nunca mais?

Não, repare uma coisa. Eu tentei discernir as coisas. Uma coisa é nós termos um programa político próprio e numa campanha eleitoral e no dia a dia do combate político, do debate político democrático, nós afirmarmos um programa com autonomia, afirmarmos bandeiras próprias. Outra coisa é o que se passa depois das eleições. Depois das eleições, depende muito da correlação de forças que for criada. E aí podemos ter que negociar, não sabemos. Agora, fazer depender uma linha política da hipótese de haver necessidade de negociações é diluirmos completamente o nosso programa político.

Mas também é esconder o jogo às pessoas, aos eleitores.

Esconder o quê? Nós dizemos: estamos disponíveis para. Outra coisa é dizer: nós queremos entrar num governo com o Partido Socialista ou numa maioria com o Partido Socialista.

O Bloco não deve querer entrar num governo com o Partido Socialista.

Não, o Bloco não deve definir a sua linha política em função disso.

Mas deve querer entrar num governo do Partido Socialista.

Depende. Como é óbvio, depende do programa. Repare, por exemplo, o programa minimalista que deu origem à Geringonça, que foi necessário, porque eu participei nessas negociações, quer dizer, foi necessário numa semana, praticamente, definir um programa mínimo pra haver um acordo com o PS, PCP e Bloco. E, portanto, foi um programa minimalista. Aliás, a prova disso é que houve situações, houve áreas, temas em que nós não conseguimos chegar à conclusão e foram criados grupos de trabalho específicos pra isso. Isso é evidente desta pressa que houve em resolver os problemas. Agora, neste momento, fazer um acordo, seja ele com quem for, à esquerda, como é óbvio, sem que haja um programa bem definido, eu acho que era um erro.

E é essa a expectativa que tem pra esta convenção nacional. Perguntava-lhe, depois desses mínimos olímpicos nas últimas legislativas, se o Bloco acabar por escolher manter este rumo que tem seguido até aqui, acredita que pode estar em causa a sobrevivência do partido?

Não, eu acho que se não mudarmos de rumo, é muito difícil reconquistar a credibilidade junto das pessoas. Eu estou absolutamente empenhado em reconquistar, em reganhar essa confiança, porque eu acho que é preciso uma esquerda forte, radical, aliás, inclusivamente como barreira também ao avanço da extrema-direita, e esta hesitação que a atual direção do Bloco tem relativamente a estas questões, criam, de facto, um buraco no quadro político que eu acho que é preciso resolver.

E antes de avançarmos pra segunda parte deste programa, muito rapidamente, isso é um sim à pergunta: está em risco a sobrevivência do partido se nada mudar?

Repare, eu não quero ser dramático, não vale a pena. Não estamos aqui num teatro. Não quero utilizar dramatismos sobre isso. O que eu digo é que é uma situação muito complicada se o Bloco não mudar de rumo.

Muito bem. Vamos avançar então pro nosso segmento Carne ou Peixe. Já sabe como é que funciona, só pode escolher uma de duas opções.

Não se pode ser vegetariano.

Ainda não chegamos aí, mas estamos a trabalhar pra isso, porque nós somos inclusivos. Vamos trabalhar nisso. Venha daí a trilha. Quem convidava para comer um bacalhau à Braga? Mariana Mortágua ou Catarina Martins?

Eu tenho todo o gosto em almoçar ou jantar com qualquer uma delas e certamente que isso acontecerá. Mas neste momento eu estou mais interessado em conhecer, por exemplo, o que se passa com o programa para a habitação do governo. Talvez fosse mais interessante almoçar neste momento com a ministra da Habitação.

Quer fazer outro convite. E quem é que convidava para ser seu assistente nas aulas, Pedro Filipe Soares ou Jorge Costa?

Eles acho que não têm grandes competências na minha área, onde eu dou aulas.

Não sabem geografia?

Não, talvez não.

Está a arriscar-se a passar fome. Preferia ser ministro num governo de Pedro Nuno Santos ou nunca ver o Bloco de Esquerda chegar ao poder?

Eu não estou muito interessado em ser ministro, palavra de honra. Mas de qualquer modo, eu simpatizo com o Pedro Nuno Santos, trabalhei com ele na Lei de Bases da Habitação, acho que foi um bom trabalho que fizemos. Agora não me estou a ver como ministro, sinceramente.

E para terminar, existindo uma maioria parlamentar de esquerda, preferia que o Bloco assinasse de cruz uma nova geringonça ou que permitisse ao PSD governar com o Chega?

Assinar de cruz nunca. Nem uma coisa nem outra. Assinar de cruz não, isso foi o que se incutiu na opinião pública, é que o Bloco estaria disponível para assinar de cruz qualquer coisa desde que fosse com o PS. Eu rejeito completamente esse caminho.

Muito bem, como é hábito no nosso programa, o convidado tem a oportunidade de servir uma sobremesa, no caso, uma música. Que música é que nos traz e por quê?

A sugestão é que seja uma música do Queen, sendo uma banda que eu gosto bastante, "Under Pressure", com um desempenho fabuloso do Freddie Mercury, como sempre. E acho que de certo modo retrata a situação social que nós estamos a viver. As pessoas estão sob pressão, a pressão do salário, a pressão do trabalho, a pressão dos problemas familiares. E o Freddie Mercury dizia uma coisa muito interessante, que eu acho que a gente pode tirar conclusões sobre isso. É que apesar desta pressão que por vezes nos aliena da realidade, nós não podemos ficar em cima do muro. Ele diz: isso não funciona. Vamos sair do muro e vamos meter este debate na realidade e vamos tentar mudá-la.

Muito bem, Pedro Soares, muito obrigado por ter vindo à Vixi Soares.

Obrigado eu.

Os nossos ouvintes já sabem, podem nos ouvir sempre à sexta-feira ou nas plataformas habituais. Até à próxima.