A valorização económica que as instituições científicas e tecnológicas fazem do conhecimento ainda não é suficiente, diz um estudo divulgado na terça-feira pela ANJE – Associação Nacional dos Jovens Empresários.

Se, por um lado, as “universidades orientam parte significativa do seu esforço para questões com pouca aplicação prática”, por outro, as empresas ainda não utilizam o conhecimento científico para resolver problemas práticos. “Não valorizam economicamente o esforço intelectual“, lê-se.

A conclusão surgiu no “Estudo Internacional de Empreendedorismo”, um documento que a ANJE produziu em parceria com a consultora B’TEN, no âmbito do PIP – Projeto Inovação Portugal, e que foi divulgado no evento que celebra os 18 anos da Academia dos Empreendedores, “A Maioridade do Empreendedorismo – Ideias, Projetos e Ecossistemas”.

Objetivo do estudo: definir as tendências da iniciativa empresarial que aposta na inovação e elaborar o “estado da arte” do ecossistema empreendedor. Para chegar a estas conclusões, a equipa responsável pelo estudo teve por base estudos de caso, nomeadamente, casos de sucesso de startups nacionais e o documento incluiu 24 relatórios de académicos – 12 da Universidade do Minho e 12 da Universidade do Porto.

Os desafios no país ainda são vários: é preciso promover uma cultura para a iniciativa, valorizar a ciência e tecnologia como fonte de projetos com elevado potencial de crescimento, dinamizar uma política pública que interligue o conhecimento das universidades e as necessidades de inovação das empresas, valorizar as redes e dinamizar os processos de inovação aberta.

As despesas públicas em Investigação & Desenvolvimento (I&D) representam 0,68% do PIB, e os gastos das empresas ficam-se pelos 0,7%, de acordo com o estudo. No total, as despesas de I&D representam apenas 1,5% do PIB e os pedidos de patentes por cada milhar de milhão de PIB fixam-se nos 0,6%, quando a média na União Europeia é de 3,3%.

Outro dado a reter: o investimento de capital de risco em startups está muito abaixo dos 5% do PIB, em Portugal. Por isso, é preciso reforçar a capacidade de acompanhar os projetos escaláveis e com orientação internacional “com valores de investimento significativos”, diz o estudo. “Poucos são os operadores com capacidade para acompanhar segundas e terceiras rondas de investimento“, lê-se.

O estudo também concluiu que o país tem feito “um esforço muito considerável” em infraestruturas para acolher iniciativas empresariais, públicas e privadas, mas ainda falta acompanhar este “salto” com um esforço complementar na sua capacidade de gestão.