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Godinho Lopes, ex-presidente do Sporting, admitiu esta quarta-feira em tribunal que foi ele quem mandou vigiar os jogadores leoninos.  O “caso Cardinal” tem como arguido Paulo Pereira Cristovão, ex-vice presidente do Sporting e ex-agente da PJ. O conhecimento das listas com dados pessoais, dos jogadores do plantel do Sporting e dos árbitros da 1.ª Liga, implica um crime de devassa da vida privada. Paulo Pereira Cristovão está também a ser julgado por crimes de corrupção, branqueamento de capitais e fraude.

Esta é a quarta sessão do julgamento do Caso Cardinal. Mais duas testemunhas serão ainda ouvidas: o inspetor da Polícia Judiciária responsável pela investigação; e Rui Martins, o homem que, de acordo com o Ministério Público, fez o depósito de 2 mil euros na conta de José Cardinal, árbitro envolvido diretamente no caso.

O caso Cardinal remonta a 2012, levantado por suspeitas de corrupção num jogo dos quartos-de-final da Taça de Portugal. O árbitro auxiliar do jogo, José Cardinal, recebeu alegadamente dois mil euros na sua conta. A transferência terá sido realizada através de um banco na Madeira.

Pereira Cristovão não prestou quaisquer declarações na primeira sessão do julgamento, enquanto Vítor Viegas, diretor de uma empresa de segurança e co-arguido neste caso, admitiu fazer vigilância e rondas às casas dos jogadores do Sporting. E confirmou ter sido contactado por Pereira Cristovão para proteger os ativos do Sporting.

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Na segunda sessão do julgamento, em abril de 2015, Eurico Gomes, antigo secretário técnico da Academia do Sporting, confirmou que vários dirigentes sabiam da existência da lista de jogadores, que incluía moradas, contactos e matrículas de carros de quase todo o plantel verde e branco.

Em 2012, Godinho Lopes negava qualquer envolvimento no caso. Na altura em que a PJ procedia às investigações no Estádio de Alvade, Godinho Lopes estava ausente e alegou que não sabia que os agentes iam lá estar. Caso contrário “estaria lá para os receber”.