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O cinto de segurança pode salvar-lhe a vida. Esta frase será tanto mais verdadeira quanto mais funções puderem ser desempenhadas pelo objeto. E se este pudesse avisá-lo que está a adormecer? Não é ficção. Um consórcio que junta institutos de investigação e tecnologia e empresas do ramo têxtil e automóvel criou sensores não invasivos para veículos no âmbito do projeto HARKEN (Heart and respiration in-car embedded nonintrusive sensors).

Os sensores estarão presentes no assento e no cinto de segurança, permitindo medir a atividade cardíaca e respiratória do condutor e serão ligados a uma unidade de processamento de sinal que, em tempo real, deteta indícios de fadiga ou sonolência e emite um alerta sonoro.

“Quando se entra em estados de fadiga e sonolência há modificações na respiração e frequência cardíaca. Monitorizando essas constantes pode se detetar e, portanto, avisar o condutor antes do aparecimento dos sintomas de fadiga”, referiu em comunicado José Solaz, diretor de Inovação de Mercados em Automóveis e Meios de Transportes do IBV.

O sistema é capaz de distingir as vibrações do automóvel e movimentos do condutor dos efeitos mecânicos causados pelos batimentos cardíacos e pela respiração. O consórcio, coordenado pelo grupo Borgstena Portugal, sedeado em Nelas, espera que este protótipo venha diminuir o número de acidentes causados por fadiga.

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Dos 1,2 milhões de acidentes ocorridos na União Europeia em 2008, 8,3% foram motivados pela fadiga, segundo os dados do Fórum de Segurança Electrónica (eSafety Forum). No caso dos acidentes fatais a proporção aumenta, sendo a fadiga do condutor responsável por 20 a 35% dos casos. Prevê-se que em 2020 os acidentes devido à fadiga sejam a terceira causa de morte e incapacidade no mundo.

O dispositivo já foi testado em condições reais, mas em circuito fechado, numa escola de condução, com resultados promissores. Em breve, será testado em situações reais de tráfego. Além de aumentar a segurança rodoviário em geral, espera-se que o dispositivo diminua o número de acidentes de trabalho relacionados com a condução sob o efeito da fadiga. Os investigadores prevêm que daqui a dois anos possa estar em qualquer veículo.

O projeto HARKEN, iniciado em julho de 2012, conta com financiamento europeu no âmbito do 7º Programa-Quadro. O IBV ocupou-se dos sinais que deviam ser detetados e registados, a Universidade de Manchester desenvolveu os materiais, o Instituto de Inovação da Estónia é reponsável pelo sistema eletrónico e de amplificação do sinal e as empresas vão incorporar o protótipo nos materiais usados nos veículos, explicou José Solaz.