A história das tatuagens é longa. Pode ter começado há mais de três mil anos, de acordo com as investigações que em 1991 desvendaram um corpo muito bem preservado de um homem completamente tatuado. Ötzi – o nome dado ao corpo encontrado no gelo – tinha mais de 50 tatuagens algo “estranhas”, como indicam as descrições dos cientistas, mas foi a partir delas que pudemos prever que a invenção das técnicas de acupuntura (e tatuagem) pode ser muito mais antiga do que julgávamos.

Esta forma de arte é, portanto, muito antiga e transversal a várias culturas. Tem uma grande carga histórica e social, porque muitas vezes aparece associada a pontos de viragem na mentalidade de uma época. É o que acontece nestas imagens: num tempo de regras sociais rígidas, algumas mulheres contrariavam as normas: em tempos vitorianos, a mulher que se tatuasse estava a anunciar a sua independência e liberdade, física e psicológica.

Nem todas podiam fazê-lo. A tatuagem no mundo feminino parecia exclusiva de duas esferas: a das camadas altas da sociedade – como a mãe de Winston Churchill, que tinha uma serpente desenhada do pulso – e a do universo dos espetáculos, onde reinava alguma fantasia (frequentavam-se os circos em busca de “fenómenos bizarros”, inclusive de histórias de tortura).

Durante os loucos anos 20, a tatuagem começou a generalizar-se, mas o avanço não durou muito. A Grande Depressão trouxe novas preocupações. Só no final dos anos 40, quando a recessão económica começou a ficar para trás, é que estes movimentos regressaram para mais uma vez simbolizar o “pensamento fora da caixa”, primeiramente celebrado por Maud Wagner, considerada a primeira mulher tatuadora.

As imagens na fotogaleria mostram-lhe as tatuagens de corpo inteiro que algumas mulheres inscreveram na pele entre 1900 e 1960. Explore-as e surpreenda-se.