Uma organização de defesa dos direitos humanos no Bahrain enviou uma carta à FIFA na qual pede ao órgão máximo do futebol mundial que impeça que o xeque Salman bin Ebrahim al-Khalifa se apresente às eleições de fevereiro próximo. Segundo a Americans for Democracy & Human Rights in Bahrain (ADHRB), o xeque, que pertence à família real do Bahrain, esteve envolvido na brutal repressão que os movimentos pró-democracia tiveram no país em 2011.

A ADHRB alega que o xeque Salman, que é o líder da Confederação Asiática de Futebol e antes foi presidente da federação nacional, identificou diversos jogadores que participaram em manifestações pela democratização do país em 2011, e que os atletas foram posteriormente detidos e torturados na prisão. “Existem provas credíveis de que al-Khalifa ajudou e instigou crimes contra a Humanidade quando era presidente da Federação de Futebol do Bahrain”, escreve a associação numa carta a que o Guardian teve acesso.

“Tendo em conta as notícias de que o xeque al-Khalifa quer ser presidente da FIFA, escrevemos agora para vos pedir que acabem com a candidatura do xeque al-Khalifa”.

Segundo o documento, o Bahrain criou uma comissão no seio do comité olímpico através do qual puniu mais de 150 atletas do país que participaram nas manifestações. “As forças de segurança usaram estas informações para prender, torturar e difamar publicamente esses atletas”, sustenta a carta, que também acusa a FIFA de se ter desinteressado do tema, depois de em 2011 ter iniciado uma investigação que terminou pouco depois.