Uma média de 63,3 pontos, numa escala de zero a 100, e 62,8% dos professores a cometerem pelo menos um erro ortográfico quando lhes foi pedido que produzissem um texto. Estas são duas das conclusões que se retiram dos resultados da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidade (PACC), divulgados esta segunda-feira pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC). No total, foram aprovados 8.747 professores entre dos 10.220 que se inscreveram na prova.

No “item de resposta extensa”, assim denominado pelo MEC, foi pedido aos professores que escrevessem um texto “com um número de palavras compreendido entre 250 e 350”. De acordo com os resultados divulgados pela tutela, apenas 37,2% dos docentes “não apresentam erros” e “em cerca de 30% das respostas registam-se um a dois erros”. De resto, 14,8% dos docentes cometeram cinco ou mais lapsos de ortografia.

“Desde a promoção de uma alimentação saudável às regras de higiene, do consumo de substâncias tóxicas à iniciação das práticas sexuais, da prevenção em espaço público à preservação do ambiente, existem domínios diversos em que a escola é chamada a exercer a sua função educadora. Se a família o faz menos, a escola terá de compensar, e vice-versa.” – frase, da autoria de David Justino, sobre a qual foi pedido aos professores que, na PACC, expusessem a sua opinião.

Na categoria de erros de pontuação, a percentagem é mais reduzida: apenas 33,4% dos professores concluíram este item sem qualquer lapso. A sintaxe é o parâmetro que registou o melhor desempenho, e quase metade (47,1%) dos docentes terminaram a resposta sem erros.

Este item, ao qual o MEC reconheceu “uma relevância incontornável”, valia 20 dos 100 pontos da PACC, enquanto os restantes 80 estavam distribuídos pelas 32 perguntas de escolha múltipla.

O MEC revelou que, inicialmente, a PACC contava com 13.551 professores inscritos. No final, contudo, apenas 10.220 provas foram “validadas” — dos quais 85,6%, ou 8.747, obtiveram uma classificação positiva. Logo, 3.331 professores não realizaram a prova ou esta não foi validada pelo Instituto de Avaliação Educativa. O exame, recorde-se, foi realizado em 118 estabelecimentos de ensino, em duas datas: a 18 de dezembro de 2013 e, depois, a 22 de julho último.

Quanto à classificação, a média ficou-se nos 63,3 pontos. O Conselho Diretivo do Instituto de Avaliação Educativa, entidade do MEC encarregue de analisar as provas, tenha ressalvado que a mediana dos resultados foi de 68,2. “O que significa que metade dos candidatos regista uma classificação superior a este valor”, explicou, em comunicado, o organismo.

Entre as classificações positivas (igual ou superior a 50 pontos), uma parte “significativa” dos professores (24,7%) teve uma cotação entre os 70 e os 79 pontos. Dos 60 aos 69 pontos ficaram 22,6%. “Cerca de 22%”, lê-se no comunicado, atingiram uma classificação “igual ou superior a 80 pontos” e, desses, 4,2% alcançaram um resultado entre os 90 e os 100 pontos.

O MEC sublinhou que a PACC pretendeu “valorizar a profissão docente e, do mesmo modo, a escola pública”, ao explicar que, assim, ela “passa a dispor de critérios de seleção que valorizem os docentes que evidenciam os conhecimentos e capacidades que agora se avaliam”. A tutela ressalvou também que a prova “não visa substituir o valor probatório da formação inicial” dos professores.

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