Os rebeldes Houthis, que controlam grande parte do território iemenita, bem como o estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, comprometeram-se que não atacarão navios europeus, noticiou esta sexta-feira o Financial Times (FT).
Segundo o jornal, citando duas fontes europeias, os Houthis enviaram uma carta com este compromisso em 10 de setembro, dirigida ao Serviço Europeu para a Ação Externa da União Europeia.
No mesmo dia, o grupo rebelde aliado do Irão tinha tomado o controlo do porto de Moka e a sua localização estratégica junto do estreito de Bab el-Mandeb.
Os Houthis fizeram uma promessa semelhante aos Estados Unidos, confirmada pelo Presidente norte-americano, que se tem recusado a intervir militarmente contra os rebeldes.
“Eles não querem lutar connosco. Estão a permitir a passagem da maioria dos navios. Há apenas um país com o qual não estão satisfeitos, e vamos resolver isso”, afirmou Donald Trump, aludindo à Arábia Saudita, que apoia militarmente o Governo internacionalmente reconhecido do Iémen.
O tráfego comercial através do Mar Vermelho, severamente restringido na última década pela longa guerra civil no Iémen, tem vindo a recuperar nos últimos três anos e mais ainda desde que o Irão iniciou o bloqueio no estreito de Ormuz, por onde passavam 20% dos hidrocarbonetos mundiais antes da ofensiva israelo-americana, lançada em 28 de fevereiro contra a República Islâmica.
A partir do Mar Vermelho, os navios de carga têm a opção de entrar e sair pelo Canal do Suez ou por Bab el-Mandeb.
Um porta-voz da Maersk, uma das principais empresas de transporte marítimo, confirmou ao Financial Times que não houve ataques a contentores no Mar Vermelho durante um ano, apesar do aumento do tráfego.
Os Houthis têm alegado que os seus recentes avanços militares no Iémen não procuram atingir a navegação comercial, exceto para os navios da Arábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo bruto, que estão sujeitos a um bloqueio dos rebeldes desde julho.
O grupo iemenita tem relatado repetidos bombardeamentos das forças de Riade, ao mesmo tempo que reivindicou ataques de retaliação contra alvos militares e energéticos sauditas.
Esta sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU apoiou o direito de defesa da Arábia Saudita face aos ataques dos Houthis e condenou a ofensiva dos rebeldes no Iémen, que já provocou dezenas de milhares de deslocados, e as ameaças à liberdade de navegação.
O posicionamento do Conselho de Segurança surge no mesmo dia em que o Paquistão confirmou estar a organizar uma reunião urgente com os chefes militares da Turquia e da Arábia Saudita para ativar o acordo de defesa mútua recentemente fechado pelos três países.
Após anos de relativa calma no Iémen, a frágil trégua acordada em 2022 entrou em colapso em julho, quando os Houthis desafiaram o controlo de Riade sobre o espaço aéreo iemenita, permitindo a aterragem no Iémen de um avião com representantes iranianos.
Os Houthis integram o chamado eixo da resistência, formado por grupos políticos e armados apoiados pelo Irão, ao lado do Hamas na Palestina, o Hezbollah no Líbano e milícias xiitas no Iraque.
Entre 2023 e 2025, atacaram navios comerciais no Golfo de Aden e Mar Vermelho, como forma de apoio ao Hamas na guerra com Israel na Faixa de Gaza.