O PCP acusou esta quarta-feira a direção da Peugeot Citroën de Mangualde de estar a pressionar os trabalhadores para aderirem ao plano de saídas voluntárias, no âmbito de um plano de produtividade e racionalização de custos.

Em declarações à Lusa, o dirigente do PCP João Abreu revelou ter conhecimento de que alguns trabalhadores da fábrica de Mangualde “estão a ser chamados e altamente pressionados para chegarem a acordo para sair”.

“A chantagem passa por dizerem que agora pagam um ponto qualquer coisa [valor da indemnização por cada ano de trabalho] e que depois será por qualquer preço. Até chegam a referir que a empresa pode fechar”, alegou.

Na sua opinião, esta é “mais uma investida que tem por objetivo consumar os objetivos da PSA, que passam por explorar ainda mais a mão-de-obra que tem ao seu dispor em Mangualde”.

“Os trabalhadores de Mangualde são os que menos recebem no grupo e, ainda por cima, esta administração quer reduzir em cinco por cento os salários, quer acabar com o prémio de produtividade e o prémio de assiduidade”, acrescentou.

O dirigente do PCP considera que os dirigentes da Citroen de Mangualde pretendem libertar trabalhadores dos quadros, para mais tarde irem buscar trabalhadores precários.

“A própria PSA criou uma empresa de aluguer de mão-de-obra e que pode utilizar como quem utiliza coisas descartáveis, usando e abusando das leis permissivas que este Governo e o anterior meteram à disposição das multinacionais”, sustentou.

João Abreu acusou ainda a administração da fábrica de Mangualde de ter criado um “papão”, quando os custos de produção neste centro são muito mais baixos que em qualquer outro centro do grupo.

“Criaram o ‘papão’ da questão dos transportes, porque não há uma linha direta entre Vigo e Mangualde, criaram o ‘papão’ da questão da eletricidade que aqui é mais cara. Mas nunca referem que os custos do trabalho são muito mais baixos em Mangualde do que noutros centros”, frisou.

O dirigente do PCP anunciou ainda que vão insistir com o Governo no sentido de obrigarem a empresa a honrar os seus compromissos.

“Vamos insistir para que Governo português intervenha de forma resoluta, para que os postos de trabalho sejam salvaguardados, e para que, no futuro, não venhamos a ter mais um desastre social na nossa região”, referiu.

A PSA Peugeot Citroën de Mangualde anunciou na segunda-feira ter lançado um plano de saídas voluntárias, no âmbito de um “plano de produtividade e racionalização de custos”.

Num comunicado, referiu que, “tendo em vista um posicionamento competitivo no seio do grupo PSA que lhe permita ganhar a atribuição de novos veículos que substituam os atuais modelos quando chegarem ao fim do seu ciclo de vida, tem em desenvolvimento, à semelhança de outras fábricas na Europa, um plano de produtividade e racionalização de custos” que prevê “uma diminuição gradual de efetivos”.

“Para esse efeito, lançou um plano de saídas voluntárias que está a decorrer e, por isso, de momento, não estão quantificadas”, acrescentou.

A PSA garantiu estar “a trabalhar ativamente no sentido de aumentar o número de fornecedores nacionais e, também por essa via, diminuir custos e contribuir para a criação de emprego indireto e para aumentar a criação de valor nacional”.

“A PSA de Mangualde está instalada em Portugal há 52 anos e tudo fará para continuar a defender a sua longevidade”, sublinhou.