Última Semana, a mais recente aquisição da coleção de poesia da Tinta-da-China, apresenta pela primeira vez em português poemas escritos por Hugo Williams, um dos grandes poetas da língua inglesa.

Com tradução de Pedro Mexia, o livro reúne poemas escritos nos últimos 60 anos, que “descrevem um passado que assombra o presente, de tal modo que um simples objeto do quotidiano confunde os tempos, as memórias e as emoções”, como refere o tradutor.

Hugo Williams nasceu em Windsor, Inglaterra, em 1942. Filho de dois atores, Hugh Williams e Margaret Vyner, a sua vida nem sempre foi fácil. Apesar disso, a situação precária com que cresceu acabou por servir-lhe de inspiração para muito dos seus poemas.

Estreou-se na poesia com Symptoms of Loss, em 1965. Seguiram-se outros livros, que ajudaram a construir a reputação de um dos grandes poetas ingleses da atualidade. Em 1966, publicou o primeiro livro de viagens, All the Time in the World” e, no mesmo ano, recebeu o seu primeiro prémio literário, o Eric Gregory Award. Em 1995, publicou uma compilação de artigos publicados em revistas e jornais, Freelancing e, em 2000, ganhou o Prémio T.S. Eliot com o livro Billy’s Rain, um relato negro e divertido de um caso amoroso.

O teatro sempre foi uma presença constante na sua vida. Por diversas vezes admitiu que, se não fosse escritor, seria ator. Essa teatralidade, que sempre o rodeou, não escapou aos poemas que compõe. A linguagem que usa, simples e clara, não passa de um simples artifício. Por trás do tom quase infantil dos seus poemas, esconde-se um “eu” poético reflexivo e muito mais complexo. Sempre autobiográficos, a poesia de Williams mostram, como disse uma vez Adam Philips, o que há de tão “estranhamente pouco dramático nos nossos dramas pessoais”.

Deixamo-nos e os hábitos
desvanecem-se como terra à vista.

Agora não tenho rosto
e tu és de novo infinita.