Há ideias que ficam apenas no papel. Existem outras que ganham vida e se transformam em soluções inovadoras e com potencial para mudar o futuro. Foi destas ideias que o Global Tech Innovator andou à procura. Nesta que é uma competição organizada pela KPMG, o objetivo é identificar startups com soluções tecnológicas inovadoras, robustez comercial, tração de mercado e potencial de crescimento internacional. Mais do que uma montra de visibilidade, a competição oferece uma oportunidade concreta de aceleração, permitindo aos participantes transformar ambição em progresso real, numa junção entre talento, tecnologia e impacto.

Depois de uma fase de candidaturas, as startups selecionadas foram alvo de um processo de avaliação que teve como critérios: a inovação e a disrupção, o potencial de mercado, e a tração e a dinâmica. Por último, foram eleitas as ideias finalistas, que apresentaram os seus pitches, no passado dia 4 de setembro, na final nacional da competição. De olhos postos na final internacional, todos disputaram o seu lugar como representante de Portugal, no palco do Web Summit, ao lado de startups selecionadas em mais de 20 países.

Filipa Alarcão, Managing Director & Partner da Horizon Equity partners, Sofia Couto da Rocha, Head of Innovation & Head of Virtual Client da Lusíadas Saúde; Miguel d’Aguiar, Diretor Executivo da Startup Portugal e Vasco Mendes, Partner de Advisory da KPMG Portugal, foram os quatro elementos de um Júri independente, que teve a tarefa de eleger o melhor projeto, das sete candidatas.

A par desta conquista, a startup vencedora poderá ainda usufruir de uma maior credibilidade e visibilidade junto de investidores, clientes e parceiros; oportunidades de fazer networking, com acesso, de todos os participantes, a eventos da KPMG, bem como a oportunidade de gerar uma forte rede de contactos; mentoria e o apoio recebido por parte da KPMG, incluindo consultoria gratuita em áreas como advisory, fiscalidade e contabilidade, durante 12 meses.

“É com muito gosto que vos recebemos aqui, nesta iniciativa, onde pretendemos identificar, apoiar e dar palco ao que de mais promissor existe em Portugal”. Foi Vasco Mendes, Partner de Advisory na KPMG Portugal, quem ficou encarregue de dar início aos trabalhos, com uma mensagem de boas-vindas que deixou bastante claros os padrões que regeram esta nova edição: para além de mais de 50% de candidaturas, em relação ao ano passado, as ideias finalistas destacaram-se pela sua maturidade. “O que observámos este ano é que as candidaturas estão a ganhar mais maturidade, com uma grande diversidade ao nível de setores. Temos também a felicidade de contar com um grande júri, onde conseguimos ter uma amplitude no que diz respeito à experiência”. E aqui, Vasco Mendes destacou Miguel Aguiar, da Startup Portugal, com o seu know-how em empreendedorismo; Filipa Alarcão, Managing Director & Partner da Horizon Equity partners, com o seu contributo no que diz respeito ao investimento; e Sofia Couto Rocha, Head of Innovation & Head of Virtual Client, Lusíadas Saúde, com o seu input na área da inovação e mundo corporate.

Dadas as boas-vindas, foi altura de conhecer os finalistas

Bloodflow camada invisível de inteligência clínica, integrada diretamente com os sistemas eletrónicos de saúde, nos hospitais, de forma a automatizar vários tipos de workflows clínicos, como um sistema de apoio à decisão clínica.

É o meu segundo ano no Global Tech Innovator. Foi muito positivo estar aqui a apresentar a nossa solução e, acima de tudo, o nosso progresso desde o ano passado. A jurada Sofia Couto Rocha é alguém com quem estamos a tentar trabalhar desde o último ano e, agora, ela acha que estamos no ponto certo para começar. Hoje, é nisso que vou pensar para casa” – Tiago Costa

blueOASIS startup dedicada à tecnologia acústica submarina.

O balanço da nossa participação no Global Tech Innovator é muito positivo. Temos oportunidade de explicar quem somos e o que fazemos. Somos discretos na nossa atuação e, por isso, gostamos de nos dar a conhecer ao mundo. Participar num evento como este é, também, uma oportunidade de conhecer potenciais parceiros e outras iniciativas” – Pedro Almeida e Silva

FAMEL fabricante de motociclos portuguesa.

É sempre uma oportunidade de dar a conhecer o projeto e, quem sabe, adquirir potenciais compradores para as nossas motas. É um balanço bastante positivo e tivemos um bom feedback do júri” – Joel Sousa

Granter startup portuguesa que apoia outras empresas a encontrar e a fazer candidaturas a fundos públicos.

Já conhecia a maior parte das empresas que estão aqui e acho que foi uma competição certamente renhida. Houve um feedback de que estamos a levantar pouco dinheiro para a nossa ambição e é um conselho que eu, certamente, vou considerar” – Bernardo Seixas

Humanos plataforma pioneira baseada em API (Application Programming Interface) que elimina a dificuldade na partilha de dados pessoais entre diferentes entidades. Através desta solução, é possível perceber quando um agente de IA vai realizar uma ação, qual o risco associado, bem como formas de o reduzir.

É sempre positivo estas iniciativas acontecerem. É importante que mais empresas com o peso da KPMG o façam, porque isto ajuda a colocar as startups à frente de potenciais clientes. E isso é fundamental” – Pedro Andrade

Lampsy Health – startup dedicada a pessoas que vivem com epilepsia. Através do desenvolvimento de um candeeiro, a solução consegue identificar os momentos em que uma crise de epilepsia está a acontecer e enviar alarmes automáticos para os cuidadores, para que consigam atuar de imediato.

Octo Health startup na área da saúde, que cria uma plataforma para ajudar as pessoas a monitorizar a sua saúde, num sítio único e centralizado, através de um teste com mais de 100 biomarcadores.

Principalmente numa perspetiva de aprendizagem com outros finalistas, foi bastante positivo, bem como os insights que são sempre gerados. A participação, aqui, é sempre ótima” – João Rosado

Sete apresentações, uma ideia vencedora

Depois da Ethiack, em 2025, da BHOUT, em 2024, da Rauva, em 2023, da Musiversal, em 2022, e da Defined.AI, em 2021, a startup Lampsy Health foi a ideia vencedora da final nacional de 2026. Fundada por Vicente Garção, Leonor Pereira e Joana Pinto, a Lampsy Health desenvolve soluções tecnológicas para melhorar a segurança e qualidade de vida das pessoas com epilepsia. Combina Inteligência Artificial e visão computacional, para detetar crises epiléticas durante a noite, alertando automaticamente cuidadores enquanto protege a privacidade dos utilizadores.

“A solução que desenvolvemos é um candeeiro que colocamos nas casas das pessoas e que consegue identificar, através de uma tecnologia de IA, os momentos em que uma crise está a acontecer e enviar alarmes automáticos para os cuidadores”, explica-nos Joana Pinto, Chief Growth Officer da Lampsy Health, partilhando também o sabor desta vitória: “Nós estamos a desenvolver a Lampsy para resolver o problema de milhões de famílias do mundo inteiro, estamos sempre a construir com o global em mente. Fazer parte desta competição, que começa por ser nacional, mas que depois será global, é muito importante porque contactamos não só com outras startups, como também com investidores, parceiros e outras entidades, e é sempre muito bom ter esse reconhecimento”.

A vencedora desta sexta edição do Global Tech Innovator irá ser a representante portuguesa na Final Global, a acontecer durante o mês de novembro, na Web Summit, em Lisboa.

A tarde terminou com uma certeza: há muito boas ideias a passar do papel para a vida real, em Portugal. Desta vez, estas foram as sete ideias dignas de destaque. Quem sabe se a sua não será a próxima a ganhar palco, numa sétima edição. Afinal, há quem diga que este é o número da sorte. Até lá!