A startup Prometheus, do fundador da Amazon Jeff Bezos, pretende criar “engenharia geral artificial” para desenvolver novas ferramentas de engenharia e diminuir prazos de construção de produtos. A ambição foi revelada pelo próprio e pelo co-CEO da empresa, Vik Bajaj, numa entrevista concedida à CNBC, esta quinta-feira.

“Há seis mil anos, alguém inventou o arado e todos nós ficámos mais ricos. Depois, muito tempo depois, alguém inventou a máquina a vapor, e todos nós ficámos mais ricos […] O que a Prometheus busca fazer é construir um conjunto de ferramentas que acelere drasticamente esse ciclo de invenção“, explicou Jeff Bezos, à CNBC, com Bajaj a afirmar que o projeto pretende reduzir o prazo de projeto e fabrico de materiais como motores a jato, que atualmente é de aproximadamente dez anos.

O fundador da Amazon explica que a Prometheus ainda está numa fase “prematura” mas que é “realmente impressionante”, e sublinhou que haverá “muitos anos de trabalho árduo pela frente para concretizar a visão” da equipa.

O projeto, anunciado em novembro de 2025, terá uma equipa de cerca de 150 pessoas, e conta com um financiamento superior a 12 mil milhões de euros (10,3 mil milhões de euros). Pretende “criar novas ferramentas de engenharia utilizando muitas das técnicas empregues na construção de chatbots e outras tecnologias de IA [Inteligência Artificial]“, segundo o The New York Times, que refere que o projeto tem como expetativa a melhoria da eficiência do fabrico de dispositivos como computadores, automóveis, motores a jato ou naves espaciais.

O Prometheus pretende ensinar chatbots a “aprender habilidades identificando padrões em dados recolhidos de atividades no mundo físico” e aplicar a IA a descobertas científicas como robótica e desenvolvimento de medicamentos. Atualmente, são programados para escrever através da análise de texto.

O projeto tem também como objetivo investir ou até comprar empresas “que possam beneficiar da tecnologia desenvolvida na Prometheus”, com Bezos e Bajaj a negociarem o levantamento de mais de 100 mil milhões de dólares (86,4 mil milhões de euros) para um fundo de investimento, de acordo com três fontes “familiarizadas com as negociações”, citadas pelo The New York Times. A startup conta com talentos recrutados de empresas de Inteligência Artificial, como a OpenAI.

“A Blue Origin é um exemplo perfeito de empresa que poderia beneficiar das ferramentas que a Prometheus está a desenvolver”, afirmou Bezos à CNBC — referindo-se à sua empresa de tecnologia espacial —, por produzir “dispositivos sofisticados, como motores de foguete”.

No entanto, não foram adiantados pormenores sobre a construção das novas ferramentas de IA.