Profissões que exijam maior precisão ou cargos de liderança que obriguem a um maior perfecionismo são fatores potenciadores de ideias suicidas. As conclusões são do departamento de Psicologia da Universidade de York, que considera que o perfecionismo deve ser analisado isoladamente e integrar diretrizes clínicas para uma maior prevenção e intervenção.

De acordo com o professor Gordon Flett, os comportamentos perfecionistas devem ser logo um alerta.

“É urgente olhar para o perfecionismo como um fator de risco individual e social. E assim encontrar abordagens de saúde pública para a prevenção do suicídio “, diz Flett .

Mais de um milhão de pessoas por ano comete suicídio. Em Portugal, segundo a Sociedade Portuguesa de Suicidologia, em cada 100 mil habitantes suicidam-se 15 homens e quatro mulheres. A média foi calculada de acordo com os casos registados em 2011 e tem flutuado de ano para ano. Em 1996 suicidaram-se cinco pessoas em cada 100 mil habitantes, por exemplo.

No artigo de investigação publicado pelo professor Paul Hewitt, da Universidade de British Columbia, e pelo professor Marnin Heise, da Universidade de Western, físicos, advogados e arquitetos, cujas ocupações requerem uma maior precisão, assim como profissionais que ocupam posições de liderança, enfrentam maior risco de suicídio.

No artigo  “The Destructiveness of Perfectionism Revisited: Implications for the Assessment of Suicide Risk and the Prevention of Suicide”, são feitas várias reflexões em como as pressões para ser perfeito estão ligadas a pensamentos suicidas. Os especialistas fazem uma ligação entre perfecionismo e falta de esperança. Ou seja, um perfecionista, dizem, nunca se sente bem no mundo em que vive, está sempre a tentar aperfeiçoá-lo, tem esperança que consegue, mas acaba por perder a esperança. Porque nunca está bem, está sempre à procura da perfeição.

“Os perfecionistas tendem a sentir-se sem esperança, têm uma dor psicológica, um stresse permanente”.

É por isso que os autores defendem programas de prevenção específicos de forma a reduzir os riscos de suicídio a que estão sujeitos, atrás de “uma máscara de aparente invulnerabilidade”.