Que dormir demais ou de menos faz mal, já se sabe. O que um investigador da Universidade de Warwick diz agora é que, entre os grupos de risco que dormem menos de seis horas por noite, ou mais de oito horas, é a saúde dos que dormem mais que sofre.

Frank Cappuccio, professor de medicina cardiovascular e epidemiologia na Universidade de Warwick, na Grã-Bretanha, afirma que, quando se fala em sono, o ideal é dormir entre seis e oito horas. Por norma, fala-se mais nos riscos associados a quem não dorme o suficiente, entre os quais se contam irritabilidade, cansaço, maior tendência para a obesidade, tensões altas e maior risco de doenças cardiovasculares.

O que é novo na investigação de Franco Cappuccio, de acordo com a BBC, é a análise de 16 estudos diferentes, que totalizam um milhão de respostas de diferentes pessoas sobre os seus hábitos de sono e que depois foram acompanhadas na investigação. O professor dividiu as pessoas em três grupos. No primeiro ficaram as pessoas que disseram dormir menos de seis horas por noite. No segundo, as pessoas que estão dentro do padrão considerado normal, e que dormem entre seis e oito horas. No terceiro grupo foram colocadas as pessoas que disseram dormir mais do que oito horas por noite.

E, apesar de se falar mais nos riscos associados a quem dorme de menos, os estudos feitos ao longo dos últimos 10 anos mostram que a mortalidade neste grupo se situa em mais 12% do que o padrão normal. Por oposição, a percentagem de mortes no terceiro grupo é de mais 30%.

No entanto, Franco Cappuccio teve em conta outros fatores, como os casos em que dormir demasiado é uma consequência de sintomas de depressão, ou de tomar comprimidos para dormir. Mesmo feita essa correção, os números de mortalidade continuam a ser superiores para quem dorme nove ou mais horas por noite do que para quem dorme cinco ou menos.

A sua teoria é de que as pessoas inseridas no terceiro grupo podem padecer de um problema de saúde subjacente que ainda não se manifestou através de outros sintomas que não o dormir demasiado. Ou seja, não é o excesso de horas de sono que está a causar o risco de mortalidade, é a doença oculta.

Nem todos concordam com esta teoria. Há estudos que demonstram que passar demasiadas horas a dormir aumenta a sensação de depressão, maior inflamação e dores nas costas, problemas associados com a inatividade. Mas é mais um passo no sentido de detetar a influência que as horas de sono podem ter na saúde, e se a sonolência pode ajudar a detetar outro tipo de doenças mais precocemente.