Reserve as noites de quinta ou sexta-feira. No Cinema Nimas, em Lisboa, às 23h30, e no UCI Arrábida, em Gaia, às 21h30 e 23h30, o documentário sobre os The National, “Mistaken for Strangers”, vai ser exibido no grande ecrã, em sessões especiais.

A propósito do concerto da banda norte-americana no festival Primavera Sound, que decorre no Porto entre 5 e 7 de junho, a distribuidora Alambique associou-se à Medeia Filmes para dois dias de exibições especiais do documentário “Mistaken for Strangers”, que nos dá uma outra visão da banda que tantos conhecem pela melancolia das canções.

Recuemos a 2010. Os The National acabavam de lançar o seu quinto álbum, High Violet, após dez anos nas boas graças da crítica. Quando se preparavam para embarcar na maior digressão de sempre, o vocalista Matt Berninger convidou Tom, o irmão nove anos mais novo, para fazer parte da equipa da digressão. Fazia todo o sentido, numa banda onde há dois conjuntos de irmãos, Aaron e Bryce Dessner, Scott e Bryan Devendorf.

“Mistaken for Strangers” acompanha a história dos dois irmãos em momentos muito diferentes das suas vidas. Na digressão, Tom tem dificuldades para cumprir as suas obrigações como membro da equipa. Ao ver o irmão dar concertos esgotados para fãs aos gritos, Tom sente-se cada vez mais afastado de Matt. Fã de heavy metal e filmes de terror, nem sempre compreende o sucesso da banda indie. Resultado: deixa-se cair em maus hábitos, perde o rumo ao filme que está a tentar fazer e Matt começa a apertar com ele. Até que, finalmente, Tom é despedido.

“O meu irmão é uma estrela Rock e eu não”, disse Tom Berninger a propósito do filme. De entrevista em entrevista, perguntavam a Matt como era ser o único elemento da banda que não tem um irmão. “Eu quase nunca era referido. Levei a câmara na digressão como forma de entender o Matt um pouco melhor e talvez também como forma de me introduzir no cenário”, confessou.

“Tinha cerca de 200 horas de filmagens e não tinha uma ideia concreta quanto ao que queria fazer. Foi uma batalha para conseguir encontrar uma história que encaixasse. A banda não se tinha separado nem tinha sido abandonada pela editora. Ninguém era dependente de drogas nem tinha problemas com o jogo”.

O resultado é uma janela para os bastidores de uma banda pouco conhecida pela sua vida social e apontada tantas vezes como triste e melancólica. Os bilhetes para ver “Mistaken for Strangers” no Nimas custam quatro euros. No UCI Arrábida custam 6,20 euros.