Fontes próximas do Spotify avançaram à Bloomberg que o líder Daniel Ek está a ponderar um IPO (oferta pública inicial) para a segunda metade de 2017. Apesar de, nos últimos 10 anos, o serviço de streaming de música sueco não ter conseguido obter lucros, a sua avaliação está já em 8 mil milhões de dólares (7,2 mil milhões de euros) e pretende ser admitido em bolsa. O Spotify é o 15º unicórnio (empresa que vale mais de mil milhões de dólares) mais valioso do mundo, de acordo com a base de dados especializada em capital de risco do CB Insights.

A indústria da música é das que tem sofrido maior impacto com a revolução digital dos últimos anos. “É um setor muito difícil e o Spotify vai ter de ultrapassar o ceticismo que existe”, afirmou o analista da Capital Markets, Mark Mahaney, à Bloomberg.

Apesar de o Spotify ser líder no mercado de streaming pago, com mais de 30 milhões de utilizadores premium, que geram cerca de 10 milhões de receitas à empresa, a verdade é que o modelo – que junta a publicidade aos perfis pagos – ainda não é suficiente para tornar o negócio sustentável. No ano passado, a empresa conseguiu duplicar as vendas para 2,2 mil milhões de dólares, mas as comissões que tem de pagar à indústria musical – e que no ano passado totalizaram mais de 1,8 mil milhões de dólares – atropelam as receitas.

Nos últimos 18 meses, Daniel Ek tentou negociar a redução da fatia das receitas (55%) que recai sobre as editoras discográficas – como a Universal Music Group, Sony Music Entertainment ou a Warner Music Group -, mas fontes próximas da empresa adiantaram que a resposta não tem sido favorável. Esses 55% são já um um valor inferior ao praticado no mercado. A Apple, por exemplo, paga 57,5%. Entre os concorrentes do Spotify encontram-se nomes como a Apple Music, Amazon’s Prime Music ou o YouTube.

Sobre uma eventual entrada em bolsa, a Blomberg diz que a ronda de investimento de mil milhões de dólares de março foi negociada presumindo que os investidores poderiam converter capital em ações com 20% de desconto – e esse desconto vai aumentando à medida que o tempo passa. Daí, a pressão num IPO breve.

No último ano, o Spotify gastou 250 milhões de dólares em investigação e desenvolvimento, para otimizar a análise de software tendo em conta o comportamento dos utilizadores. Também tem desenvolvido algumas experiências em vídeo. Michael Doernberg, presidente do ReverbNation, diz que o “Spotify quer transformar-se numa experiência mais ampla” e que há “uma preocupação fundamental” em olhar para a metodologia do negócio da música. “Há uma crença crescente de que estas empresas florescem rapidamente, mas morrem rápido”, afirmou.