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Portugal tem uma cena musical de qualidade, ao nível da internacional e que promete emergir nos próximos anos. Esta é a conclusão a que chegou a revista francesa Les Inrockuptibles num artigo de destaque publicado na sua página oficial. Com o título “Portugal: a inesperada riqueza da nova cena musical”, o texto destaca o surgimento de um novo movimento musical ao longo do país, a partir de grupos que se organizam localmente mas que são diretamente influenciados pelo que acontece no mundo.

Apesar de citar artistas já consagrados, como The Legendary Tigerman, WrayGunn e Buraka Som Sistema, a publicação centra-se nos novos nomes da música que emergiram nos últimos anos. É o caso do Throes + The Shine, que já havia sido referenciado numa edição anterior da revista como “um grupo para ser seguido”, pela influência africana nas suas melodias pop-rock, sem representar uma “perda da sua identidade musical”. A música dos Best Youth é considerada “pop romântico e californiano” à qual “ninguém pode resistir”, enquanto Noiserv, projeto do músico David Santos, chamado de “homem orquestra” pela revista, é dono de “registos de qualidade” onde “se sobrepõem a sua voz e os seus instrumentos”.

A publicação ainda cita grupos como Sequin, Memória de Peixe, Nice Weather For Ducks, First Breath After Coma, The Allstar Project, Bússola e Les Crazy Coconuts, entre outros. Ainda há uma menção ao festival NOS Alive, que representa a renovação da cena musical portuguesa, tanto “nas suas ambições como no seu rigor artístico” ao colocar juntos algumas grandes cabeças de cartaz (The Black Keys, Arctic Monkeys, Interpol) com talentos locais (Noiserv, We Trust, PAUS).

Para além dos grupos, a publicação também destaca a maneira como a nova cena musical portuguesa se organiza ao longo do país, desenhando “novos centros de gravidade de um movimento emergente que tende a generalizar-se”. É o caso das editoras discográficas Lovers & Lollypops do Porto e a Omnichord Records de Leiria, destacadas pelos princípios voluntaristas e de cooperação cultural entre os grupos e as cidades onde se localizam.

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Por fim, a revista atribui à internet e à internacionalização dos seus jovens protagonistas as razões do surgimento desta nova cena, apesar de musicalmente não haver nenhum ponto em comum entre todos os artistas. E conclui: “é uma loucura ver como esses grupos continuam a ser privilégio de um público especializado, curioso e instruído. Esta é o duplo castigo de um país onde o setor cultural está a sofrer”.

Aproveite para conhecer os grupos citados:

Throes + The Shine – “Dombolo”

Noiserv – “Today is the same as yesterday, but yesterday is not today”

Best Youth – “Still your girl”