Os estudantes portugueses estão pouco dispostos a sair de casa dos pais para irem estudar para uma faculdade ou politécnico noutro distrito. E porquê? Sobretudo por causa dos custos associados a essa decisão, lembra a professora da Universidade do Minho, Carla Sá, responsável por uma série de trabalhos de investigação sobre mobilidade geográfica e acesso ao ensino superior.

Em 2013, cerca de 19% dos candidatos ao ensino superior da Região Autónoma dos Açores, e de 28% dos candidatos da Madeira, só escolheram cursos das instituições locais. Mas foi no distrito de Lisboa que essa percentagem foi “mais expressiva”, “onde os 41% que atinge não podem ser dissociados do facto de ser o distrito com o maior número de instituições públicas de ensino superior”, lê-se na súmula de trabalhos de investigação que a professora da Universidade do Minho apresenta esta tarde na conferência “Acesso ao Ensino Superior”, na Torre do Tombo, em Lisboa, que encerra um mês de debates sobre temas específicos da Educação, promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Há contudo algumas instituições que “se caracterizam por áreas de recrutamento mais alargadas”, como as Universidades da Beira Interior, a de Coimbra e Trás-os-Montes e Alto Douro e o Politécnico de Bragança. Mas isso deve-se ao facto de “as instituições localizadas numa região menos povoada captarem mais alunos à volta”, explicou ao Observador Carla Sá.

A docente da Universidade do Minho refere que “a deslocação tem custos financeiros e sociais associados” e que por isso “para muitos alunos sobrepõe-se a proximidade” da instituição. Além disso, “a qualidade da universidade não se apresenta como relevante na explicação da mobilidade geográfica dos estudantes, sugerindo que os estudantes não estão conscientes de diferenças entre instituições”, pelo menos numa análise ao nível das instituições, e não ao nível dos cursos.

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E se é certo que o Governo, com o novo programa “+ Superior”, procura incentivar esta mobilidade, atribuindo uma bolsa de 1.500 euros aos alunos que se candidatem a uma instituição longe da área de residência, a verdade é que “o apoio oferecido pelo Estado não é suficiente”, diz Carla Sá, que acha que é preciso haver uma “política regional” integrada, por forma a pensar neste problema das “distorções regionais”.

A questão dos apoios financeiros é muito importante, mas também as instituições têm aqui um papel. Têm de rever a sua oferta, reorientá-la, para se destacarem em determinada área ou método de ensino. Além disso as instituições têm de ir ter com os alunos, por forma a que os estudantes tenham o máximo de informação possível no momento da escolha”, rematou a docente do Minho.