Portugal vai ficar mais atrativo para os investidores estrangeiros nos próximos três anos, diz um estudo da Ernst & Young. Na edição de 2014 do Attractiveness Survey, para 67% das 200 empresas inquiridas a atratividade do país enquanto destino de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) vai melhorar em 2015, 2016 e 2017 – esta é a percentagem mais elevada dos últimos dez anos.

A par com esta melhoria, também há mais vontade de investir: 54 das empresas inquiridas têm planos de investimento em Portugal no curto prazo, relacionados, na generalidade, com a expansão de operações que já existem. Os novos projetos centram-se, sobretudo, na indústria transformadora, que representa 22% das intenções de investimento. Mais: 91% das empresas prevê permanecer em Portugal nos próximos dez anos.

“Estes resultados podem estar associada ao aumento de custos de produção na Ásia e a estratégias de ‘nearshoring’ [transferência do negócio ou dos processos de tecnologias de informação para um país vizinho, que fornece a mesma competência de trabalho qualificado, mas a um custo reduzido para o cliente final] de operações na Europa, com muitas empresas industriais e de serviços a procurarem realinhar as suas cadeias de valor ao novo enquadramento económico global”, lê-se no comunicado.

Lisboa foi considerada a região mais atrativa para o investimento estrangeiro: 38% dos inquiridos anunciaram que preferiam investir na capital portuguesa. A região Norte recebeu 31% das preferências, o Centro 9%, o Alentejo 2% e o Algarve 5%.

O estudo concluiu, por isso, que a perceção da atratividade está mais associada às cidades com maior reconhecimento internacional, do que às condições, recursos e competências concretas de cada região. Apenas 14% das empresas inquiridas no estudo considera que é fácil aceder a informação sobre as regiões, enquanto 52% indica que recebe regularmente informação sobre o país como um todo.

Quanto às atividades em que Portugal pode conseguir atrair mais investimento, destaque para aquelas que se relacionam com a Investigação & Desenvolvimento (I&D) e com a indústria transformadora – com 45% das respostas -, seguidas dos centros logísticos (37%).

“É especialmente importante o facto de os investidores identificarem em Portugal potencial para atração de projetos de I&D, pelo que isso representa em matéria de criação de emprego direto altamente qualificado bem como no potencial efeito de arrastamento no aumento de valor acrescentado na indústria e serviços produzidos em Portugal”, lê-se no comunicado.

Menos oito projetos de investimento em 2013

A perspetiva de futuro é animadora, mas o balanço de 2013 fica aquém do de 2012. No ano passado, o European Investment Monitor – base de dados alimentada com mais de 10 mil fontes de informação – registou 38 novos projetos de investimento estrangeiro em Portugal, menos oito do que em 2012. Mais: estes dados correspondem a cerca de 1% do total de novos projetos na Europa, incluindo a Rússia.

“Face aos resultados positivos quanto à perceção da atratividade futura do País, observa-se que os mesmos não se estão ainda a refletir no aumento do número de projetos de investimento concretizados e na quota global de investimentos em Portugal, face ao total da Europa”, lê-se no comunicado.

Como melhorar a atratividade de Portugal? Reduzindo a carga fiscal, referiram 46% das empresas, mais 13 pontos percentuais do que em 2013. O estudo conclui, por isso, que a decisão de reduzir da taxa de IRC dá resposta às pretensões dos investidores, mas que a carga fiscal ainda é considerada elevada.

A maioria das empresas (73%) que participaram no estudo da Ernst & Young considera que Portugal vai superar o período de crise em que emergiu. Destas, 85% calcula que isso acontecerá já nos próximos cinco anos. Contudo, é preciso que Portugal melhore a competitividade, ou seja, o equilíbrio das contas públicas.

“A direção exigida às políticas públicas para estimular a captação de investimento é exigente, mas também essencial para dinamizar a economia, especialmente atendendo às limitações no investimento público e à tradução na melhoria das condições de acesso ao crédito num aumento do investimento privado”, lê-se no comunicado.

Para 29% das empresas, é essencial que o país consiga reduzir o défice, a dívida pública e estabilizar a economia, para se tornar num país mais competitivo. Mais: é importante reduzir a burocracia, dar maior enfoque à inovação e I&D, melhorar a educação e a formação profissional, promover o empreendedorismo e a formação na utilização de novas tecnologias.

O Turismo foi considerado por 45% das empresas o setor mais determinante para o crescimento económico futuro de Portugal, seguido das Tecnologias de Informação e Comunicação (32%).

O ambiente macroeconómico é importante para a criação de uma perceção global de atratividade, mas as decisões de investimento são normalmente baseadas em fatores microeconómicos, diz o estudo. Por isso, “para um conjunto alargado de setores ou atividades, Portugal é uma localização competitiva para a localização de novos projetos“,lê-se.

O Attractiveness Survey baseia-se nos resultados de um inquérito a 200 empresas estrangeiras, das quais 85 não têm atividade em Portugal. A amostra tem uma distribuição geográfica e setorial alinhada com o histórico de investimento estrangeiro em Portugal.