O artista português Alexandre Farto, que assina como Vhils, foi convidado a intervir nas paredes do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, e o resultado pode ser visto a partir de sábado.

Alexandre Farto, de 27 anos, começou por pintar paredes com “graffiti” aos 13 anos, mas foi a escavar muros com retratos que captou a atenção geral. A técnica consiste em criar imagens, em paredes ou murais, através da remoção de camadas de materiais de construção, criando uma imagem em negativo.

Vhils foi convidado a intervir nas paredes do Teatro, “mas apenas nas do Salão Nobre”, no contexto do projeto ‘Memória (1964)’, que serve para assinalar o incêndio que destruiu o interior do edifício no Rossio, em dezembro de 1964, disse à agência Lusa fonte do Teatro Nacional D. Maria II.

Por se tratar de um monumento nacional, foi “solicitada e obtida autorização da Direção Geral do Património Cultural”, disse a mesma fonte, acrescentando que esta é a primeira vez que um artista cujo trabalho tem génese na rua expõe no Teatro D. Maria II.

A exposição, que abre portas no sábado e estará patente até 31 de julho de 2015, pode ser visitada às sextas-feiras e sábados entre as 15:00 e as 18:00, e de quarta-feira a domingo 30 minutos antes do início dos espetáculos da Sala Garrett.

Também em Lisboa, mas no Museu da Eletricidade, está patente a exposição “Dissecação”, a primeira a solo de Alexandre Farto num museu nacional.

Esta exposição, como explicou à Lusa durante a fase de montagem, “tenta questionar a cidade”, através da revisitação de trabalhos mais antigos e de outros inéditos.

Na mostra podem ser visionados vídeos de projetos que Alexandre Farto desenvolveu em países como a China (em Xangai) e o Brasil (no Morro da Providência, no Rio de Janeiro), recorrendo à técnica da “escavação” de retratos na parede, mas não só.

Ao longo do seu percurso, Vhils criou retratos em cartazes sobrepostos (retirados de muros de cidades), em madeira, em esferovite e em metal, com ajuda de, entre outros, martelos pneumáticos, explosões e ácidos.

Na semana passada, o Museu da Eletricidade anunciou que a mostra, patente até 05 de outubro, já tinha sido visitada por mais de 47 mil pessoas.