Nuno Crato não quer “criticar o que está a ser feito pelo atual governo” – “quando tiver de o fazer, faço-o”, diz o antigo ministro da Educação – mas afirma que “se devia refletir sobre o sucesso do que foi feito e continuá-lo”. Crato deu uma entrevista ao Público.

O antigo ministro da Educação, que será condecorado esta sexta-feira por Cavaco Silva (Maria de Lurdes Rodrigues é outra das condecoradas), diz que “é preciso prosseguir o caminho de apoio às primeiras dificuldades sem reduzir a exigência. Não é esconder os problemas, mas enfrentá-los”.

Recusando criticar as alterações já feitas na Educação pela mão de Tiago Brandão Rodrigues, Nuno Crato deixa, contudo, uma nota:

É óbvio que se criámos exames no 4.º e 6.º anos foi porque considerávamos que eram necessários. Existe um exemplo em estatística que diz que não é por se deixar de usar guarda-chuva que a chuva acaba. Não é por deixar de haver avaliação que os alunos vão saber mais. Isso é uma falácia. A avaliação deve ser vista como algo que ajuda todos a melhorar, que estabelece critérios mais uniformes e ajuda todos a ter objectivos e a ultrapassá-los. E as provas finais têm esse grande valor de serem idênticas para todo o país e ajudarem todo o pais a chegar aos mesmos patamares.

Além dos benefícios dos exames para os alunos, Crato vê, também, vantagens para os professores. “A avaliação externa é um apoio ao trabalho dos professores, um trabalho de exigência e que os ajuda a puxar os alunos para patamares mais elevados. Portanto, julgo que os professores sentem que estes são necessários”.