É uma velha máxima: quem vai à guerra dá e leva. Aquele 3-0 da primeira volta em Guimarães, aquele duro 3-0, foi há muito tempo, mas sobrevivia ainda na mente de todos os sportinguistas. Feridos no orgulho e com uma crise de identidade, após saída de Hernâni para o FC Porto, o Vitória chegava a Alvalade com apenas seis pontos conquistados nos últimos 24 possíveis. A equipa de Rui Vitória até entrou bem, mas os leões marcaram na primeira vez que visitaram o território de Douglas. A partir daí foi um passeio tranquilo (4-1).

Sporting: Rui Patrício, Miguel Lopes, Paulo Oliveira, Ewerton, Jefferson, William, Adrien, João Mário, Carrillo, Nani, Slimani

V. Guimarães: Douglas, Plange, Josué, Kanu, Bruno Gaspar, Bouba, André André, Bernard, Sami, Alex, Tomané

O Sporting entrou a dormir. O Vitória, quem sabe inspirado pelo que fez na primeira volta, entrou a toda a velocidade, ganhando alguns cantos no arranque da partida. Alex, um rapaz com uma bela canhota, esteve em evidência com cruzamentos de alto gabarito. O extremo esquerdo, que depois desceria para lateral pouco depois do intervalo, tem 23 anos e dividiu a formação entre o Nacional da Madeira e FC Porto.

A audácia, o arrojo e a atitude atrevida, de quem nada tem a perder, durou 13 longos minutos. Os homens que vestiam de preto estavam rápidos na bola, espertos e com os olhos no horizonte, que é como quem diz, na baliza de Rui Patrício. Mas nestas coisas existe uma outra velha máxima: quem não marca, sofre, certo? E foi isso que aconteceu (14′). Miguel Lopes recuperou a bola perto da área dos minhotos e tocou para Carrillo, no corredor direito. O peruano fez um cruzamento cheio de estilo (e muita direção) para a cabeça de João Mário, 1-0. A partir daqui os fantasmas do passado recente invadiriam a cabeça dos vitorianos. Bloquearam as ideias e ativaram a memória: quatro derrotas, um empate e apenas uma vitória nos últimos seis jogos.

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O Sporting, com paciência e rigor, tomaria conta do jogo. A bola seria dos homens de verde. Os jogadores de Marco Silva tornariam este um jogo muito fácil, que abrandaria a olhos vistos no ritmo e intensidade. Até nos duelos físicos.

O segundo bombom da tarde para os adeptos sportinguistas chegaria aos 33′. Mas só à terceira: Miguel Lopes, com um senhor canhão, chutou à barra. Nani testou Douglas na recarga, mas nada. Slimani, que começou desinspirado esta partida, insistiu com um cruzamento rasteiro e Nani voltou a tentar: o árbitro considerou que a bola foi cortada pelo braço de Josué e marcou penálti. Adrien assumiu e marcou, 2-0. O médio português tem 20 golos com a camisola do Sporting, sendo que 13 deles foram de penálti. É o especialista. Marco Silva cerrou o punho e festejou com feeling.

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Antes do apito para o descanso, Slimani marcaria o terceiro. Miguel Lopes entrou pelo lado direito da área dos minhotos e, com classe, picou para o segundo poste, onde esperava o avançado argelino para um encontro com a glória. Foi de cabeça, 3-0.

Intervalo em Alvalade. As coisas estavam muito fáceis para os homens da casa. O Vitória começou bem, até conseguiu jogar mais tempo no meio-campo adversário durante 13 minutos, mas a primeira viagem à baliza de Douglas seria fatal: golo e o abrir da porta para uma passeata relaxada e gloriosa.

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Durante a segunda parte, o Sporting desligaria um dos motores do avião, sossegando as pernas e tentando congelar a bola. Mas o coração do Vitória palpita forte, por isso houve um esboço de reação. E a baliza de Rui Patrício até esteve em xeque uma ou outra vez.

Gui, aos 63′, cabeceou ao poste da baliza da equipa da casa. Depois, aos 68′, Bernard bateu um livre que passou muito perto do poste da baliza de Patrício. Os avisos sucediam-se, mas, e tal como na primeira parte, foi o Sporting quem encontrou o caminho para o bailado das redes. E de penálti novamente, desta vez convertido por Nani. Carlos Mané furou pela área inimiga e caiu, tocado por Nii Plange, o suficiente para o árbitro considerar falta. Nani bateu com pinta, 4-0.

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Até ao final da partida ainda haveria emoção. Paulo Oliveira, um central que chegou a Alvalade proveniente do Vitória, viu o segundo amarelo e foi expulso, por falta sobre Tomané. E o golo dos visitantes, o único e justo golo que premiava quem não baixou os braços depois de um 3-0 ao intervalo, chegou um minuto depois (83′). Um livre no corredor central encontrou Kanu, depois de a bola bater na barreira. O central beneficiou da hesitação de Rui Patrício e Jefferson, 4-1. Foi um golo muito, muito estranho. As goleadas têm muito disto: portas e janelas abertas para as desconcentrações.

Ponto final no Estádio de Alvalade. O Sporting beneficia dos empates do Sp. Braga e FC Porto e da derrota do Benfica para ganhar alguns pontos aos rivais. O terceiro lugar está mais sólido do que nunca, com nove pontos de vantagem para os bracarenses, enquanto o segundo lugar fica apenas a seis pontos.

Este resultado, um chocolate por 4-1, não acontecia desde março de 1997. Foi perante cerca de 30 mil adeptos que Oceano bisou, algo que não era nadinha habitual. Dominguez e Paulo Alves fecharam as contas. O golo do Guimarães, que até foi o primeiro do duelo, foi marcado pelo lateral Quim Berto. O Sporting foi muito melhor, claro, mas a expulsão de Capucho aos 29′ deu uma ajudinha. Octávio Machado e Jaime Pacheco eram os treinadores. A história repete-se quase 20 anos depois.