Desde 2007 que o Índice Ibrahim de Governação Africana (IIGA) faz um relatório anual da qualidade governativa nos países africanos. As avaliações são feitas pela fundação Mo Ibrahim, o nome do milionário sudanês que a criou com o objetivo de informar e ajudar os cidadãos, a sociedade civil, os parlamentos e os governos a medirem a qualidade das suas instituições e da sua governação
Foram divulgados esta segunda-feira os resultados deste ano, onde em primeiro lugar estão as Ilhas Maurícias. A seguir está Cabo-Verde, que conseguiu recuperar o lugar ao Botsuana, com 76,6 pontos na avaliação geral dos diferentes critérios, que estão agrupados em quatro categorias: Segurança e Estado de Direito; Participação e Direitos Humanos; Oportunidade Económica Sustentável; e Desenvolvimento Humano.
Onde Cabo Verde teve melhores notas foi na segurança e no funcionamento da lei e justiça, na área da participação cívica e direitos humanos e no bem-estar, nomeadamente no acesso à segurança social. Já na avaliação das infraestruturas, da administração pública, da segurança pessoal e dass condições oferecidas às empresas privadas, os resultados não foram tão bons.
Ao contrário do arquipélago cabo-verdiano, Moçambique não conseguiu manter a estabilidade dos últimos anos e recuou duas posições. Os culpados foram a segurança nacional e pessoal por causa do conflito entre o governo da Frelimo e as forças da Renamo, na oposição. Também o desenvolvimento de infraestruturas, o funcionamento da lei e o acesso à educação tiveram piores desempenhos. As melhores notas no acesso à saúde e na igualdade entre sexos não foram suficientes.
Já Angola, depois de anos de subida, perdeu cinco pontos e desceu cinco posições. Caiu para o 44º lugar (entre 52 países) e tem apenas 40.9 pontos. As perdas foram em vários campos: igualdade entre sexos, participação cívica e direitos humanos, bem como no ambiente económico. Embora tenha tido melhores avaliações na segurança nacional, no acesso à educação, saúde e funcionamento da administração pública, continua abaixo da média a África Austral.
A par desta tendência, a Guiné-Bissau foi um dos países que mais piorou desde nos últimos cinco anos. Está agora com 33,2 pontos, que surgem baseados na falta de oportunidades económicas, na baixa participação cívica e no funcionamento da lei. Em todas as categorias houve um claro recuo da Guiné-Bissau.
Já no que respeita a São Tomé e Príncipe, o pequeno arquipélago somou 59,7 pontos em 2013, mais um ponto do que no ano passado e mais 4,4 desde 2009, graças às boas notas em termos de segurança nacional e pessoal, participação cívica, igualdade entre sexos, acesso à saúde, educação e segurança social. As fragilidades em termos económicos do país são as causas de avaliações menos positivas, nomeadamente as deficiências da administração pública, falta de infraestruturas e de condições para as empresas privadas.
Por ordem crescente foram estas as classificações dos países lusófonos: Cabo Verde (2.º), à frente de São Tomé e Príncipe (12.º), Moçambique (22.º), Angola (44.º) e Guiné-Bissau (48.º).