Legionela

Surto de Legionella. Há nove arguidos no processo

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O Ministério Público constituíu nove arguidos, entre eles duas empresas: a General Electric e a ADP Fertilizantes devido ao surto de Legionnela que matou 14 pessoas em 2014.

Bactéria foi detetada nas torres de refrigeração da Adubos de Portugal

Tiago Petinga/LUSA

Quase dois anos depois do surto de Legionella no concelho de Vila Franca de Xira, a investigação da Polícia Judiciária coordenada pelo Ministério Público conta com nove arguidos. Entre eles há duas empresas, a ADP Fertilizantes e General Electric, segundo apurou o Observador. O caso provocou a morte a catorze pessoas e mais de 400 foram infetadas e tiveram que receber tratamento hospitalar.

Depois de passadas a pente fino várias fábricas na zona do Forte da Casa, freguesia do concelho de Vila Franca de Xira, e de descoberta a origem do surto da bactéria, a General Electric — que faz a manutenção das torres de arrefecimento da ADP Fertilizantes — e a própria ADP foram constituídas arguidas, avançou o Diário de Notícias. No processo, apurou o Observador junto do Ministério Público, há ainda sete outros arguidos que são “pessoas singulares”.

A investigação, iniciada em 2014, com centenas de queixas no Ministério Público, tem-se revelado complexa devido à prova pericial necessária para deduzir uma eventual acusação.

O inquérito encontra-se em investigação e envolve recolha e análise de prova que se tem vindo a revelar como muito complexa e exames periciais igualmente de grande complexidade, alguns deles complementares a outros já realizados mas essenciais para a descoberta da verdade”, diz fonte oficial do Ministério Público ao Observador.

A doença do legionário é provocada pela bactéria Legionella pneumophila e contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.

O surto de Legionella em Vila Franca, que vitimou centenas de pessoas, foi detetado a 7 de novembro de 2014. A sua origem foi detetada dias depois e confirmada pelas autoridades de saúde, que analisaram as torres de arrefecimento da fábrica ADP Fertilizantes, antes conhecida por Adubos de Portugal.

Na altura, segundo o comunicado conjunto da Direção-Geral da Saúde, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e da Inspeção Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território as análises confirmaram “que o isolamento por cultura da Legionella encontrada em amostras de água de torres de arrefecimento, apresenta um perfil molecular semelhante ao das estirpes clínicas, obtidas em doentes com pneumonia devida, comprovadamente, a doença dos Legionários”.

Nestes termos, para fins epidemiológicos, no plano descritivo, foi identificada uma fonte emissora de aerossóis contaminados (…). Serão enviados ao Ministério Público os relatórios até agora produzidos bem como os relatórios da sequenciação do genoma para eventual apuramento de crime ambiental com origem na água de uma das torres de refrigeração da empresa Adubos de Portugal (ADP)”.

A ADP emitiu um comunicado a lamentar “profundamente as consequências nefastas deixadas pelo surto de Legionella registado no concelho de Vila Franca de Xira, em novembro de 2014″ e expressou “a sua total solidariedade para com todos aqueles que, de forma direta e indireta, temporária e permanente viram as suas vidas afetadas pelo ocorrido.”

A empresa acrescenta ainda que está disposta a colaborar com as “autoridades competentes para o cabal apuramento da verdade.”

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