É no segundo piso do Tecnopolo da Madeira que se localiza a AWAIBA, uma empresa multinacional que desenvolve microcâmaras. Foi aí que nos encontrámos com Martin Wäny, o diretor, que nos mostrou aquilo que parecia ser um carrinho de linhas.

Não era. Em vez de linha, o carrinho enrolava fio. E, numa das extremidades, algo semelhante a uma câmara minúscula. Na verdade, era “um sensor”: “Nós não fazemos câmaras. Fazemos sensores”, explicou-nos Wäny.

A AWAIBA escolheu o Funchal para instalar o seu núcleo de investigação tecnológica. É onde trabalha há vários anos a equipa responsável pelo “desenho e desenvolvimento dos chips [circuitos integrados]” para as microcâmaras que a empresa produz, conta-nos o diretor. Com sede na Suíça, foi fundada em 2005 e, em 2013, terá registado um volume de negócios de quase 842 mil euros.

Graças à nanotecnologia, a NanEye 2D é pouco maior do que um fio de cabelo

Mas falemos dos sensores. As aplicações são “especiais” — isto é, não se focam no mercado de consumo normal. Servem, por exemplo, na área da medicina, automação de fábricas e controlo de qualidade. A microcâmara que vimos — NanEye 2D — capta vídeo a uma resolução de 250 por 250 píxeis a 44 frames por segundo. Pode ser ligada a qualquer monitor ou televisor, sem atrasos na imagem. E lembra-se do fio de que falámos no início? Pode ter até três metros.

A nanotecnologia está cada vez mais presente e a AWAIBA tem assistido a um “rápido crescimento” do mercado em que opera. Segundo Wäny, o grupo onde a empresa se insere — grupo AMS — cresceu 30% no último ano. “É um mercado que tem bastante potencial de crescimento”, sublinha, suportado por potências como os Estados Unidos da América e alguns países do Médio Oriente. Mas enquanto a investigação é feita na Madeira, a produção dos seus produtos está sedeada em Israel e Singapura. Já a distribuição é feita a partir da Alemanha.

Martin Wäny a demonstrar a microcâmara desenvolvida na Madeira

Especificamente no arquipélago da Madeira, a AWAIBA emprega 20 profissionais nas áreas da engenharia, informática e eletrónica. “Grande parte do nosso staff é português”, explica Martin Wäney. “Metade é da Madeira e a outra metade é do continente”, acrescenta. “Acho que, obviamente, há uma contribuição [da AWAIBA] para a economia local.”

No que toca à investigação neste setor, Wäny diz ter “uma boa relação com os professores da Universidade da Madeira e com o M-ITI [Madeira Interactive Technologies Institute]”, não deixando, no entanto, de salientar que por vezes a empresa tem “ideias diferentes das da Academia [no que toca a] prioridades”. A relação, porém, não se cinge apenas às instituições do Funchal: segundo Wäny, a AWAIBA mantém também contacto com “outras universidades do continente”, como por exemplo com o Instituto Superior Técnico.

E no futuro? “Definitivamente, um dos desafios é crescer. O ambiente português não é o mais estável”, confessa o diretor. “É também um desafio lidar com as políticas de legislação em constante mudança”, conclui.

O Observador viajou para a Madeira a convite da representação da Comissão Europeia em Portugal.

Editado por Pedro Esteves.