O ciclista espanhol Enric Mas tornou-se hoje no vencedor da 34.ª Volta ao Alentejo, depois de bater no ‘desempate por pontos’ Krister Hagen (Coop-OsterHus), que viu a sua amarela escapar nas pernas do português Samuel Caldeira (W52-FC Porto).
Depois de alguns minutos de espera, dos altifalantes do pódio ecoou a novidade mais esperada: o jovem ciclista da Klein Constantia era o 34.ª vencedor da ‘Alentejana’. Empatados em tempo até à meta de Évora, os dois primeiros da geral viram a amarela ser entregue no desempate pela soma dos resultados das cinco etapas, com Mas a ter de agradecer ao ‘dragão’ Samuel Caldeira por ter roubado o terceiro lugar e, consequentemente as bonificações, ao rival da Coop-OsterHus.
A notícia mais desejada fez o ‘pupilo’ de Alberto Contador — esteve três anos na equipa de formação da estrela do ciclismo espanhol — irromper em gritos e, entre abraços aos companheiros da Klein Constantia, nomeadamente a Remi Cavagna e Maximilian Schachmann, primeiro e segundo na quinta etapa, confessar-se “muito, muito feliz”.
Estava tudo por decidir à partida para os 172,3 quilómetros da ligação entre Santiago do Cacém e Évora e, por isso, na frente do pelotão cerraram-se fileiras, quebradas ao quilómetro 15 por Filipe Cardoso(Efapel), Pierrick Naud e Thomas Soladay(Rally Cycling), Mikkel Lunder (Team Bliz-Merida), Benat Txoperena(Euskadi-Murias), Vadim Zhuravlev (Lokosphinkx) e Jasper Hamelink (Metec-TKH).
Na versão de septeto, os fugitivos não conseguiram mais do que dois minutos de vantagem para o grupo, liderado pela W52-FC Porto, mas na sua versão reduzida, já sem Cardoso, Naud, Soladay e Hamelink, chegaram a dispor de três minutos, insuficientes para evitar a absorção certa, consumada a 30 quilómetros da meta.
Com uma meta volante ainda por disputar, os três primeiros da frente apressaram-se a ‘sprintar’ em Arraiolos. Quarto à partida, David de La Fuente (Sporting-Tavira) foi o primeiro a passar o risco — e garantiu o terceiro lugar final -, mas foi o segundo posto de Enric Mas que decidiu definitivamente o vencedor final.
Graças ao segundo amealhado, o espanhol empatou em tempo com Hagen, terceiro no ‘sprint’ intermédio, e acionou o calculista e calculado plano da Klein Constantia, que hoje demonstrou o porquê de ser a filial da Etixx-QuickStep, lançando três homens para lutar pelos três primeiros postos em Évora e, assim, anular o efeito das bonificações.
Num gesto programado, Remi Cavagna saltou do pelotão já dentro de Évora e beneficiou de uma queda a 1500 metros da meta para lançar-se rumo à vitória.
“Fizemos uma boa corrida de equipa. A ideia era ter três rapazes na frente e ir a ‘todo o gaz’ para conseguirmos dar a amarela ao Enric”, revelou o francês, que contou com a preciosa ajuda do colega Maximilian Schachmann, segundo a dois segundos, para cumprir parcialmente a sua missão.
No entanto, o verdadeiro decisor da 34.ª ‘Alentejana’ foi um ‘intruso’, o português Samuel Caldeira, que ao ser terceiro na etapa, diante do então camisola amarela, acabou por roubar os segundos de que Hagen precisava para assegurar a liderança da geral.
“A sério?”, perguntou à Lusa o algarvio da W52-FC Porto, completamente surpreendido pelo facto de o seu desejo de ganhar a etapa ter interferido nas contas do homem do norueguês da Coop-OsterHus.
Com os efeitos da queda ainda por contabilizar, Caldeira chegou a figurar como melhor português da geral, mas quando o colégio de comissários redefiniu os tempos — os regulamentos ‘mandam’ que não haja diferenças em caso de queda nos últimos três quilómetros -, um nervosíssimo Rafael Silva pode, enfim, sorrir.
O ciclista Efapel acabou mesmo em quinto, a 15 segundos de Mas e de Hagen, e atrás de um duo do Sporting-Tavira, os espanhóis David de la Fuente, terceiro a 09 segundos, e Jesus Ezquerra, quarto a dez.
O outro português em destaque foi Amaro Antunes (LA-Antarte), coroado rei da montanha, na festa do maiorquino de 21 anos, que venceu também a geral por pontos e da juventude.