Rui Costa, investigador principal na Fundação Champalimaud, em Lisboa, foi premiado com o Young Investigator Career Award (YICA), da Fundação Louis-Jeantet, um prémio de carreira pelo trabalho desenvolvido na área das neurociências, que foca sobretudo o trabalho desenvolvido sobre as dificuldades de aprendizagem.

“É um prémio importante na Europa. Ter recebido este prémio de carreira para jovens investigadores é uma honra muito grande e uma motivação para tentar descobrir como as coisas funcionam realmente”, diz o neurocientista ao Observador. “Cedo na minha carreira trabalhei nos mecanismos que levam a deficiências de aprendizagem de origem genética. Depois, tenho incidido muito do meu trabalho sobre a aprendizagem de novas acções, na formação de hábitos e no impacto que isso pode ter em várias adições e compulsões.”

Com os 100 mil francos suíços (cerca de 82 mil euros) do prémio, atribuídos para financiar a investigação, Rui Costa e respetiva equipa vão poder obter “imagens cerebrais profundas das células específicas que intervêm no processo de aprendizagem das ações”, segundo o comunicado da Fundação Champalimaud.

“O estudo da ação consiste em perceber como é que agimos e não como memorizamos os estímulos, os factos ou os acontecimentos. Algumas ações são inatas ou pré-estabelecidas (por exemplo engolir ou respirar) mas na maioria das vezes são ensinadas ao longo da nossa vida, provavelmente através de um processo de tato e avaliação”, refere o comunicado.

A Fundação Louis-Jeantet foi criada em 1983 com o objetivo de contribuir para o avanço das ciências médicas e biomédicas.

Já este mês de julho o investigador viu publicado na Nature Communications um estudo que coordenou sobre os circuitos que cada hemisfério do cérebro usa para controlar os lados opostos do corpo.

Do prémio atribuído na edição de 2014 constam ainda 10 mil francos suícos (cerca de 8 mil euros) que poderão ser usados a título pessoal pelo investigador, que pertence ao Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud desde 2009.

A Fundação Louis-Jeantet foi criada em 1983 com o objetivo de contribuir para o avanço das ciências médicas e biomédicas. A partir de 2014 atribuirá anualmente o prémio YICA a um investigador de excelência científica na Europa. Investe, atualmente, cerca de 4,5 milhões de francos suíços em projetos locais e europeus ligados à medicina. Este ano também foi premiado Jason Carroll, investigador na Universidade de Cambridge, pelo trabalho relacionado com o cancro da mama.

 

Atualizado com declarações do investigador.