Ir ao cinema torna-se uma atividade cada vez menos atrativa para os portugueses. Esta é a conclusão que se chega ao analisar os dados divulgados pelo Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) esta quarta-feira.

O número de espetadores nas salas de cinema no primeiro semestre de 2014 registou uma queda de 3,7% em relação ao mesmo período de 2013, o que equivale a menos de cerca de 246 mil pessoas. Somente no mês de julho a queda foi de 12,7%, quando 138.437 pessoas deixaram de ir à salas de filmes em comparação ao mesmo mês do ano passado.

A queda no número de espetadores em comparação a 2013 apresenta-se como uma tendência, constituindo apenas uma exceção o mês de abril quando estrearam dois dos maiores sucessos de público deste ano: “Rio 2” e “Noé”. De janeiro a julho de 2014, totalizaram-se 6,4 milhões de espetadores.

Com a queda no número de espetadores, a receita bruta de bilheteira recua menos 825 mil euros e totaliza 33,4 milhões de euros em 2014. A produtora Nos Lusomundo Audiovisuais mantém a liderança na concentração de mercado, com receitas de 20 milhões de euros na distribuição e 3,8 milhões de euros na exibição, e respondendo por 99 dos 188 filmes estreados neste ano.

Compare no gráfico abaixo a evolução do número de espetadores em 2013 e 2014 no mesmo período do ano:

De todos os filmes estreados em salas nacionais, o mais visto foi “Rio 2”, de Carlos Saldanha, com 265.688 espetadores. Os nomeados ao Oscar “O Lobo de Wall Street” e “12 anos escravo” completam o top 3. Entre os filmes estreados recentemente, destaca-se “A culpa é das estrelas”, que chegou aos cinemas em junho e já conseguiu a sexta posição.

Dos filmes portugueses ou com produção portuguesa estreados em 2014, o mais visto foi “Sei lá”, de Joaquim Leitão, com 61.730 espetadores, superando “Eclipse em Portugal” e “Ruas rivais” por quase 50 mil espetadores. É de salientar que “Ruas rivais” estreou na última semana de recolha de dados, o que torna surpreendente sua posição como terceira preferência nacional.