A greve no setor da produção de petróleo na Nigéria pode fazer parar a produção petrolífera do país nos próximos dias, avisou um responsável dum dos dois sindicatos que estão parados sem data para voltar ao trabalho. “Vamos começar a ver paragens no nosso fluxo de petróleo”, disse o porta-voz do sindicato dos trabalhadores da Associação de Gás e Petróleo Nacional da Nigéria, Emmanuel Ojugbana, acrescentando que não estão ainda marcadas as conversações com o Governo. “Assim que confirmarem as conversas, nós vamos negociar, mas neste momento a greve continua”, salientou.

Na última greve destes dois sindicatos, em setembro, a produção registou uma quebra de 3,2 por cento, segundo as contas da Bloomberg, que lembra que os 2,3 milhões de barris produzidos por dia no ano passado colocam o país no topo da produção africana e representam mais de um quarto de toda a produção no continente, bem à frente do segundo classificado, Angola, que bomba cerca de 1,8 milhões de barris por dia.

A greve no setor do petróleo na Nigéria é mais um problema para as finanças do país, a braços com uma descida do preço de petróleo que coloca o valor a cerca de metade do que é necessário para equilibrar o orçamento, segundo as estimativas do Deutsche Bank, citadas pela agência financeira Bloomberg. As exportações de petróleo da Nigéria representam 70% da receita do Governo e valem 95% das exportações.

O preço do barril de petróleo do mar do Norte (Brent) caiu esta terça-feira para valores inferiores a 60 dólares pela primeira vez desde 2009, provocando o receio dos mercados de uma nova crise económica global. Cerca das 8h de terça-feira, o barril de Brent para entrega em janeiro estava a cotar a 59,85 dólares no Intercontinental Exchange de Londres, o que representa uma queda de 1,21 dólares em relação ao fecho do mercado na segunda-feira. A cotação chegou mesmo aos 59,63 dólares, o nível mais baixo desde julho de 2009.

O outro valor de referência do petróleo, o “light sweet crude” (WTI), com entrega prevista também para janeiro, estava a cotar a 55,02 dólares no New York Mercantile Exchange (Nymex), 0,89 dólares abaixo do preço no fecho da sessão de segunda-feira.