Seis documentários, 12 longas-metragens de ficção, entre as quais três antestreias nacionais, oito curtas-metragens e três sessões especiais fazem a próxima Judaica – Mostra de Cinema e Cultura, que se instala no Cinema São Jorge, em Lisboa, de 4 a 8 de março.

O cinema é o protagonista da Judaica, mas é com um momento literário que se inaugura a 3.ª edição do evento, esta quarta-feira, às 18h30. A propósito da publicação recente de As raízes do céu (Sextante Editora), primeiro romance de Romain Gary a ser distinguido com o Prémio Goncourt, Myriam Anissimov, biógrafa de Gary, vai estar no São Jorge para apresentar o livro e para uma conversa sobre o autor, em conjunto com Pedro Mexia.

Os 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial serão lembrados com duas antestreias nacionais. Da Alemanha vem o filme de abertura, “Labirinto de Mentiras”, história sobre um jovem procurador que não tem medo de quebrar a paz podre do pós-guerra alemão para condenar 22 envolvidos na “Solução Final” de Auschwitz. O processo culminou com os chamados “Julgamentos de Auschwitz”, que abalaram o país na década de 1960. Para ver na quarta-feira, às 21h30.

Corre, Rapaz, Corre“, para ver sexta-feira, às 19h30, foi realizado em conjunto pela França e pela Alemanha em 2013 e baseia-se na obra com o mesmo nome do escritor israelita Uri Orlev. Ambos tratam a história verídica de um menino polaco de oito anos que foge do gueto de Varsóvia em 1942, numa demonstração de fé e resiliência perante os horrores da ocupação nazi.

Gett: o Processo de Viviane Amsalem“, candidato de Israel ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro e Nomeado a um Globo de Ouro na mesma categoria, é outra das antestreias nacionais a não perder, sábado, às 22h00. Viviane Amsalem, a protagonista, decide separar-se legalmente do seu marido, o que ao abrigo do código civil em Israel se torna um problema para a mulher, uma vez que não existe divórcio civil no país. Isso significa que só as relutantes e conservadoras autoridades religiosas podem autorizar o fim da união.

Para encerrar a Judaica, domingo, às 19h30, foi escolhido “Kaplan” filme sobre as desventuras de um pacífico ancião de Montevidéu que acredita ter descoberto um antigo líder nazi a viver numa praia uruguaia.

As sessões para escolas, a tradicional sessão da Rede de Judiarias de Portugal, desta vez com a apresentação do roteiro “Caminhos Judaicos” e uma conversa com o Rabino Schlomo Pereira, atualmente diretor do Jewish Learning Institute no Estado da Virgínia e uma Feira do Livro que vai estar no átrio do São Jorge durante os cinco dias do festival, são outras das atividades incluídas no programa.

Dois meses depois, entre 7 e 10 de maio, a Judaica sai pela primeira vez de Lisboa em direção a Belmonte, vila onde existe um cemitério judaico e o único Museu Judaico português, que retrata a história da presença sefardita em Portugal. Será feita uma “seleção importante da programação e também das atividades paralelas”, promete a organização.