Imagine que passava o dedo na manga do casaco e o seu smartphone fazia uma chamada para alguém à sua escolha? Ou que dava um toque na gola da camisa e o telefone parava de tocar? Ou ainda que passar a mão nas calças fazia acender umas quantas luzes? A fronteira entre ficção e realidade é difícil de traçar, mas a Google quer encurtar a distância entre os dois mundos com o projeto Jacquard.

“A estrutura dos téxteis é a mesma que a estrutura dos ecrãs tácteis que usamos diariamente nos dispositivos móveis e tablets”, disse Ivan Poupyrev, fundador do projeto Jacquard, no vídeo de promoção do projeto da Google. “Isso significa que substituindo alguns fios do téxtil, por fios condutores, podemos levar o téxtil a reconhecer a sinais táteis tal como qualquer ecrã tátil num telemóvel.”

Os fios desta roupa inteligente misturam ligas metálicas com fibras texteis, como algodão ou poliéster, mas de uma forma tão discreta que praticamente não é possível distingui-los das fibras normais numa peça de roupa. Estes fios metálicos recebem os sinais de toque dos utilizadores e passam-nos ao smarthphone.

A tecnologia ainda não está à venda, mas foi apresentada durante a conferência anual da Google. Por enquanto não há peças de roupa completas a usar esta tecnologia, mas pequenos remendos que funcionam como um ecrã de toque. O próprio Ivan Poupyrev apareceu na conferência com um casaco “85% algodão e 15% project Jacquard”. “Um remendo no braço, feito de fios de seda e de metais, que serviam de condutores, era o que a peça de roupa tinha de diferente”, refere El Pais.

Nessa mesma conferência, a Google informou que estabelecerá uma parceria com a Levi Strauss & Co. Desde que o primeiro par de calças de ganga foi criado em 1873 por Levi Strauss, que a empresa com o nome do fundador se tem esforçado por inovar. O próximo passo agora é o das roupas inteligentes, mas só se o projeto Jacquard conseguir criá-lo com umas fibras azuis ganga.