Soflusa

Uma mulher desmaiada, feridos e lotação completa. Afinal, o que se passa com os barcos da Soflusa?

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Metade dos barcos da Soflusa, que faz a ligação fluvial entre o Barreiro e Lisboa, não estão a funcionar. Uma mulher desmaiou, vários passageiros ficaram feridos e a porta do barco ficou partida.

A Soflusa é a empresa responsável pelas ligações entre a estação do Barreiro e do Terreiro do Paço, em Lisboa

MARIO CRUZ/LUSA

O aviso chegou na sexta-feira da semana passada: “de 9 a 13 de outubro de 2017, não será possível assegurar a totalidade das carreiras da ligação fluvial Barreiro – Terreiro de Paço”, podia ler-se num comunicado emitido pela Softlusa. O motivo? “Indisponibilidade de frota”. A empresa garantiu que estava a “desenvolver todos os esforços para repor a normalidade das carreiras”, mas normalidade não é o que se tem verificado por estes dias na estação do Barreiro.

“As pessoas estão desesperadas para ir trabalhar”, disse um passageiro à Rádio Renascença, mas, antes das 8h00, já se podia ler num placard eletrónico “Lotação completa”. De acordo com a mesma fonte, esta quarta-feira estavam cerca de mil pessoas no cais de embarque. Cada barco tem capacidade para 600 pessoas.

Cheguei 40 minutos atrasado e até tinha chegado mais cedo ao terminal. Não tenho um meio alternativo. Pago 45 euros de passe e lá em casa somos três prejudicados”, disse um estudante ao Diário de Notícias esta quarta-feira.

Ainda assim, a empresa está satisfeita com o número de ligações realizadas na hora de ponta desta quarta-feira. Das nove que estavam previstas, oito foram realizadas mesmo com “a agravante do nevoeiro”, disse a secretária-geral da Transtejo, Margarida Perez Perdigão, ao Observador, que se mostrou satisfeita por não ter havido incidentes esta quarta-feira. “Houve um numero de ligações realizadas muito satisfatórias na hora de ponta”, apontou.

Às 17h00 desta quarta-feira a frota da ligação fluvial entre o Barreiro e Lisboa da Soflusa foi reforçada com o navio “Cesário Verde”, informou a empresa em comunicado.

Ligação fluvial entre Barreiro e Lisboa terá perturbações esta semana

O pedido da administradora da Soflusa, Marina Ferreira, numa conferência de imprensa na terça-feira não foi suficiente. Na sequência dos incidentes que aconteceram naquele dia, Marina Ferreira fez um “apelo aos passageiros para tentarem coordenar as deslocações, para não haver um tão grande aglomerado de pessoas” entre as 8h00 e as 9h00. “Felizmente, não aconteceu nada de grave, mas é uma preocupação para a empresa porque é uma questão de segurança dos passageiros”, disse ainda na conferência de imprensa.

Na terça-feira, a situação ultrapassou as indignações dos passageiros: houve desmaios, feridos e até uma porta do barco partida. Houve várias pessoas que se sentiram mal e uma mulher chegou a desmaiar. Vários passageiros ficaram feridos quando tentaram forçar a entrada do barco, acabando por partir uma porta. Houve ainda estragos em vários torniquetes, disse ao Observador.

Mas o que se passa com os barcos da Soflusa?

Marina Ferreira culpa os cortes orçamentais dos últimos anos que impediram fazer a manutenção dos barcos. Essa manutenção está ser feita neste momento, explicou na conferência de imprensa. Daí que quatro dos oito barcos estejam parados e não “pela boa vontade das autoridades marítimas”, alertou o presidente do Sindicato da Mestrança e Marinhagem da Marinha Mercante, Energia e Fogueiros de Terra (Sitemaq), Alexandre Delgado, à Renascença.

Deixou-se chegar a frota a um nível de degradação tão grande que ou vão rapidamente comprar navios já feitos ou se mandam construir e nem daqui a quatro ou cinco anos existem”, explicou o presidente do Sitemaq à mesma fonte.

Alexandre Delgado explicou que “as autoridades marítimas” têm vindo a adiar “os prazos dos certificados de navegabilidade mês após mês”. E revelou: “Se cumprissem o que devia ser feito em termos de legislação de segurança, estes quatro [barcos] já não andavam. Eventualmente, um ou dois”.

Quais são as previsões?

O comunicado da Soflusa apontava a semana de 9 a 13 de outubro de 2017 pelo que, se espera que a partir desta sexta-feira, a situação regresse à tal normalidade. Margarida Perdigão disse o mesmo ao Observador.

Mas o presidente do Sitemaq tem dúvidas e admite a possibilidade de que na próxima semana fique “mais algum” barco avariado, justificando-se com o facto de se tratar de “máquinas que estão muito sobrecarregadas”. “Há barcos que já ultrapassaram em muito as horas de navegação sem revisão. Alguns estão no dobro”, revelou.

(artigo atualizado às 16h30 com a informação acerca do reforço da frota da Soflusa às 17h desta quarta-feira)

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