O presidente da República falou na sessão de abertura do ICT 2015 – a maior conferência de tecnologias de informação e comunicação (TIC) da Europa – para lembrar as “visíveis dificuldades que as instituições têm para validarem a nova revolução tecnológica”, porque estas devem servir para “melhorar a eficiência e potenciar a criação de emprego, combatendo a desigualdade e a exclusão”.

“Necessitamos de inovação institucional para promover um maior grau de difusão da tecnologia em todos os domínios e para tirarmos o máximo de benefícios do potencial de riqueza que as TIC abrem à sociedade e à economia”, afirmou Cavaco Silva.

Aos cerca de 7 mil participantes presentes, Cavaco Silva afirmou que “são necessárias políticas que interpretem o novo modelo tecnológico” da Europa nesta “fase crítica” e que é fundamental que sejam criadas “condições para que os poderes de regulação sejam eficazes”. E que o equilíbrio entre a modernização do sistema produtivo e a estabilização do sistema financeiro determine “as condições sustentáveis do crescimento da Europa nas próximas décadas, invertendo o ciclo de crises sucessivas.”

“Esta nova economia está a convergir progressivamente para a economia física e a fronteira entre ambas será cada vez mais difícil de estabelecer. Por isso, os caminhos da prosperidade estarão abertos para aqueles que melhor compreenderem e mais rapidamente anteciparem como se irá processar o cruzamento entre o mundo físico e o mundo digital”, disse o presidente da República.

Esperando que os benefícios da tecnologia “abram caminho a uma nova era de desenvolvimento e criação de riqueza” na Europa, Cavaco Silva lembrou que a revolução tecnológica pode suscitar “tensões antes de produzir efeitos visíveis” para toda a sociedade.

“Em tempos de mudança, devemos reconhecer que existem sinais de um futuro promissor e que também pode haver ligar a um nível crítico de exigência social, que reclama uma resposta adequada das esferas institucionais, a estes novos desafios”, referiu.

Acrescentando que “uma mudança desta dimensão” requer um grande esforço de aprendizagem, o Presidente da República lembrou que não se pode continuar a ignorar “os sinais de intensa pressão social” que persistem “no acesso ao emprego e à distribuição de riqueza”.

O ICT 2015 é organizado pela Comissão Europeia em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia. A edição deste ano decorre entre 20 e 22 de outubro, no Centro de Congressos em Lisboa, e é a primeira vez que o evento sai da casa-mãe – o país que detém a presidência do Conselho Europeu nesse semestre.