“E o Globo de Ouro vai para…”, esta foi a frase que, na noite de domingo, proporcionou palavras emocionadas, agradecimentos e declarações de amor, mas também provocações e manifestações de cariz social a favor da liberdade de expressão. Na 72º edição do Globos de Ouro, a cerimónia de entrega de prémios mais importante nos Estados Unidos da América depois dos Óscares, houve tempo de antena para diversos discursos entre os vencedores. Por isso selecionámos algumas das frase que mais marcaram as últimas horas dedicadas à indústria do cinema.

Michael Keaton, Melhor ator de comédia/musical (“Birdman”)

“Incrivelmente honesto e emocional”. É desta forma que o Business Insider descreve as palavras proferidas por Michael Keaton assim que recebeu a estatueta dourada pelo papel desempenhado em “Birdman”. No filme, Keaton dá vida a um ator acabado, temporariamente famoso por interpretar um super-herói, que tenta regressar ao estrelato ao participar numa peça da Broadway.

Assim que o ator chegou ao palco, depois de declarado vencedor na categoria de melhor ator de comédia, agradeceu ao realizador Alejandro González Iñárritu. Depois, a emoção e um registo familiar tomaram conta do discurso. “Na casa onde cresci, os temas eram muito simples: trabalhar duro, não desistir, ser grato, muito grato, respeitador, nunca lamentar, nunca reclamar e, pelo amor de Deus, manter sempre um sentido de humor”. Visivelmente emocionado, o ator contou ser um de sete filhos de um casal sempre atarefado — o pai tinha dois trabalhos e a mãe uma lista imensa de afazeres, desde ir à missa a tomar conta de um “batalhão” de filhos. “Eu tenho seis irmãos e irmãs maravilhosos. O meu melhor amigo é bondoso, inteligente, divertido, talentoso, atencioso e pensativo — já disse bondoso? Ele é também… o meu filho, Sean”.

Amy Adams, Melhor atriz de comédia/musical (“Olhos Grandes”)

Uma Amy Adams atrapalhada confessou, assim que recebeu a estatueta, que não se tinha preparado para o momento em que seria declarada vencedora — “Nem apliquei lipgloss“, brincou. “Sinto-me uma felizarda por estar aqui e interpretar Margaret Keane [personagem, principal no filme “Olhos Grandes”], uma mulher que teve uma voz tão calma e uma coração tão forte. (….) Tenho sorte por estar aqui com um homem que nunca iria silenciar a minha voz. (…) Tenho tantos exemplos femininos aqui, esta noite, na audiência”. No curto discurso, a atriz mostrou-se ainda satisfeita pelo papel cada vez mais ativo da mulher na sociedade e agradeceu, entre outros, a Tim Burton e à filha de quatro anos.”Obrigada por este momento”, concluiu.

Julianne Moore, Melhor atriz de drama (“O meu nome é Alice”)

“Oh Meu Deus, oh Meu Deus, obrigada!”, disse uma Julainne Moore entusiasmada ao receber mais um Globo de Ouro. “A minha mãe sempre me disse que uma pessoa feliz era aquela que tinha trabalho e amor”, disse enquanto continha, à força, as lágrimas iminentes, agradecendo de seguida ao marido e aos filhos. A atriz falou também das dificuldades que teve em conseguir que a longa-metragem se concretizasse: “Quando a Lisa Genova escreveu este livro, ela disse-me que ninguém o queria transformar num filme porque ninguém queria ver um filme sobre uma mulher de meia-idade”. A crítica foi dirigida à indústria do cinema.

Gina Rodríguez, Melhor atriz de comédia ou musical (“Jane The Virgin”)

“Obrigada, Deus, por me teres transformado numa atriz”, começou por dizer Gina Rodríguez, depois de a protagonista da série “Scandal, Kerry Washington, ter revelado a vencedora na respetiva categoria. O discurso emocional e eloquente encheu-se de agradecimentos: aos pais que lhe sempre disseram para sonhar em grande, mas também aos membros do casting que compõem o enredo televisivo em que participa, “Jane The Virgin”.

Rodríguez, que tem sido uma voz ativa dentro da comunidade latina, reconheceu ainda os pares: “Este prémio é muito maior do que eu, representa uma cultura que se quer ver a si própria com heróis”. De sorriso posto e olhos lacrimejantes, terminou o discurso referindo-se, novamente, à família. “O meu pai costumava dizer-me para dizer, todas as manhãs, ‘Hoje vai ser um ótimo dia. Eu posso e vou conseguir’. Bem, pai, hoje é um ótimo dia. Eu posso e eu consegui”.

George Clooney, Prémio Carreira Cecil B. DeMille

Um discurso que começou com uma brincadeira e terminou com uma empolgante ovação em pé. George Clooney foi agraciado com o prémio Cecil B. DeMille, que reconhece uma contribuição destacada para o mundo do entretenimento. Assim que chegou ao palco Clooney agradeceu a simpatia da imprensa internacional e deixou duas mensagens importantes: “Je suis Charlie” e uma declaração de amor para a recém-mulher, Amal Clooney.

Primeiro, fez uma referência ao ataque à Sony Pictures e aos emails tornados públicos e que revelaram comentários maldosos entre membros da indústria cinematográfica — “É sempre divertido vir aqui e conversar com velhos amigos e, agora que vimos que todos foram alvo de pirataria, é também uma boa oportunidade para pedirmos desculpa cara a cara pelos comentários sarcásticos que dissemos uns dos outros”, brincou. Depois, o ator, realizador e ativista abriu o jogo a propósito de ter descoberto o amor na companhia da mulher, Amal, aos 53 anos. “Eu tive um bom ano”, disse.” Oiçam: é uma coisa humilde quando encontramos alguém para amar — melhor ainda quando esperámos a vida inteira. E quando a vida inteira é 53 anos, Amal, seja qual for a alquimia que nos tenha juntado, eu não podia estar orgulhoso em ser o teu marido”.

Ouve ainda tempo para falar a propósito das marchas em Paris, na sequência do ataque ao jornal satírico francês Charlie Hebdo. “Uma última coisa: Para reiterar o que temos vindo a falar, hoje foi um dia extraordinário”, disse Clooney. “Milhares de pessoas marcham não só em Paris, mas também no mundo inteiro. E elas eram cristãs, judias e muçulmanas. Eram líderes de países de todo o mundo. E elas não marcharam em protesto; marcharam em apoio pela ideia de que não vamos andar com medo. Não o vamos fazer. Então, ‘Je suis Charlie’. Obrigado”.