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Pete Yorn

ArrangingTime

Seis anos depois do disco homónimo, o cantor, compositor e multi-instrumentista de New Jersey passa a linha dos 40 anos de idade e publica o sexto álbum de estúdio. É um presente para ele próprio, na medida em que traz à tona, de novo, o seu talento. Não que Pete Yorn tenha no currículo discos menores, mas desde musicforthemorningafter (2001) e Day I Forgot (2003) que não fazia nada assim.

O tempo passou por ele sem o tirar da linha indie pop/rock, mas 15 anos depois é fácil reconhecer de novo o “brilho” do início da carreira, um crédito que também tem de ser dado ao produtor dos dois primeiros álbuns. R. Walt Vincent voltou para dar uma ajuda, acrescentou à fórmula uma pitada de eletrónica (discreta) e, apesar de nalguns momentos ainda derrapar para o estilo baladeiro (chato), Pete Yorn conseguiu fazer deste ArrangingTime um dos discos mais interessantes da carreira. É caso para dizer: quem sabe nunca esquece.

Carter Tanton

Jettison the Valley

O propósito de um disco pode partir da música, da letra ou de um tema. No novo álbum do norte-americano Carter Tanton, o mote é o desabar lento de uma relação. Não que isso nos ocupe de tristeza, pelo contrário, e a justificação é simples: os arranjos e a produção são tão bons que transformam a experiência numa surpresa. Literalmente, de cada vez que se ouve descobre-se nele qualquer coisa diferente, um pormenor aqui e ali que tinha escapado antes, o som estéreo quando é bem aproveitado, faz maravilhas. Este terceiro álbum tem mais duas virtudes. A primeira está nas vozes que o acompanham, nada mais, nada menos que Sharon Van Etten e Marissa Nadler. A segunda, uma espécie de desarmonia constante que exige esforço (o que em tempo de facilitismo, pode ser contraproducente).

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Para quem nunca ouviu falar em Carter Tanton, aqui ficam algumas pistas: foi o líder dos (já extintos) Tusla, fez estrada com os Lower Dens e com os The War on Drugs. Talvez por isso, porque há artistas que conseguem somar experiências e fazer delas coisas novas, encontra-se em Jettison the Valley o que o indie folk tem de melhor.

Låpsley

Long Way Home

É uma estreia em grande. O primeiro álbum da jovem cantora e produtora britânica Holly Låpsley Flesher é uma coleção de canções eletro pop, nem sempre equilibrada, que nos prende logo na primeira faixa, “Heartless”. Este arranque é tão forte que se torna irrepetível, apesar de haver em Long Way Home outras excelentes canções, este disco é um percurso de extremos, entre o brilhante e o (quase) indiferente. Com apenas 19 anos de idade, tem na voz o carisma que fez dela uma aposta da conceituada editora XL Recordings. A música que lhe dá corpo faz o resto.

Aurora

All My Demons Greeting Me As a Friend

A nova menina bonita da pop alternativa norueguesa já estava na mira, ficámos encantados quando a conhecemos no ano passado e fizemos dela uma das artistas a manter debaixo de olho em 2016. Promessa cumprida, está na rua o álbum de estreia de Aurora Aksnes. Dele fazem parte a meia dúzia dos singles lançados no ano passado, aos quais se somam outros tantos, temas (negros) que podiam bem viver longe uns os outros. Isto porque a jovem Aurora, quase a completar 20 anos de idade, faz de cada canção uma respiração, um fôlego que só se compreende em pleno quando olhamos para ela. Talvez seja isso (também) que justifica o sucesso que tem no YouTube, onde soma milhões de visualizações. Garantimos que vê-la e ouvi-la ao vivo amplifica ainda mais o talento e a ternura de Aurora. Resta-nos esperar que regresse a Portugal, e depressa.

Youthless

This Glorious No Age

Os Youthless são uma dupla estrangeira radicada em Portugal: Sebastiano Ferranti e Alex Klimovitsky. Este primeiro LP é mais um lançamento da NOS Discos, foi misturado por Justin Garrish (Vampire Weekend, The Stokes, Weezer) e contém nele um turbilhão de sons e imagens. É rock desarranjado, psicadélico, lo-fi, por vezes corrosivo, mas tem nesta confusão uma harmonia que faz desta uma das apostas made in Portugal mais interessantes das últimas semanas. Na estrada, os Youthless vão contar com a companhia de Francisco Ferreira (Capitão Fausto, Bispo), João Pereira (Riding Pânico, LAmA), Jibóia e Octa Push, entre outros. Divirtam-se.