Foi inaugurada esta quarta-feira no Grand Palais a maior exposição de retrospetiva do trabalho de Diego Velázquez, um dos grandes nomes da pintura europeia do século XVII. Até 13 de julho, o museu parisiense irá receber alguns dos trabalhos mais importantes do pintor da Idade de Ouro espanhola.
Guillaume Kientz, curador da exposição e conservador no Museu do Louvre, passou os últimos dois anos a negociar com colecionadores privados e museus. Ao todo, conseguiu reunir 119 trabalhos, que mostram ao pormenor todas as fases artísticas do pintor, desde a sua estreia em Sevilha até aos últimos anos da sua vida.
Ao Wall Street Journal, Kientz explicou que “a ideia era atualizar o público no que diz respeito à investigação feita nos últimos anos”, que inclui a identificação de novas obras e a descoberta da influência de Caravaggio no seu trabalho.
A faltar na exposição do Grand Palais ficam apenas “As Meninas”, aquele que é provavelmente o quadro mais conhecido de Velázquez. A obra, atualmente no Museu do Prado, não pôde ser transportada para Paris devido ao seu estado frágil, como refere a edição francesa do Huffington Post. Para Kientz, “As Meninas” são “um monumento de arte, um monumento de história, um monumento espanhol”. “Para vermos os monumentos, vamos até eles. Eles não se movem”.
Velázquez foi nomeado pintor oficial do rei Filipe IV de Espanha em 1623, quando tinha cerca de 20 anos. Influenciado pelos pintores italianos, como Caravaggio, o artista espanhol conseguiu ultrapassar as limitações da arte do seu tempo, criado retratos vívidos e expressivos. “Ele conseguia inspirar vida nos retratos”, disse Kientz ao Wall Street Journal. “Ao fim de algum tempo, consegues sentir que o quadro está a olhar para ti”.
Admirado por diferentes gerações de artistas, a sua influência permanece ainda hoje. No século XIX, foi redescoberto pelos impressionistas, e Édouard Manet chamou-lhe “o pintor dos pintores”. Na década de 1960, serviu de inspiração a Francis Bacon, que pintou uma versão do seu famoso retrato do Papa Inocêncio X.
O mesmo retrato, pintado em 1650, serviu também de inspiração a Martial Raysse, um dos mais importantes pintores franceses contemporâneos. “É um dos melhores pintores de sempre”, disse Raysse, citado pelo Huffington Post.”Admiro-o muito”.