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O diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), António Filipe Pimentel, desmente ao Observador que a coleção de 300 gravuras de Rembrandt encontradas em Águeda tenham o valor de raridade que a Fundação Dionísio Pinheiro lhe atribuiu.

“A opinião do MNAA não corresponde nada a essa versão entusiasta. É uma edição fac similizada, nem sequer é uma re-impressão das gravuras originais”, explicou. “Nada, do nosso ponto de vista, aponta para que estejamos perante uma descoberta de 300 gravuras originais de Rembrandt. Isso seria excelente, mas não me parece que tenhamos essa sorte”.

António Filipe Pimentel partilha, assim, da opinião de Maria José Goulão Machado, historiadora de arte e Professora Auxiliar da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. A especialista, que foi a primeira conservadora da Fundação Dionísio Pinheiro, em 1985, sustentou, em mensagem enviada ao Observador, que a coleção não é composta por gravuras feitas à mão mas sim por “reproduções do lote original de águas-fortes de Rembrandt feitas em Franca no séc. XIX”. E que tem estado “identificada, inventariada e classificada” desde a altura em que trabalhou como conservadora daquela Fundação.

Segundo aquela instituição, tratava-se da maior coleção do mundo de gravuras de Rembrandt e tinha sido descoberta há pouco tempo. Ao Observador, Vieira Duque, conservador da coleção Dionísio Pinheiro, defende que o seu trabalho “é real e assenta em boas práticas”. Quanto às gravuras, atesta “o facto de ter encontrado por classificar 282 gravuras feitas entre os Séc. XVII e XIX sobre vários tipos de papel, alguns com marcas de água e datados e algumas gravuras com marca de colecionador”, escreveu em comunicado ao Observador.

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“Quanto à documentação que complementa esta exposição trata-se de documentos que atestam o trajeto desta coleção do Séc. XIX até às mão de Dionísio Pinheiro e nada posterior a isso” apontou também Duque Vieira. No que diz respeito`às considerações do MNAA, o conservador questiona se a instituição “poderá desmentir a importância do Salvator Mundi” que a Fundação emprestou à exposição Vita Christi – que teve lugar naquele museu entre dezembro de 2013 e março de 2014 -, lembrando o protocolo celebrado entre as duas instituições na altura.

As gravuras terão sido compradas por Dionísio Pinheiro, empresário do setor têxtil que fez fortuna no Porto, nos anos 50, e fizeram parte da coleção Conde do Ameal – que as adquiriu à Biblioteca Nacional de Paris. 14 das 282 gravuras estão agora ser expostas ao público em Águeda.

Segundo a Fundação, uma parte daquele espólio foi mostrado ao Museu Nacional de Arte Antiga que se tinha mostrado muito “entusiasmado” com a descoberta.