Os níveis de mercúrio à superfície nos oceanos triplicaram como consequência da poluição, avança um novo estudo. A acumulação de metais tóxicos na Natureza é um problema crescente que tem implicações graves no ecossistema, e está particularmente presente nos oceanos, que funcionam há décadas como escoadouro do lixo produzido pelo ser humano. A vida marinha absorve muitos dos elementos perigosos, estes acumulam-se na cadeia alimentar e afetam, no final da linha, os próprios humanos.

Segundo o texto publicado na revista Nature, os níveis de mercúrio nos oceanos triplicaram desde a Revolução Industrial. As minas, as centrais de energia elétrica produzida a carvão e os esgotos não tratados são algumas das fontes de mercúrio, que é libertado para a atmosfera e para os oceanos. No século XIX era usado para curar a sífilis. Agora, a substância química ainda é usada em algumas regiões do mundo na joalharia artesanal e em processos de mineração de ouro em pequena escala.

Os cientistas afirmam que no Atlântico Norte existem maiores concentrações de mercúrio em relação a iguais profundidades no Atlântico Sul e no Oceano Pacífico. Contudo, este metal pesado demora décadas a redistribuir-se pelas diferentes profundidades. Além disso, devido aos ventos e correntes oceânicas, o Circulo Ártico é uma zona do globo particularmente afetada. Investigadores detetaram níveis anormalmente elevados de mercúrio nos predadores de topo, nomeadamente nos ursos polares. Ainda está por estudar a distribuição do mercúrio na profundidade oceânica e estes dados são importantes para compreender as respetivas implicações na cadeia alimentar.

À medida que estamos expostos ao mercúrio, particularmente através da alimentação, este acumula-se no nosso corpo. Vários cientistas têm alertado para o facto de que grávidas e crianças devem limitar o consumo de algumas espécies de peixe, tais como o espadarte e a cavala, que concentram particularmente maiores quantidades deste metal pesado. Nas grávidas o mercúrio pode causar malformações graves no feto. A toxicidade do mercúrio é tão elevada e os efeitos tão graves, que é por isso considerada pela Organização Mundial de Saúde uma das dez substâncias mais nocivas para a saúde.